Cotidiano

Adeus a Luiz Rassi

Redação DM

Publicado em 13 de novembro de 2016 às 01:05 | Atualizado há 2 anos

Faleceu no final da tarde de sábado em Goiânia o médico cirurgião Luiz Rassi. Nascido aos 5 de abril de 1920, dedicou toda sua vida à Medicina, tornando-se pessoa profundamente estimada na sociedade goiana. Juntamente com seu irmão Alberto Rassi, construiu um grande hospital na Avenida Anhanguera, onde atualmente funciona o Hospital Geral de Goiânia. Apesar disso, ainda hoje o prédio é popularmente conhecido como “Hospital Rassi”. Foi fundador do Hospital São Salvador, casa de saúde tradicional de Goiânia.

Luiz Rassi teve cinco filhos, deixando apenas três vivos: Mônica Rassi, Magda Moura Rassi e Ligia Moura Rassi. Foi casado por muitos anos com Lygia Rassi, que faleceu em 2005. Um dos filhos falecidos, Luiz Rassi Jr., era também médico cardiologista. Seu outro filho era Pedro Moura Rassi.

O médico estava internado no Hospital Anis Rassi. No final da tarde de sábado sofreu uma parada cardíaca. Segundo sua filha Mônica Rassi, falando ao Diário da Manhã poucos instantes depois do falecimento do pai, o corpo seria velado na capela da Igreja Ortodoxa São Nicolau, à Avenida República do Líbano, próximo ao Hospital São Salvador. O sepultamento estava previsto para o Cemitério Santana.

A vida e obra

Filho de imigrantes libaneses, Luiz Rassi nasceu em 5 de abril de 1920, em Union de Reyes, Província de Matanzas, Cuba. A família decidiu vir para o Brasil quando ele tinha quatro anos. Vieram para Goiás por ter aqui familiares próximos trabalhando no comércio. Todos na região da estrada de ferro de Goiás. Seus pais, Abrão e Mariana Rassi, contavam já com uma prole de seis filhos: Jamil (Leonardo), Alberto, Salvador, Glória, Luiz e Aurora, a caçula com dois anos de idade.

O navio que trouxe a família aportou no Rio de Janeiro, em maio de 1924.

Partiram de trem, do Rio de Janeiro para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde viviam familiares de Mariana Rassi, emigrados do Líbano. A seguir, prosseguiram viagem por trem até Araguari e dali até o vilarejo nascente de Tapiocanga (hoje inexistente), ponto final da estrada de ferro, onde um familiar vivia e trabalhava no comércio atacadista. A família permaneceu inicialmente por quase um ano em Anápolis, trabalhando num pequeno armazém de secos e molhados, amparados pelo seu tio Cecílio. Finalmente, se fixaram na pequena cidade de Vianópolis de 1926 até 1942.

Luiz Rassi fez o curso primário no único Grupo Escolar de Vianópolis. Terminado o curso primário, Luiz teve que permanecer durante dois anos na cidade, sem poder prosseguir nos estudos, devido às dificuldades financeiras de seu pai. Apenas no início de 1935 Luiz foi mandado para o internato do Ginásio de Ipameri, lá cursando as duas primeiras séries do ginásio. Nesse meio tempo, a pequena loja de Abrão Rassi começou a dar sinais de progresso e, em fevereiro de 1937, Luiz pôde ser transferido para São Paulo a fim de completar sua formação. Finalmente em 1939 concluiu o quinto e último ano ginasial no Lyceu Rio Branco.

A Medicina

No início de 1940, Luiz seguiu para o Rio de Janeiro, onde se inscreveu no antigo Colégio Universitário, para cursar os dois anos obrigatórios complementares do pré-médico. Foi morar com seu irmão Alberto, que já fazia o último ano de Medicina. Findo o ano de 1941, Luiz concluiu o pré-médico para seguir prestando os exames do vestibular a fim de ingressar na Faculdade Nacional de Medicina, da Praia Vermelha. Em 1942 logrou passar na primeira leva de estudantes, na tão almejada e a mais conceituada Escola de Medicina do Brasil.

Absolutamente realizado por esta árdua conquista, Luiz já escolhera sua preferência na área de ação dentro da Medicina. Desta forma, assim que concluiu o primeiro ano do curso, dirigiu-se à Santa Casa de Misericórdia, na décima-segunda enfermaria de Cirurgia Geral, chefiada pelo professor Pedro Moura, a quem se apresentou pedindo-lhe para ser interno do seu serviço.

Naquele serviço, o estudante aceito começava no 2º ano do curso. Pedro Moura era professor adjunto de Cirurgia da Faculdade Nacional de Medicina, reconhecido por toda a comunidade estudantil do Rio de Janeiro e pelos seus colegas como um profissional do mais elevado conceito, sério e justo, porém rígido e intransigente no regime de trabalho.

Luiz inicia sua vida estudantil como interno de um serviço médico já no segundo ano de Medicina, que começou no primeiro dia de janeiro de 1943 e teve seu término em 31 de dezembro de 1947. Nova era tem início para o jovem Luiz Rassi, que, como todos os internos do professor Pedro Moura, levou consigo as sábias palavras daquele inesquecível mestre: “Vocês saem do serviço já dominando o ABC da cirurgia, o restante compete a cada um desenvolver.”

Fazendo história

No dia 8 de abril de 1948, retornou em definitivo para Goiânia, uma vez que sua família desde 1942 havia trocado a pequena Vianópolis por aquele novo centro que começava a desabrochar.

Tão logo chegou, foi imediatamente trabalhar na Casa de Saúde Dr. Rassi, localizada na Av. 24 de Outubro nº 144, de propriedade de seu irmão Alberto, em sociedade com o colega Mário da Costa Galvão, que pouco tempo depois voltaria para São Paulo, sua terra natal. Devido ao movimento intenso de pacientes, se viram obrigados a ampliar a área física da Casa de Saúde Dr. Rassi. A partir de 1950, Alberto e Luiz começaram a planejar a construção do Hospital Rassi, um hospital modelar, considerando que muito em breve seriam em número de cinco irmãos médicos e o cunhado Nacim, que iriam trabalhar no mesmo hospital.

Em meados de dezembro de 1956, quando Luiz tentava, no Rio de Janeiro, conseguir um financiamento para a conclusão das obras do Hospital Rassi, sob sua garantia hipotecária, foi convidado pelo antigo presidente do Iapi (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Insdustriários), para dar assistência médica e hospitalar aos primeiros trabalhadores da construção civil de Brasília, tendo como apoio a Casa de Saúde Dr. Rassi, de sua propriedade.

Sob essa condição, Luiz teria garantido pelo presidente o empréstimo solicitado. A assistência foi prestada a partir de dezembro de 1956 através de inúmeras pontes aéreas entre Brasília e Goiânia.

Em meados de 1957, construiram em Brasília, em tempo recorde, um hospital todo em madeira – Hospital JK, de Brasília – a fim de oferecer uma assistência mais consentânea com as necessidades dos operários e trabalhadores da construção da nova capital.

Luiz Rassi foi nomeado o primeiro diretor, tendo já realizado duas cirurgias (megaesôfago chagásico e bócio endêmico), marcando então a inauguração daquele centro cirúrgico. Permaneceu na direção até o final de fevereiro de 1958, quando pediu demissão uma vez que o empréstimo lhe foi negado, com o descumprimento do compromisso assumido pela então presidência do Iapi.

A Casa de Saúde Dr. Rassi funcionou até fins de 1959, quando finalmente o Hospital Rassi foi inaugurado, pela metade. Enquanto isso tentavam outras formas de empréstimo, que resultaram em negativas. Essa foi a razão que levou os irmãos Rassi a aceitar a proposta de compra feita pelo então IAPC (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários), cuja efetivação ocorreu no início de março de 1964, pouco antes da revolução militar. Hoje é hospital público denominado Hospital Alberto Rassi, homenagem ao seu irmão quando no governo de Maguito Vilela.

Após a alienação do Hospital Rassi, os irmãos se dedicaram a construir o Hospital São Salvador (que hoje em dia já não está mais em funcionamento), também no Setor Oeste, cujo nome foi escolhido em homenagem ao irmão Salvador, falecido em Vianópolis em outubro de 1934.

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