Cotidiano

Moresco aposta em cenário positivo

Redação DM

Publicado em 15 de dezembro de 2016 às 00:50 | Atualizado há 10 anos

Traçando um cenário positivo para o algodão no mercado internacional, Carlos Alberto Moresco assumiu, ontem, a Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), ocupando o lugar de Luiz Renato Zapparoli. Diz o novo presidente que Goiás está preparado para aumentar a produção da pluma. “Temos área, estrutura e clima. O vento sopra a nosso favor”, observa. E afirmou ainda que o consumo de algodão, atualmente, está maior do que a produção, e os estoques internacionais devem se tornar escassos.

“Investimos em capacitação, infraestrutura e tecnologia para alcançarmos uma boa rentabilidade com sustentabilidade”, ressalta, enfatizando os bons resultados das missões de compradores internacionais de algodão que têm vindo a Goiás para conhecer a cadeia produtiva do setor.

Os últimos quatro anos foram de baixa nos preços do algodão, se comparado a outras culturas como milho, soja e feijão. O grande estoque dos países compradores, principalmente a China, reduziu a demanda e o preço da pluma. O resultado foi uma progressiva redução na área cultivada no Brasil e em Goiás. Em três anos, a área plantada foi reduzida de 53 mil hectares para pouco mais de 30 mil hectares. Entretanto, a safra 2017/18 tem perspectiva de aumento no valor da matéria-prima.

Programa consolidado

Em seu discurso de despedida, Luiz Renato Zapparoli fez uma retrospectiva das principais ações e projetos de sua gestão. “A consolidação do Programa Algodão Brasileiro Responsável colocou o algodão de Goiás no mais alto nível internacional de sustentabilidade”, sustenta.

Ele destacou, ainda, os treinamentos realizados com trabalhadores do campo, os investimentos em pesquisas para combate a pragas da lavoura, a modernização do laboratório de análises de qualidade do algodão, a busca por financiamentos mais atrativos ao produtor e os eventos técnicos para compartilhamento de conhecimento e tecnologia. “Tenho certeza que a nova diretoria que toma posse hoje conseguirá alcançar vitórias ainda maiores”, conclui.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, o Brasil tem algodão em qualidade de competir com seus principais concorrentes mundiais. “Temos agora um sistema inviolável de identidade de todo algodão analisado nos laboratórios brasileiros, que está disponível para que o comprador tenha garantia de qualidade e procedência”, pondera.

Preparado para crescer

Presidente do Instituto Brasileiro do algodão (IBA), Haroldo Cunha diz que a possível ampliação das áreas de cultivo deixa os produtores ansiosos. “Temos um conhecimento técnico inestimável sobre o algodão. O setor está preparado pra crescer”, garante.

Presidente do Fundo de Incentivo ao Algodão em Goiás (Fialgo), Marcelo Swart afirma que a nova diretoria da Agopa vai otimizar seus procedimentos já com o foco no aumento da área plantada e do preço da pluma. E completa: “Há uma sinalização de melhora e devemos estar preparados”.

O recém-empossado presidente da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa), Alexandre Schenkel, acredita que o crescimento valerá para todo o Brasil. “Os estados produtores vão se ajudar no que for preciso”, resume.

Nível técnico e profissional

Superintendente estadual de Agricultura e Pecuária, Antonio Flávio de Lima destacou que a cotonicultura goiana se sobrepõe pelo alto nível técnico e profissional de seus representantes, o que faz diferença na ponta final do processo de produção e comercialização.

Economista e analista de mercado da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Pedro Arantes lembrou que o estado foi o segundo no Brasil a criar as instituições de suporte ao cotonicultor. “Uma crise de mercado em 1995 fez com que o setor se organizasse. Éramos produtores de algodão de baixa qualidade, e hoje estamos na ponta da tecnologia mundial”, diz.

Já para o supervisor regional de pesquisa em Algodão da Embrapa, Camilo Morello, o objetivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária é levar a tecnologia desenvolvida a todos os produtores. “As parcerias com a Agopa em eventos técnicos e pesquisas vão continuar”, destaca.

O novo presidente da Agopa vai exercer um mandato de dois anos. A chapa eleita tem como vice-presidentes Haroldo Rodrigues da Cunha e Marcelo Jony Swart. O 1º e 2º secretários são Rogério Vian e Marcelo Peglow, respectivamente. Os cargos de 1º e 2º tesoureiros serão ocupados por Paulo Kenji Shimohira e Bruna Zapparoli. Dulcimar Pessatto Filho será o diretor executivo da Agopa.

 

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