O charme do banal
Redação DM
Publicado em 8 de novembro de 2016 às 01:22 | Atualizado há 2 anosMaria Abadia Fleury é designer, mora em Goiânia e encontra seu espaço no mundo das artes, livros e toda espécie de belezas e belezuras. A designer constrói seu trabalho no viés do prazer estético e sustentabilidade. Uma das linhas de seus trabalhos é o denominado Rethink, que significa reinventar o olhar sobre o mundo dos objetos existentes. Ou seja: tentar encontrar a beleza (em outra palavras, enigmas) contida nos objetos considerados banais que nos cercam.
A coleção de peças desenvolvidas por Maria Fleury consiste em objetos feitos com plástico bolha, sacos para papel fotográfico, jornal, sacos de lixo, embalagens de frutas, páginas de revista, sacolas de supermercado, sacolas de embalagens, páginas de revistas e cartões de visita.
Em seu site, dedicado ao design, ela conta como surgiu a ideia de desenvolver as peças que renderam mais de uma exposição pela cidade, em locais como a biblioteca da Universidade Federal de Goiás, onde as primeiras peças foram levadas ao público e a Vila Cultural Cora Coralina, onde a coleção já havia se expandido. No site ela conta: “A ideia surgiu a partir de uma instalação feita na Galeria Desmatéria, na Morarmais de 2014, chamada A Senhora Fuji e as Cerejeiras em Flor. Abri a exposição num estúdio fotográfico e resolvi fazer mais alguns vestidos e expô-los novamente (nas bibliotecas da UFG), encerrando o ciclo (com mais vestidos) com a exposição no Cora Coralina”.
Baseada num conceito do designer tunisiano Tom Dixon, a proposta é mostrar que o belo pode ser enxergado em coisas e materiais que fazem parte do cotidiano e que costumam passar despercebidos ao olhar alheio. Há alguns anos, a designer se dedica a criar móveis e objetos a partir do reúso de materiais, por entender que o reaproveitamento é uma necessidade do mundo atual e que é possível aliar design e sustentabilidade, com ousadia e originalidade.
Confira a entrevista:

DM: Fale sobre o conceito que você utiliza em suas criações. Qual a inspiração na criação das peças?
O conceito sempre é beleza e sustentabilidade. A inspiração surge a partir de materiais que vejo por aí ou que são descartados, nos quais percebo um potencial de transformação.
DM: Quais são os principais materiais que você usa na confecção? Quais os objetos que você cria?
Não há um material predominante. Os materiais vão desde rodas de bicicleta a tambores de máquinas de lavar, passando por garrafas, filtros de carro, tampas de ventilador, papel, sacolas. Assim, já criei um revisteiro com roda de bicicleta, luminárias, espelhos, fruteiras. Já criei também uma instalação na Casa Cor de 2014 (em lustres do Tom Dixon) utilizando fios de cobre encontrados num ferro velho.
DM: Como você entrou em contato com o trabalho do designer Tom Dixon e qual a sua leitura das criações dele?
Como tenho um blog de decoração mariliafleury.com e também já escrevi em revistas locais de decoração, estou sempre lendo a respeito do assunto. Tom Dixon está sempre presente em mostras como a Maison&Objet e nas mais importantes publicações sobre design. Adoro o fato de ele criar a partir do material e de ousar no uso de materiais que não são habitualmente usados, aliando isso à alta tecnologia.
DM: O seu trabalho é voltado para uma preocupação com sustentabilidade?
Sim, posso dizer que a preocupação com a sustentabilidade está sempre presente, daí a necessidade de reciclagem, de reaproveitamento de materiais. Sempre é possível fazer peças com um design bacana utilizando materiais que iriam para o lixo. Essa atitude diminui o consumo, preserva o meio ambiente e, se incentivada, pode se transformar numa alternativa econômica.

