Cotidiano

Uma polícia de resultados

Redação DM

Publicado em 30 de novembro de 2016 às 00:27 | Atualizado há 2 anos

As ações da Polícia Militar em Goiânia fizeram a diferença no combate à criminalidade, principalmente contra marginais de maior periculosidade, como assaltantes de bancos. Esse tipo de ocorrência se tornou mais recorrente pela banalização dos recursos para os bandidos e pelo expressivo volume de dinheiro que conseguem amealhar em cada incursão deles  a instituições bancárias.

“Hoje se tornou relativamente fácil roubar dinheiro de bancos, principalmente usando explosivos para detonar caixas eletrônicos. Além de ser uma ação rápida e eficiente, eles sabem que poderão conseguir uma quantia de dinheiro considerável”, explica o comandante da Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas), tenente-coronel Castilho. Essa unidade de elite da PM é a primeira a ser requisitada para agir quando a ocorrência é de ação violenta, como roubos e explosões a caixas eletrônicos.

Sob o comando de Castilho, a Rotam e outras forças de segurança estabeleceram um protocolo intitulado Pacto Interestadual de Segurança Integrada para poder agir com mais celeridade, segurança e eficiência contra quadrilhas que agem com esse nível de violência. O oficial explica que o objetivo é pactuar uma troca de experiências e coordenar ações conjuntas visando o sucesso nas operações. Forças distintas no mesmo Estado ou em Unidades da Federação distintas compartilham informações e táticas operacionais para potencializar as ações com o objetivo comum de combater a criminalidade.

Recentemente o serviço de inteligência da Rotam aplicou com singular eficiência essa prática. Um grupo de marginais de Goiânia conseguiu aplicar com sucesso um assalto a uma agência do Bradesco em plena Avenida Anhanguera, uma das mais movimentadas da Capital. A agência, que fica na Praça da Bíblia, foi alvo de uma modalidade apelidada pelos policiais de “no sapatinho”, que se notabiliza pela calma e precisão dos bandidos para executar o plano. Eles monitoraram a agência e funcionários, principalmente os com cargo de decisão, como gerente e tesoureiro.

No dia marcado para efetuar o assalto eles chegaram à porta do banco logo cedo e assim que o gerente chegou foi rendido pelos marginais, que renderam também os seguranças da agência bancária. Outros funcionários que iam chegando também foram rendidos à medida que adentravam ao prédio. Bastou esperar o horário bancário iniciar para o cofre ser destravado. Demais usuários e clientes do banco sequer desconfiavam que ali estava ocorrendo um assalto. Os bandidos eram bem vestidos, falavam de maneira articulada e com certa polidez e não despertaram nenhuma suspeita em quem os via na agência. Foi só esperar para colocar a mão no dinheiro e fugir carregando sacolas recheadas de numerário que seria utilizado na pândega do grupo. O banco informou que foi levada a quantia de R$ 500 mil.

 Eficiência

O serviço comandado por Castilho descobriu em tempo recorde que o grupo já havia empreendido fuga e estava em Formosa, Entorno de Brasília, se preparando para ir para Porto Seguro gastar o butim do assalto. “Nossas equipes prepararam o terreno para agir na rota de fuga, buscando ajuda da Polícia Civil de Goiás e da Polícia Militar da Bahia. Os marginais foram interceptados em Bom Jesus da Lapa, presos com uma parte do dinheiro roubado e um carro Hyundai IX35, que eles haviam comprado com o produto do roubo. Uma ação rápida, eficiente e limpa”, conta o comandante.

O grande problema que Castilho relata na relação com quem não compõe o serviço de segurança é que protocolos importantes na prevenção de crimes mais violentos são ignorados e poderiam dificultar mais a ação dos bandidos. “Um desses protocolos é a rapidez em informar o andamento de assaltos e explosões em tempo mais célere para podermos agir”, explica.

Sua posição é referendada por um dos oficiais que servem sob seu comando. O tenente Brayan, um jovem oficial que sofreu para conseguir o brevê de integrante da tropa de elite da Rotam, sofreu na pele recentemente a dificuldade em agir com rapidez após a polícia ser informada do andamento da ação criminosa. O tenente comandava o serviço na Região de Aparecida de Goiânia no dia em que um grupo achou de explodir um caixa eletrônico na Avenida Rio Verde. Após serem solicitados a apoiar o trabalho das viaturas da área, os policiais da Rotam chegaram à região e passaram a buscar pelos criminosos nas residências.

Um deles invadiu uma casa e fez a família refém, mantendo todos sob a mira da arma. Ao perceberem uma movimentação incomum, os policiais adentraram o imóvel, mas o bandido fugiu pulando o muro e se escondeu em um terreno abandonado. Seu último e fatal erro foi atirar contra os policiais, que revidaram e o acertaram de forma mortal, não deixando espaço para a continuidade do crime por aquele indivíduo. Outro marginal também foi interceptado quando tentava fugir e incorreu na insanidade de trocar tiros com policiais com maior precisão na mira do que ele. Resultado: morto. No veículo que eles abandonaram ao fugir os policiais encontraram munição, arma, drogas e explosivos que seriam utilizados para detonar os caixas eletrônicos.

Ajuda

O tenente-coronel Ricardo Rocha, titular do Comando do Policiamento da Capital, endossa o reclame dos outros oficiais e diz que os bancos poderiam fazer mais para coibir esse tipo de ação. “Por exemplo, o serviço de monitoramento não tem uma central em Goiânia para avisar a polícia e quando ficamos sabendo o assalto ou a explosão já estão acontecendo. O ideal é que fôssemos informados imediatamente que indivíduos estão em atitude que denota atos preparatórios para a execução de um crime. Se isso fosse feito o decurso de tempo entre a notícia e a intervenção policial seria substancialmente diminuída e nossa taxa de sucesso seriam muito maior”, explica.

Outra medida que ajudaria sobremaneira a atividade policia ostensiva seria a colocação de câmeras de monitoramento e segurança do lado de fora das agências bancárias para identificar veículos e pessoas que possam atuar em conjunto com os bandidos que vão para a linha de frente das ações criminosas. Os bancos pararam de usar o mecanismo de colocar dispositivos que sujam de tinta as cédulas sempre que o caixa for violado com o uso de explosivos ou outro meio de força, como maçarico ou pé-de-cabra. O comandante garante que isso inibiria de forma considerável as ações dos bandidos, porque um dinheiro sujo não serve para nada.

“O que mais nos causa revolta é ver que jovens estão se iniciando cada vez mais cedo na vida do crime e não são feitas medidas saneadoras para impedir isto. É triste, mas a sociedade corre um sério risco de perder a guerra para o crime”, lamenta.

Ricardo Rocha considera que os jovens estão banalizando o crime e cometendo cada vez mais ações ousadas e mais violentas como explosões a caixas eletrônicos. “Eram garotos que praticavam roubos de carros e descobriram o viés de roubo a bancos e explodir caixas eletrônicos para ganhar mais e sustentar sua vida criminosa”, resume.

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