Política

Pressão da base, poder e salário influenciam Araújo

Redação DM

Publicado em 23 de novembro de 2016 às 00:44 | Atualizado há 10 anos

A possibilidade do vice-prefeito eleito de Goiânia, Major Araújo, de renunciar ao cargo, em 1º de janeiro, para permanecer no exercício do mandato de deputado estadual surpreendeu o prefeito eleito Iris Rezende e as direções estaduais e metropolitanas do PMDB e do PRP. Major Araújo alega que vem sofrendo pressão de sua base política, formada, principalmente, por policiais militares e servidores públicos, a permanecer na Assembleia Legislativa.

Além da pressão da base política, dois outros fatores pesam em favor de Major Araújo preservar o mandato de deputado estadual: a falta de influência (poder) na futura administração de Iris Rezende, já que não será convidado para ocupar secretaria ou outro cargo relevante, e também o aspecto salarial. O vice-prefeito de Goiânia receberá R$ 12 mil mensais, enquanto que, como deputado estadual, percebe R$ 25,3 mil mensais, fora a verba indenizatória de R$ 25.254 também mensal.

Major Araújo acredita que, como vice-prefeito, não teria as condições políticas necessárias para defender os interesses dos policiais militares e servidores públicos em geral. “Todo mundo sabe que sou oposição dura ao governo Marconi. Na Assembleia Legislativa, sou uma vez em defesa dos interesses dos servidores públicos, principalmente dos policiais militares, civis e Corpo de Bombeiros”.

Logo após o encerramento do segundo turno, o deputado Major Araújo mandou um recado ao prefeito eleito Iris Rezende: não gostaria de ser um vice-prefeito decorativo, sinalizando intenção de ocupar alguma secretaria. Mas, pelo menos até agora, Iris não tem sinalizado, nas conversas com interlocutores, intenção de convidar Major Araújo para ocupar cargo na sua equipe de auxiliares.

O deputado Major Araújo pretende encontrar-se com Iris Rezende, nos próximos dias, para tratar desta questão de assumir ou não o cargo de vice-prefeito de Goiânia. “Vou estar com Iris, expor as razões, analisar a situação. Qualquer que for a minha decisão, estou certo que o prefeito vai entender a situação”.

O prefeito eleito Iris Rezende não quis se manifestar sobre a possibilidade de Major Araújo não ser empossado como vice-prefeito de Goiânia, segundo informou sua assessoria. No PMDB, houve surpresa sobre o gesto de Major Araújo, mas não, necessariamente, preocupação. “Não ouvi dele qualquer explicação sobre a possibilidade de não assumir o cargo de vice-prefeito. Vamos conversar com ele e depois nos manifestaremos”, frisou o deputado estadual Bruno Peixoto, presidente do PMDB Metropolitano.

Para o vice-prefeito Agenor Mariano, seja qual for a decisão de Major Araújo, trata-se de uma opção de foro pessoal. “Nós do PMDB, enquanto partido, não temos autoridade, nem sequer para comentar. Major é um homem respeitado no mandato de deputado estadual e seria um grande vice-prefeito, se está dizendo isso deve ter seus motivos.”

O presidente do PRP de Goiás, Jorcelino Braga, um dos responsáveis pela indicação de Major Araújo para a candidatura de vice-prefeito, na chapa de Iris Rezende, disse que não foi ainda procurado pelo parlamentar para conhecer as razões de sua posição. “Major Araújo não conversou comigo, não em deu nenhum telefonema e, por isso, o partido desconhece essa situação”.

 

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