Política

“PMDB e PSDB podem caminhar juntos, por que não?”

Redação DM

Publicado em 15 de dezembro de 2016 às 00:51 | Atualizado há 2 anos

O ex-governador e prefeito em fim de mandato de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, 67 anos, afirmou, ontem, que o PMDB e o PSDB podem aliar-se em 2018, tanto no plano nacional quanto no estadual, caso esse seja o “interesse da população”.

Para ele, os entendimentos entre partidos devem ocorrer, pois a política tem que ser praticada para “servir a comunidade”, sem “ressentimento, ódio, preconceito ou opinião preconcebida”. Ele diz que “chegou a hora de se ouvir a voz do bom senso”. Lembrou ser preciso se afastar daqueles que “jogam pedras na política e apostam no quanto pior, melhor e de se aproximar das pessoas que querem construir o bem”.



“Se amanhã Marconi Perillo ou Ronaldo Caiado disputar a presidência da República, nós, goianos, temos o dever de apoiar, porque será bom para o Estado”

 

Maguito afirmou que apoia alianças e coligações entre os partidos, e que não é possível governar sem aliados políticos. “Essas aproximações sempre existiram, isso não é novidade para ninguém. PMDB já foi aliado do PSDB e vice-versa, o PMDB já foi aliado do PT e vice-versa e amanhã pode voltar a ser aliado de um dos dois ou de outros partidos. Coligação mesmo, precisa fazer alianças. Acho que não se pode discriminar partido nenhum na democracia, tem é que fortalecer. Hoje nenhum gestor governa sem alianças com outros partidos”, pondera.

Questionado sobre como recebe a posição de seu filho, deputado federal e presidente estadual do PMDB, Daniel Vilela, de que veta uma aproximação do partido com o PSDB do governador Marconi Perillo para as eleições deste ano, Maguito Vilela deixou claro que defende o “amplo entendimento entre os partidos, inclusive com o PSDB, tanto em nível nacional quanto estadual.” E completou: “Não discrimino nenhum partido. Se for necessário, o PMDB deve sentar com todos os partidos, incluindo o PSDB, para discutir propostas que interessam à população do País, de Goiás”.

O nome de Maguito Vilela é lembrado para disputar o governo do Estado em 2018. Ele venceu uma eleição ao Palácio das Esmeraldas – 1994 – e foi derrotado em duas: 2002 e 2006. “Entendo que chegou a hora da renovação, abrir espaço para a juventude. Sinceramente, não é vontade minha disputar eleições”.

Para Maguito Vilela, o PMDB tem os nomes dos deputados federais Daniel Vilela e Pedro Chaves, de deputados estaduais e prefeitos “capazes de disputar as eleições para governador”. Ele lembra que, na oposição, existem outras alternativas, como as de Ronaldo Caiado (DEM) e de Antônio Gomide (PT).

Nomes goianos

Maguito Vilela disse que, independente de partido político, deve-se apoiar qualquer goiano que concorrer à presidência da República e ele citou os nomes do governador Marconi Perillo (PSDB) e o do senador Ronaldo Caiado (DEM). “Não tem sentido um goiano disputar a presidência da República e nós não o apoiarmos.”

Ele lembrou que, em 1989, os goianos torceram para que Iris Rezende vencesse a convenção nacional do PMDB para concorrer à presidência da República. “Na época, estou certo que os goianos torceram para que Iris disputasse a presidência da República, mas o partido não aprovou o nome dele e sim de Ulysses Guimarães”.

Maguito Vilela sustentou que sempre irá apoiar os políticos que venham a ocupar espaço no cenário nacional e citou os exemplos de Iris Rezende nos ministérios da Agricultura e Justiça, de Flávio Peixoto no Desenvolvimento Urbano, Lázaro Barboza na Agricultura, Henrique Santillo na Saúde, Ovídio de Angelis na Assistência Social e Alfredo Nasser na Justiça. “Temos que estar ao lado daqueles goianos que venham a ocupar espaços na política nacional, pois é o estado que ganha e se fortalece ainda mais.”

Aposentadoria

Advogado de ofício, Maguito revela que recebe aposentadoria de R$ 4,4 mil pelo INSS, e que vai se atualizar para se dedicar à advocacia e a produção de leite, atividade de família que realiza há 40 anos. “Vou advogar, vou trabalhar na minha profissão. Comecei como advogado, advoguei por dez anos, depois fui para a vida pública. Vou me atualizar agora e vou advogar. Inclusive estes processos que eu tenho que responder no tribunal e no MP”, ressalta.

Maguito lembrou que abriu mão de ter “aposentadoria política” quando exerceu os mandatos de deputado estadual e federal, senador e governador do Estado. “Nunca busquei privilégio, vantagem pessoal. Abri mão de todas essas aposentadorias políticas”.

Crise política

Maguito Vilela disse que torce para que o presidente Michel Temer consiga realizar um bom governo e que possa resolver as graves questões econômicas e sociais. “O presidente Michel Temer é bem-intencionado, quer acertar, fazer um governo de transição. Ele escolheu a pessoa certa para comandar a economia, Henrique Meirelles”

“Estamos entregando uma cidade redonda, organizada, que está com tudo em dia. O 13º será pago hoje (14). Novembro já foi pago e dezembro será pago. Os fornecedores, empreiteiros e obras estão pagas”

 

“Essas aproximações sempre existiram, isso não é novidade para ninguém. PMDB já foi aliado do PSDB e vice-versa, o PMDB já foi aliado do PT e vice-versa e amanhã pode voltar a ser aliado de um dos dois ou de outros partidos”

 

Para o peemedebista, o fato de contar com o apoio do Congresso Nacional contribui para que os problemas nacionais sejam resolvidos em menor tempo possível. “Os senadores e deputados federais estão colaborando com o governo Temer, aprovando o ajuste fiscal necessário para o equilíbrio da economia”.

“O presidente Michel Temer é bem-intencionado, quer acertar, fazer um governo de transição. Ele escolheu a pessoa certa para comandar a economia, Henrique Meirelles”

 

O prefeito criticou o momento pelo qual passa a política no País. Na opinião de Maguito Vilela, o cargo de prefeito, especificamente, é repleto de desafios e também de problemas, e que um gestor municipal responde por erros que não são cometidos por ele. “A política no Brasil não é muito clara, não é transparente como a gente gostaria que fosse. Você hoje fica nas mãos de todo mundo. Qualquer gestor está nas mãos do Ministério Público, do TRE, dos tribunais todos, do Poder Judiciário. Quer dizer, você não sabe os seus limites políticos. Você tem um secretário que às vezes erra em uma despesa e você é que responde, que paga, que perde o mandato, enfim. O financiamento de campanha você não sabe se é privado, se é público ou misto. Ninguém tem noção das coisas hoje na vida pública. Acho que se o País clarificasse facilitaria muito para aqueles que gostam da vida pública. Honestamente não vale a pena. Hoje, se você se candidata a prefeito, você é candidato a réu”, desabafa.

Gestão em Aparecida

Em entrevista à rádio 730/AM, Maguito Vilela avaliou, de forma positiva, a gestão dos últimos oito anos na segunda maior cidade do Estado, diz que teve “as rédeas nas mãos” e que entregará as contas em dia para o seu sucessor. “Estou muito tranquilo porque nós pudemos fazer o que era possível fazer e sem sacrificar a cidade e a população. Estamos entregando uma cidade redonda, organizada, que está com tudo em dia. O 13º será pago hoje (14). Novembro já foi pago e dezembro será pago. Os fornecedores, empreiteiros e obras estão pagas. O Gustavo vai poder, já no dia 1º de janeiro, anunciar obras da ordem de serviço e a cidade vai continuar normal”, garante Maguito.

Maguito conseguiu eleger o seu sucessor, no primeiro turno, em Aparecida de Goiânia: o vereador e presidente da Câmara Municipal, Gustavo Mendanha (PMDB), 34 anos de idade.

Apesar das críticas, Maguito deixou claro que Gustavo Mendanha não está “entrando numa fria”, e reiterou que, além de problemas, o futuro gestor deve também organizar uma reforma para superar o momento de crise. “Não que ele esteja entrando numa fria, mas é lógico que ele vai ter dificuldades, vai ter que acompanhar dia e noite a administração e a gestão, e ainda vai enfrentar problemas. Não pense que não, porque vai. Acho que todo gestor, tanto a nível municipal, estadual e federal tem que se adequar, principalmente em um momento de crise, senão não consegue governar”, recomendou.

Apoio a Iris

O peemedebista frisou que será também um aliado permanente do prefeito Iris Rezende, em busca de verbas federais para o município de Goiânia. “Iris vai contar comigo 24 horas, a exemplo de Gustavo Mendanha. Serei um lutador permanente, em Brasília, no trabalho de viabilizar recursos federais para os municípios de Aparecida e de Goiânia”.

 

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