Brasil

O Natal e Chico

Redação DM

Publicado em 13 de dezembro de 2016 às 01:24 | Atualizado há 10 anos

Nos últimos dias, muitos amigos nos pediram a publicação de mensagem de Francisco Cândido Xavier sobre o Natal. Ora, Emmanuel, Maria Dolores, Meimei, Carmem Cirina, Vinicius e dezenas de outros espíritos de muita luz usaram a maior antena psíquica do século passado para, deslumbrados, em prosa e verso, falar sobre o maior acontecimento de toda a história da humanidade.

Enquanto o vigor físico lhe permitiu, durante muitos anos, todo dezembro Chico tinha encontro marcado com os internos da Colônia Santa Marta, em Goiânia. Reunia, durante 12 meses, mesmo sendo reconhecidamente muito pobres os seus recursos, presentes para, milionário de alegria, lhes oferecer em comemoração ao aniversário de Jesus.

Na noite de 18/12/1984, após mais uma festa genuinamente cristã com as famílias dos hansenianos, ele participou de uma reunião pública no Centro Espírita Jesus Gonçalves, na Vila São Francisco, Colônia Santa Marta. Chico não perdia uma única oportunidade de consolar os aflitos e psicografou lá este “Recado de Natal”, cujo autor não se identificou.

“Um  recado de servidor a cada coração amigo, ante o Natal de Jesus.

Nunca te deixes vencer pelo desânimo. Acende a luz da fé no próprio íntimo e segue adiante, trabalhando e servindo.

Diante das dificuldades que te desafiem, recorda aquelas outras que te figuravam inarredáveis e que superaste, sem conhecer as forças que te sustentaram nos transes amargos.

Considerando as crises que provavelmente surjam à frente de teus passos, rememora os perigos que te ameaçaram e dos quais te descartaste, ignorando de que modo conseguiste preservar a própria vida.

Suportando inquietações que se te agigantem aos olhos, no cotidiano, lembra-te das aflições que passaste perante os sofrimentos de pessoas que se te fazem especialmente queridas, atiradas ao desequilíbrio e que regressaram à tranqüilidade, socorridas por energias que desconheces.

Se a provação te visita, asserena-te no amparo da fé e aguarda o auxílio imponderável da Espiritualidade Maior, que nem sempre registras. Em qualquer tribulação, deixa que os teus sentimentos se acalmem e espera a intervenção da Providência Divina.

Não temas e serve sempre. Os Mensageiros do Bem jamais nos abandonam. Ainda mesmo nos dias em que a enfermidade do corpo te desajuste o campo orgânico, não te amedrontes e conta com o amor da vida espiritual, que jamais desfalece.

Seja qual seja a prova ou a dor em que te vejas, serve e confia-te a Jesus, porque Jesus é a presença da bondade infinita de Deus, diante da qual não existe o impossível”.

Outra saudação festiva de Chico que ficaria bem nesta oportunidade  tem como assinante o espírito Vinicius e explica como entender o Natal:

“Jesus nasceu em Belém há cerca de vinte séculos. Mas esse nascimento, como tudo o mais que com ele se relaciona, reveste-se de perpetuidade. O Natal do Mestre é um fato que se repete todos os dias. Foi de ontem, é de hoje, será de amanhã. Os que ainda não sentiram em seu íntimo a influência do espírito do Cristo ignoram, em verdade, que ele nasceu. Só sabemos das coisas de Jesus por experiência própria. Só após ele haver nascido em nosso coração é que chegaremos a entendê-lo, nos seus ensinos e no que respeita à sua missão neste orbe”.

Por falar em Natal, Chico e seu inseparável instrutor Emanuel contam que rezam as tradições do mundo espiritual que, na direção de todos os fenômenos do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.

Essa narrativa maravilhosa está no livro A Caminho da Luz, editado pela Federação Espírita Brasileira em 1938, detalhando que a ordem de seres evangélicos e perfeitos, da qual Jesus é um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, na região da Terra, para solução dos problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes, no curso dos milênios conhecidos.

A primeira verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição do planeta. A segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção. Quer dizer: a Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo esteve aqui para assistir e se rejubilar com o primeiro Natal, com o nascimento de Jesus entre os homens. Porque “tudo foi feito por ele e, nada do que tem sido feito foi feito sem ele” (João, 1; 3).

 

(Jávier Godinho, jornalista)

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