“Saio da prefeitura mais pobre do que quando entrei”
Redação DM
Publicado em 15 de novembro de 2016 às 00:48 | Atualizado há 10 anosPaulo Garcia (PT) afirmou que deixa a Prefeitura de Goiânia, em 1º de janeiro, mais pobre do que quando entrou, em março de 2010, em substituição a Iris Rezende, que renunciou ao cargo para concorrer ao governo de Goiás.
Paulo Garcia justificou que, caso tivesse permanecido no exercício da Medicina, como neurocirurgião, teria aferido melhores resultados financeiros do que o salário de prefeito. “Temos um dos menores salários de prefeito de capital do País.”
O petista lembrou que, em Goiás, existem prefeituras com menor população, onde a remuneração do prefeito é maior do que a de Goiânia. “Apesar disso, posso dizer que fui um grande gestor e a história fará jus. Fiz mais que qualquer administrador que me antecedeu”.
O petista declarou que vai entregar a administração de Goiânia ao seu sucessor “extremamente melhor, mais preparada, mais moderna daquela que recebi”.
O prefeito disse que deixará o cargo com a “consciência do dever cumprido”, sempre pautado na “boa e honesta conduta administrativa”.
Sobre a baixa aprovação de seu governo, Paulo Garcia atribuiu não aos atos administrativos praticados por quase seis anos de gestão, mas à conjuntura econômica e à crise política vivida pelo País nos últimos anos. “Uma conturbação política que só me lembro ter visto em períodos pós-revolução, pré-ditadura.”
Ele sustentou que o país vivencia um “verdadeiro desencanto” da sociedade com os gestores públicos, com os partidos e com os políticos em geral. “É um momento atípico e que levou a população, de um modo geral, a reprovar o atual modelo político exercitado no País.”
Paulo Garcia se nega a revelar o voto para prefeito de Goiânia no segundo turno. “No primeiro turno, votei com satisfação em Adriana Accorsi. No segundo turno, havia dois candidatos (Iris Rezende e Vanderlan Cardoso) que foram adversários do nosso projeto na cidade, mas fiz uma escolha que acredito que seria melhor para Goiânia.”
O prefeito petista ressaltou que houve um “massacre”, por parte da mídia, contra as forças político-partidárias de esquerda, culminado com o “golpe parlamentar” do Congresso Nacional com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Esse ambiente afetou o PT e os demais partidos de esquerda, levando-os ao insucesso eleitoral País afora.”
Paulo Garcia é de opinião que Adriana Accorsi, candidata do PT à Prefeitura de Goiânia, foi vítima do “conjunto adverso” que ocorreu no País contra as forças de esquerda. “Não há dúvida que o PT hoje é uma sigla maculada injustamente no País.”
Ele acredita que, no futuro, a população brasileira saberá compreender toda a obra que o PT construiu, ao longo dos anos, pela igualdade social, com criação de milhares de empregos, na busca de habitação popular e na defesa da classe trabalhadora. “A história fará justiça ao PT, porque sempre reconheceu aqueles que trabalham de forma correta”.
Futuro político
Lembrado para disputar mandato à Câmara Federal, em 2018, o prefeito Paulo Garcia disse estar preparado para permanecer na militância política, notadamente no PT. “Fazer projeções, ilações, tentativas de premonições, principalmente na vida pública, é muito complexo, porque o dia de amanhã ninguém sabe exatamente como será.”
Paulo Garcia frisou que, ao longo de sua vida política, sempre esteve no mesmo lugar, ou seja, no PT. “Nunca mudei de partido, de comportamento, sempre trabalhei com transparência, idoneidade, seriedade”.
Transição de poder
O prefeito Paulo Garcia disse que pretende realizar uma transição de poder “tranquila e civilizada” ao seu sucessor, Iris Rezende (PMDB). Ele lembrou que as duas comissões de transição estão formadas e vão começar, esta semana, a trabalhar, com o fornecimento de dados, números e informações que se fizerem necessários, dentro do prazo estabelecido pelo TCM. O petista reafirmou sua intenção de colaborar, naquilo que for possível, à futura administração de Goiânia. “Sou uma pessoa civilizada. Quero colaborar. O que depender de mim, será feito.”