Crise econômica não viaja em carro de luxo
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2016 às 00:50 | Atualizado há 2 anosEdmundo Pedrosa é empresário do ramo automobilístico, diretor da empresa All Motors, revendedora de carros de luxo na Capital. Em entrevista exclusiva, ele faz uma análise do seu nicho de atuação e afirma não haver crise para artigos de luxo, vez que a classe A, apesar de estar ganhando menos em tempos de crise anunciada, não teve sua qualidade de vida afetada. Ele trabalha com carros cujo valor médio de venda é de R$ 200 mil para cima. Confira como e por que esse consumidor considerado V.I.P. não é afetado em tempos de crise.
Confira a entrevista:
DM–O Brasil passa por uma crise financeira?
“Existe uma crise em andamento, e é fato que o mercado financeiro de um modo geral está em recessão. Até quem tem condição financeira privilegiada, por uma questão de consciência, está mais comedido em relação a gastos. Acontece que o consumidor de artigos de alto luxo não está passando por crise financeira. Na verdade ele está ganhando menos, mas esse menos não o impede de usufruir das mesmas coisas que usufruía quando não havia uma crise anunciada.
O exemplo é o seguinte: se um cidadão ganhava R$ 500 mil por mês, gastava R$ 200 mil e poupava R$ 300 mil. Hoje ele ganha R$ 200 mil, gasta os mesmos R$ 200 mil e não poupa os R$ 300 mil. Isto quer dizer que este cidadão, que faz parte da classe A, embora esteja ganhando menos, não diminuiu sua qualidade de vida e está se mantendo no mesmo nível que usufruía antes da crise econômica por que passamos. É por isso que o ramo dos artigos de luxo não é tão afetado”.
DM–Houve retração no mercado de carros de luxo?
“No mercado dos carros de luxo as vendas não diminuíram porque as sazonalidades econômicas de um país da extensão territorial do Brasil fazem com que as diferenças regionais permitam que haja diferentes fontes de renda, em diferentes épocas do ano. No Sudeste, impera o faturamento industrial. No Centro-Oeste, o faturamento agroindustrial, de modo que um país de dimensões continentais como o Brasil é capaz de produzir bens e serviços o ano todo, e assim gerar riquezas”.
DM–O mercado de carros populares apresenta queda nas vendas. Poderia fazer essa análise?
“O mercado de carros populares está em crise porque o carro popular é um produto essencial para o consumidor da classe média e baixa. Como esse consumidor diminuiu sua receita, ele não pode mais se endividar, o que não permite que ele faça um parcelamento a longo prazo. Por isso as indústrias não estão produzindo: por falta de pedidos.
Ao contrário, o consumidor do carro de luxo teve suas receitas afetadas mas não totalmente comprometidas. Então ele está apto a adquirir este tipo de produto”.
DM–O mercado de carros de luxo foi afetado pela crise?
“Não. Em nenhum momento o mercado dos carros de luxo foi afetado. Ele se manteve sempre estável”.
DM–Como é o consumidor de carros de luxo?
“O consumidor para esse nicho comercial é muito exigente, por isso, a qualidade do produto é primordial. O atendimento tem que ser diferenciado e o pós-venda sustentado. Aqui tudo o que fazemos é dar ao cliente a exclusividade que ele procura para aquisição deste produto tão específico”.
DM–Qual a média do preço dos carros praticados nesta empresa?
“A média dos valores dos carros que trabalhamos é de R$ 200 mil acima. Estão entre o nossos produtos carros da Ferrari, Lamborghini, Porshe, Audi, Mercedes-benz, Maserati e BMW, que tem como característica marcante a esportividade. Todos eles têm um motor potente, dirigibilidade esportiva e design exclusivo. São produtos primorosos, de acabamento sofisticado e criados para uma classe que exige requinte”.
(Silvana Marta de Paula Silva, advogada e escritora)



