Cultura e civismo no combate à corrupção
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2016 às 00:59 | Atualizado há 10 anosOriginário do latim “cultus”, o termo Cultura é traduzido como a ação de cultivar, sendo que nas ciências humanas ele é tomado em dois sentidos: subjetivo e objetivo. No primeiro, ele conota a ideia de um alto grau de desenvolvimento das capacidades intelectuais do ser humano. No segundo, o termo se refere a todo o conjunto de criações pelas quais o espirito humano marcou sua presença na história. E neste sentido, cultura é um fenômeno essencialmente social, criado no seio da sociedade, transmitido no tempo, de geração a geração, difundido no espaço e visando o bem-estar das pessoas.
O Civismo, também originário do latim “civis”, ou seja, cidadão. É a atuação consciente e esclarecida do indivíduo, no seio da comunidade, através do cumprimento dos seus deveres de cidadania e participação no ambiente em que vive. É o esforço em contribuir para o progresso e engrandecimento de sua Pátria e caracteriza-se por uma atitude ativa e altamente positiva diante dos interesses na solução dos problemas que emperram o desenvolvimento como um todo.
Entendemos que se o Brasil passa hoje por uma série de crises, especialmente na educação, na saúde, na segurança pública, e em vários outros setores da administração pública, sem dúvida, a falta de cultura e de civismo são dois fatores principais. Se nosso país é considerado hoje um dos mais corruptos do mundo, logicamente que é resultado destes dois valores que realmente levam a pessoa à prática de atos corretos e garantidores de grandes sucessos pela frente.
É preciso relembrar que de uns tempos para cá entramos num clima de falta de pudor, de honestidade, de moral, de desonra e de falta de outras regras de boa conduta e hábitos julgados válidos. E a consequência de tudo isso é o fato de sermos jogados na vala comum, fazendo-nos vítimas sofredoras dos resultados mais negativos possíveis praticados por pessoas adeptas de todo tipo de corrupção possível. O que nos foi ensinado positivamente na família, na escola e em outras atividades de grupo, uma força altamente destruidora de tudo isso vem atuando de maneira acintosa, interferindo nos mais variados campos de vivência de cada um de nós.
Por certo tempo, no exercício do magistério, ministrando aulas de Moral e Cívica, Organização Social e Política e Deontologia Jurídica, tive o privilégio de repassar para meus alunos ensinamentos eficazes no âmbito de tais disciplinas. Foi uma época necessária e que ofereceu resultados satisfatórios. Contudo, depois de alguns anos uma corrente nefasta e contrária ao que as escolas faziam, conseguiu acabar com tais matérias curriculares. Diante disto, os resultados vieram logo depois e com sérias consequências para a sociedade. É um cenário horrível, com péssimos exemplos para todas as gerações.
Dentre as instituições que pregam e buscam preservar os laços da cultura e do civismo, a Maçonaria, desde os seus primórdios tem defendido esta causa, pois ela preconiza que os bens culturais são todos aqueles que trazem a marca do homem, o que este produz e realiza na senda do bem. E toda vez que é falseada essa finalidade, surge então a pseuda cultura. E quanto ao civismo, a Ordem Maçônica apregoa ser a contribuição para o progresso e engrandecimento da Pátria, as bases essenciais da vida em comunidade.
Muito oportuna e feliz a iniciativa do deputado do Acre, Jairo Carvalho, apresentando um projeto de lei visando retornar a matéria Educação Moral e Cívica à grade curricular. A proposta teve o apoio do Tribunal de Justiça e da Procuradoria Geral de Justiça. Justificou o parlamentar que quando a educação familiar não é bastante na transmissão de valores aos filhos, as escolas e empresas tem o papel essencial no cultivo daquilo que chamou de “virtudes cívicas”. Estas, que são atitudes de cidadão que tenham como objetivo o bem comum, e cuja solidez não lhe permite negociar o princípio da honestidade e do respeito mútuo.
Merece os maiores aplausos referida proposta, vez que a virtude é um valioso bem que leva o homem à prática constante do que é positivo. E os filósofos antigos a definiam sob vários aspectos. Platão a denominou de “a ciência do bem”; Aristóteles, a chamou de “o hábito de dirigir a nossa conduta pela inteligência”; os Estoicos, afirmaram ser ela “a disposição da alma que, durante todo o decurso da vida, está de acordo consigo mesma”. Por sua vez, a Maçonaria, defensora do estoicismo, diz ser a virtude “uma disposição da alma, que induz o ser humano à prática do bem”.
Despertar nas pessoas a essência dos hábitos virtuosos, sem dúvida, é direcioná-la a um futuro promissor, livrando-as dos caminhos tortuosos e de ações maléficas capazes de destruí-las de causar consequências altamente nocivas ao próximo. Daí, o que disse um grande pensador de que a prosperidade de um país não depende da abundância de suas rendas, nem da importância de suas fortalezas, mas sim, do número de seus cidadãos cultos, nos seus homens de educação, de ilustração e de caráter. Nisto é que está o seu verdadeiro interesse e riqueza, sua principal força e o seu real poder.
Ao final, nesta esteira de pensamento, reporto e elogio o recente artigo do nobre colega e irmão, Barbosa Nunes, meu ilustre contemporâneo do exercício do magistério, quando ministrávamos a disciplina Deontologia Jurídica. Numa matéria interessante sob o título “Ser honesto na Administração Pública não é virtude, mas é, antes de tudo, um dever”, este operoso maçom faz uma série de considerações sobre o tema, evidenciando o valioso trabalho desenvolvido nacionalmente pelo Grande Oriente do Brasil, sobretudo no combate à corrupção. Mencionou o documento histórico lançado por esta ilustre instituição maçônica que está prestes a comemorar seus 200 anos de atividades altamente positivos em prol da moral e dos bons costumes.
(Aníbal Silva, jornalista, delegado de Polícia da Classe Especial, professor aposentado, membro da Diretoria da AGI, da Academia Maçônica de Letras, da editoria do Jornal da Cultura Goiana, da Academia Cezarinense de Letras e Artes e candidato a uma cadeira da Academia Palmeirense de Letras e Artes)