Brasil

Educar integralmente

Redação DM

Publicado em 27 de novembro de 2016 às 00:50 | Atualizado há 10 anos

Educar integralmente o ser humano é uma tarefa ampla, complexa e muito desafiadora. Requer profundos investimentos em uma sólida formação que contemple não apenas a esfera acadêmica e intelectual, mas, dedique especial cuidado ao desenvolvimento do caráter e da personalidade, aspectos que guiarão as ações e as escolhas do indivíduo ao longo da vida.

Um dos maiores desafios da educação, de nossos dias, é estabelecer limites de forma dialógica para crianças e adolescentes. Essa árdua tarefa enfrentada por pais e educadores, deve ser concebida para além da mera enunciação de regras impostas irrefletidamente, necessitando ser concebida como uma construção baseada no diálogo que expressa o desejo de proteger, de oferecer segurança e a demonstração de um amor incondicional. Esta tarefa, demanda para o adulto um grande esforço, uma postura de firmeza e de segurança em limites bem colocados, pois, a todo o momento, serão testados com manobras que vão do franco desafio à sedução.

Ao contrário do que comumente se pensa, a criança não nasce dotada de discernimentos morais e limites. O início de sua vida é marcado pela impulsividade e agressividade, cabendo aos adultos, pouco a pouco, estimular o desenvolvimento da capacidade de controlar impulsos, resistir às tentações e internalizar limites. Para as crianças, essas regras são percebidas como demonstrações de afeto e propiciam segurança para seu desenvolvimento. Ao estabelecer limites claros e coerentes, os pais estão dizendo à criança que a amam muito para permitir que ela se comporte de maneira incongruente.

O exercício de ensinar limites, longe de ser um aprendizado fácil e gratuito, depende de grande esforço, paciência, sabedoria e de uma descomunal persistência. Segundo Içami Tiba, a chave mestra de todo esse processo “é a construção da autoestima, impulsionada por meio do carinho oferecido à criança por parte de pais, educadores e pessoas mais próximas que lhe dão a sensação de que ser amada e cuidada”. É necessário, dessa forma, criar uma atmosfera de confiança, de aceitação, de compreensão e respeito.

A partir de um bom nível de autoestima, a criança e o adolescente se tornarão capazes de desenvolver a autodisciplina e o comportamento responsável no enfrentamento das obrigações e desafios da vida. Dessa forma, recorrerá à sua autoestima e equilíbrio interno para lidar com as frustrações decorrentes da imposição de limites e do cerceamento dos desejos e impulsos.

Entretanto, há que se ressaltar, que limite e diálogo são ações indissociáveis e, não conciliáveis com castigos severos e opressivos. Os limites são “linhas demarcatórias” que situam o que é ou não permitido conforme a situação social e os sujeitos.

Ensinar limites é amar corajosamente a criança e o adolescente, comprometendo-se em oferecer-lhes subsídios para que cresçam compreendendo que o mundo, tem seus próprios limites.

Saber estabelecer limites é importantíssimo para boa formação do caráter de uma criança e é um dos papéis mais importantes de pais e educadores.. Seguramente, a convergência de esforços em prol da educação de nossas crianças contribuirá para a formação de cidadãos e cidadãs verdadeiramente humanizados.

Se a família, também responsável pela educação de seus filhos(as), necessita de leis que a faça sentir-se mais segura, inocente ou culpada na criação de seus filhos e filhas, que sejam leis que estabeleçam os compromissos assumidos no respeito e no amor.

Compromissos de parceria com as escolas, Igrejas e demais organizações que conjuntamente tornam-se responsáveis pela formação integral do ser humano, devem sempre existir. E, nesses espaços deve estar presentes o ensino da ética, moral e dos princípios. Saber educar, é sem sombra de dúvida, ensinar com exemplos, participação, ações, limites e muito envolvimento..

A educação precisa de exemplos de todos nós, família, governantes, gestores entre outros. Acreditamos que educar é transformar vidas através do conhecimento, carinho, compromisso e dedicação.

 

(Marcia Carvalho, pedagoga, psicopedagoga, mestra em Sociedade, Políticas Públicas e Meio Ambiente, diretora secretária da Fundação Ulysses Guimarães-GO)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia