Política

Lêda se diz vítima de perseguição

Redação DM

Publicado em 24 de novembro de 2016 às 00:49 | Atualizado há 10 anos

A deputada estadual Lêda Borges, que é secretária de Estado, disse ao Diário da Manhã que está sendo vítima de perseguição política. Ela mal acaba se ser absolvida de uma acusação de improbidade administrativa e já enfrenta outra denúncia do Ministério Público.

Falando por telefone ao Diário da Manhã, Lêda, mostrando profunda indignação, afirmou que falará mais detalhadamente sobre a denúncia do Ministério Público. Ela vai demonstrar que é inocente. No momento do telefonema, Lêda estava em meio a um evento relacionado à sua pasta, em Palmeiras. Até o final desta semana, ela terá uma agenda lotada no interior. Mas, assim que retornar a Goiânia, garantiu ela, irá aos jornais rechaçar a investida do Ministério Público.

A denúncia, que ainda não foi recebida pelo juiz a quem será distribuída, foi protocolada ontem. Logo em seguida ao ajuizamento da ação penal, o departamento de comunicação social do MP-GO, através de nota à imprensa assinada pelo assessor Ricardo Santana, informou que a deputada foi denunciada por “corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.

Não foi divulgado o inteiro teor da peça de denúncia. Também não foi informado se houve investigação policial. Informa o assessor que certo Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado, repartição do MP-GO, investigou Lêda Borges e teria apurado o seguinte: diz o assessor do MP-GO que Lêda, quando prefeita de Valparaíso, recebeu propina de empresários do ramo imobiliário para aprovar um loteamento. O dinheiro, 350 mil reais, teria sido repassado na forma de doação para campanha eleitoral.

Os elementos em que se baseia o MP para denunciar Lêda foram repassados pela Polícia Federal de Minas Gerais, que, por meio da chamada “operação metástase”, vinha investigando os empresários. Eles tiveram suas conversas telefônicas interceptadas e gravadas. Dessas conversas, cujo teor não foi divulgado, inferiram os investigadores da MP que a prefeita Lêda recebeu “vantagem indevida” para aprovar o dito loteamento.

Embora não esteja dito no texto distribuído, depreende-se que Lêda nem ao menos era alvo da investigação. Não há referência a qualquer conversa dela ao telefone. Não há evidências de que Lêda tenha exigido vantagem econômica indevida, o que não impediu os denunciantes de, por ilação, concluir das conversas dos empresários grampeados que foi o que tinha acontecido.

Também não está esclarecido se Lêda foi denunciada apenas por corrupção ou se foi, também, denunciada por lavagem de dinheiro. Também não indica a fonte ministerial se o dinheiro doado à campanha de Lêda teve origem ilícita.

Na impossibilidade de dar entrevista ainda ontem sobre o assunto, a deputada emitiu nota por meio de sua assessoria de imprensa. Eis o teor da nota: “A deputada estadual Lêda Borges, à vista da notícia divulgada no sítio do Ministério Público Estadual sobre a denúncia criminal ajuizada no Tribunal de Justiça de Goiás, vem a público dizer que respeita a instituição ministerial, contudo, na confiança que deposita na Justiça, tudo será esclarecido no devido tempo, podendo afirmar, de plano, inexistir a prática de qualquer ilicitude, mesmo porque objetiva clara e transparente a doação de recursos para a sua campanha eletiva no ano de 2012 na forma legal, como de resto declarada junto à Justiça Eleitoral e, com a consequente aprovação da prestação de contas. Sobre a sua conduta na aprovação de empreendimento imobiliário, não houve interferência pessoal ou de caráter subjetivo, transcorrendo o trâmite do processo no rigor da legislação e com a devida transparência denotada pelos órgãos internos da prefeitura”.

 

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