Marconi: “Vou fazer parcerias com Iris”
Redação DM
Publicado em 1 de novembro de 2016 às 00:27 | Atualizado há 2 anosAo avaliar ontem, em entrevista coletiva, o resultado das eleições municipais em Goiás e no Brasil, o governador Marconi Perillo disse que vai administrar em parceria com todos os prefeitos e que destinará R$ 200 milhões para obras nos municípios só no ano que vem. Marconi destacou sua intenção de celebrar parcerias com o prefeito eleito Iris Rezende, dando prosseguimento à relação administrativa que tem com Paulo Garcia. Marconi fez uma avaliação positiva da participação do candidato de sua base aliada, Vanderlan Cardoso, nos dois turnos das eleições para escolher o próximo prefeito de Goiânia. Disse que Vanderlan fortaleceu seu nome na política goiana, que o PSDB teve uma grande vitória, elegendo 77 prefeitos, e falou também que receberá todos os prefeitos eleitos, de forma republicana, para propor parcerias com o governo de Goiás.
O governador também cumprimentou o prefeito eleito de Anápolis, Roberto do Órion. Disse ainda que o PSDB de Goiás já tem um nome para a sucessão de 2018, o vice-governador José Eliton, e que a oposição é que deve ter problema para indicar um candidato. Para ele, o presidente Michel Temer saiu fortalecido das eleições deste ano, com mais de 4.400 prefeitos eleitos que o apoiam.
“Quero ter uma relação de parceria com Iris Rezende”
Eu quero ter uma boa relação com o Iris Rezende e com certeza isso vai ser bom para Goiânia. Se depender de mim, nós teremos uma boa parceria. Alguns se lembram como foi o meu relacionamento com o ex-prefeito Iris Rezende nos dois anos em que ele esteve à frente da Prefeitura de Goiânia. Eu cheguei a entregar a ele a mais alta comenda do governo do Estado durante a inauguração da duplicação entre Goiânia e Goianira. Nós conversávamos quase toda semana. Muitos dos importantes assuntos daquela época nós discutíamos. Se eventualmente alguma coisa ocorreu no sentido de o PMDB ter questionado o contrato da Saneago com a prefeitura, isso se deu no calor da campanha. Evidentemente, o novo prefeito vai refletir sobre isso, vai verificar que o contrato é juridicamente perfeito, não foi imposto pelo governo do Estado, foi exaustivamente debatido e aprovado pela Câmara de Goiânia e referendado pelo Stiueg. Qualquer mudança sofreria a oposição do próprio Stiueg, que representa os servidores da Saneago. Então eu não me preocupo com isso. O prefeito eleito vai verificar depois de consultas com bons advogados que não se rompe um contrato assim, pura e simplesmente falando. Até porque nós investimentos nos últimos anos em Goiânia mais de R$ 500 milhões. Isso só no sistema produtor Mauro Borges. Outros R$ 140 milhões serão investidos ainda para a construção da elevatória que chegará em Aparecida de Goiânia. As duas maiores obras de saneamento básico de Goiânia foram feitas em meus governos. A Estação de Tratamento de Esgoto – ETE (Hélio Seixo de Brito) – e o sistema produtor Mauro Borges. Esta, por sinal, uma obra que possibilitará o abastecimento de Goiânia pelos próximos 50 anos. E tem mais: quando o sistema Mauro Borges começar a funcionar, nós vamos desligar o sistema Meia Ponte, que abastece Goiânia e Aparecida, para que ele fique exclusivamente para atender Trindade e Goianira. Se nós precisarmos de suporte no futuro, teremos condições de dobrar a produção do sistema Mauro Borges e podemos reativar o sistema Meia Ponte, redirecionar para Goiânia. Isso significa que nós estamos preparados para atender a demanda pelos próximos cem anos. Em relação ao tratamento de esgoto, nós também estamos concluindo mais um decantador enorme que vai garantir tratamento de esgoto para Goiânia por muito tempo. Só na região Noroeste nós concluímos 600 quilômetros de redes coletoras de esgoto. Tive também uma relação muito cordial com o prefeito Maguito Vilela. Também sempre tive uma relação muito boa com o Gustavo Mendanha. Aliás, acho até que ele votou em mim na última eleição.
“Teremos diálogo com todos os prefeitos”
Nossa base elegeu 201 dos 246 prefeitos do Estado. Muitos dos que foram eleitos pelos partidos de oposição já procuraram o governo do Estado. Teremos diálogo com todos eles, independentemente de partido, como fiz agora. Tive uma boa relação com o prefeito Maguito Vilela (Aparecida), João Gomes (Anápolis) e Paulo Garcia (Goiânia). E não será diferente agora. Vou me pautar, assim como o governo, pelo espírito republicano de sempre. Estenderei a mão a prefeitos de todos os partidos. É claro que terei facilidade maior porque cerca de 200 são da nossa base. Vou recebê-los a partir de agora. Vou receber os prefeitos do PSDB e PP num jantar nesta semana. São 99 prefeitos, sendo 77 do PSDB e 22 do PP. No decorrer dessa semana, provavelmente recebo os demais em audiência ou almoço. Vou receber individualmente os prefeitos das cem maiores cidades de Goiás. Já agendei 60 para novembro e 40 para dezembro. Os outros 146 serão recebidos em janeiro e fevereiro. Mas faço questão de receber individualmente todos eles para conversar sobre projetos, parcerias e medidas que eles pretendem aprontar para tomar os seus planos de governo. Resultados das eleições fortalecem e consolidam a democracia no Brasil, apesar das abstenções e votos nulos. É um resultado que todos nós respeitamos. Terei com o prefeito Iris Rezende a melhor relação. E ele já me disse isso ao telefone ontem também. O governo do Estado estará aberto para celebrar todas as parcerias. E todas as sugestões que vierem serão bem recebidas da minha parte e por todos os secretários.
“Minha relação com Vanderlan amadureceu”
Da minha parte, as parcerias serão tranquilas. Não guardo rancor em relação a adversários e disputas. Sempre tive com o prefeito Iris Rezende uma relação cordial. Afinal, todos vocês sabem que partiu de mim o convite para que ele retornasse à cena política. Ele já tinha desistido e anunciado a desistência. Partiu de mim a iniciativa de procurar interlocutores e propor uma aliança no primeiro turno. Essa aliança não foi possível, não por vontade dele e nem minha. Mas enfim… Fizemos uma ótima aliança com o candidato Vanderlan. Indicamos um excelente vice, que foi o Thiago Albernaz. Ele fez uma campanha propositiva, bonita, respeitosa. Teve liberdade de falar o que quis. Não impus, não impedi nada, nem politicamente, nem administrativamente. Apenas propus a ele apoio dos partidos da minha base, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Veio o reforço do Francisco Jr. (PSD) e do PTB. Propus apenas o tempo eleitoral na TV e o apoio de pessoas ligadas a mim. Mas ele teve total liberdade para fazer sua campanha. Fez uma campanha linda, bonita. Acho que ele saiu grande dessa eleição. Creio que a relação minha com o Vanderlan é hoje muito mais intensa, cordial e recíproca. Mais madura e boa. Agregou muito para mim, especialmente essa relação com o Vanderlan, que foi meu adversário nas eleições anteriores.
“Convênios serão acertados em audiências com prefeitos”
Para convênios, vou destinar R$ 200 milhões para ajudar as prefeituras. Isso será coordenado pelo secretário Tayrone, pela Secretaria de Governo. Convênios serão acertados nessas audiências, que começam a partir de agora com os prefeitos. Todos os que quiserem ter uma boa parceria com o governo terão. Estou falando apenas dos destinados a obras. Fora as obras que o governo do Estado vai realizar no Estado inteiro. Isso sem falar de convênios e parcerias nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, que envolve outros recursos, especialmente os vinculados.
“Quero ter com Iris a parceria que tenho com Paulo Garcia”
Iris é homem público experimentado, amadurecido. Está indo para o quarto mandato na Prefeitura de Goiânia. Eu já estou no meu quarto mandato como governador. Disputamos três eleições. Seis turnos. Nem por isso deixei de respeitá-lo e creio que ele também não me deixou de respeitar. Espero que não haja qualquer problema com a Prefeitura de Goiânia. Tenho uma boa parceria com Paulo Garcia. Isso está sendo muito útil, especialmente nas obras do BRT. Tenho falado todas as semanas com o ministro Bruno Araujo (Cidades) para que não falte dinheiro para a obra. Tenho sido parceiro do prefeito em outras áreas. E essas parcerias todas estarão à disposição. Imagino que nos próximos dias terei uma conversa com o prefeito Iris Rezende. Vou esperar ele descansar. Já inclusive propus a ele isso ontem. Da minha parte, terei a maior disposição para conversar e celebrar todas as parcerias possíveis para o governo do Estado.
“Agradeço a Iris por ter falado bem de mim na campanha”
Até achei bom. A associação feita me colocou numa situação bacana. Não ouvi da campanha do Iris ataques pessoais ou ataques até administrativos. O que fizeram foi mostrar minha relação com o Vanderlan, que era pública. Até vou agradecer o prefeito Iris por ter colocado minha imagem na campanha. Ficou bacana. Acho que não houve qualquer tipo de desrespeito à minha pessoa, o Vanderlan teve quase 43%, eu tive aqui em Goiânia, nas duas últimas eleições, 45%, Iris teve 55%. Ou seja: disputei duas vezes com Iris em Goiânia para governador e tive uma diferença de 10% de votos aqui. Se nós tivéssemos esses problemas todos, o Vanderlan não teria os quarenta e tantos por cento que teve. E, na verdade, eleição é disputada pelo candidato, não é pelos apoiadores. Quem ganha ou perde eleição são os candidatos. Eu já ganhei eleições, posso perder eleições. Quem disputa é que é realmente o centro das atenções. Essa coisa de apoio interfere muito pouco. Eu já fui a algumas cidades em que o candidato perdia por 1% dos votos e me dizia: “Se o senhor vir aqui, o senhor vira a eleição”. Eu fui e não virou nada. Ficou com 1% do mesmo jeito. Essa coisa não existe. Em todas as eleições é isso: “Se o senhor vier, o senhor vai virar a eleição”. Chego lá está perdendo por 10, continua perdendo pelos 10. Definitivamente, as pessoas sabem em que votar. As pessoas votam em que elas querem. Então, quando você ganha uma eleição, você ganha por uma associação de fatores. Eu já ganhei muitas. Como já disse, disputei seis eleições com o Iris Rezende. Ganhei as seis. E não ganhei pelos meus méritos próprios, mas por uma associação de fatores: projetos, apoiadores, enfim. E quem perde também perde por uma associação de fatores. Aqui em Goiânia, por exemplo, o Vanderlan está certo: houve muita abstenção. E creio que o maior número de abstenção ocorreu justamente nas áreas onde ele tinha mais votos. Mas, enfim, não adianta a gente procurar justificativas quando a eleição está terminada. Eleição você ganha ou perde. Aconteceu isso no Brasil afora. Em muitos lugares, candidatos que estavam com boa probabilidade de ganhar perderam e outros ganharam. Isso faz parte do jogo democrático. E, sinceramente, digo que estou feliz com o desempenho do Vanderlan. Ele foi extremamente respeitoso em relação a mim. E posso dizer que ganhei um amigo que eu não tinha. Exatamente porque eu soube me comportar durante na eleição, como sempre faço. Eu não sou candidato, eu não tenho que interferir na proposta, no programa do candidato. Eu dou algumas sugestões, alguns palpites, mas sempre de forma muito respeitosa. Eu acho que o Vanderlan conheceu o Marconi Perillo que ele não conhecia até agora.
“Vanderlan teve coragem de entrar nessa disputa tão difícil”
Em primeiro lugar, tenho convicção de que a responsabilidade pelo que vai para a TV e para o rádio é da equipe de marqueteiros. Eles avaliam com base em pesquisas qualitativas, quantitativas, o que deve ser posto e o que não deve. Acho que houve apenas um equívoco. Acho que a campanha do Vanderlan poderia ter explorado mais as áreas onde o governo do Estado está indo muito bem. Por exemplo: mostrar os hospitais que nós construímos – o Hugol, o Crer. O Hugo, que não foi construído por mim, mas hoje é um modelo de hospital, o HGG, enfim, mostrar a Saúde que está sendo desenvolvida no governo do Estado, mostrar as obras de qualidade que nós fizemos em Goiânia, as saídas duplicadas, com ciclovias iluminadas, o Centro de Excelência de Esportes, o Centro Cultural (Oscar Niemayer), e muito mais, viadutos… Acho que talvez pudesse ter sido mostrado até para dizer: “Olha, se isso acontecer, se o Vanderlan ganhar, nós vamos ter coisas tão boas ou melhores do que essas. Mas, repito, eu não tenho um reparo a fazer em relação à campanha do Vanderlan. Nenhum reparo. Eu acho que ele fez o que achava que estava certo. A equipe de marketing dele também fez o que achava que era correto. O que eu posso fazer é só elogiar o desempenho dele, a coragem de se candidatar. Poucos são os que têm coragem de entrar numa disputa tão difícil quanto esta. Em relação ao PSDB, eu acho que a gente precisa fazer um trabalho melhor em Goiânia. Nós lançamos o que nós tínhamos de melhor. O Vecci é uma pessoa preparadíssima, culta, uma pessoa corretíssima, foi meu secretário várias vezes, entende como poucos de planejamento estratégico… Ele achou que não era viável a candidatura dele, era pouco conhecido. Essa campanha teve também a atipicidade de ser curta, favorecia mais quem tinha recall, que era mais conhecido e também a quem tinha mais dinheiro. Essa é uma verdade. Os empresários, as pessoas que tinham mais dinheiro no País todo, tiveram mais sucesso, mais sorte. Até porque podiam gastar do seu próprio dinheiro. Então o PSDB lançou o que tinha de melhor. Tivemos uma prévia, muitos queriam ser candidatos pelo PSDB, a disputa interna no PSDB foi muito intensa, nós tínhamos bons candidatos, bons nomes. O Giuseppe (Vecci) acabou sendo o nome escolhido nas prévias, depois ele chegou à conclusão de que era melhor fazer uma composição. Nós respeitamos e acho que indicamos um excelente nome como candidato a vice do Vanderlan, o Thiago, repito, e participamos da campanha do Vanderlan intensamente. O PSDB participou da campanha do Vanderlan em Goiânia como se fosse uma candidatura do próprio PSDB. Fizemos isso com muito amor, com muito carinho e com muita dedicação. Agora, eu não vou ser mais governador, meu mandato se encerra daqui a dois anos e pouco. Acho que o PSDB precisa se preocupar, efetivamente, em se organizar na cidade de Goiânia, nos bairros, enfim, mostrar a cara para valer em Goiânia, mostrar o que nós estamos fazendo em Goiânia. Se nós não tivéssemos fazendo um bom trabalho em Goiânia, eu não teria conseguido os 45% que consegui por duas vezes, enfrentando uma pessoa que tem uma história em Goiânia, que mora aqui a vida toda, que já foi prefeito. Quer dizer, eu enfrentei o Iris Rezende duas vezes e acho que tive uma boa performance. Eu não ganhei a eleição em Goiânia, mas se tivesse perdido feio em Goiânia talvez não tivesse aqui como governador. Nós tivemos uma boa eleição em Goiânia, ganhei em 229 municípios do Estado, nessa última eleição com o Iris. Mas se não tivesse tido uma boa performance aqui e em Aparecida de Goiânia, talvez nós não tivéssemos conseguido vencer.
“Não apoiamos o Vanderlan em troca de alguma coisa”
Eu não me atreveria a falar de qualquer tema relacionado a Vanderlan poucas horas depois do resultado das eleições. Eu quero primeiro fazer uma visita de cortesia a ele, dar uma abraço nele, cumprimentá-lo pelo desempenho na campanha. Afinal de contas, ter 43% dos votos numa cidade como Goiânia é um excelente desempenho. Isso dá um recall futuro para qualquer pessoa. Ele passa a ser no nosso campo a pessoa mais importante em Goiânia, porque teve um desempenho extraordinário. Agora, eu vou conversar com ele sobre várias coisas, ver o que ele está pensando. Ele ontem ao telefone estava muito tranquilo. Me agradeceu muito pelo apoio sincero que nós demos a ele, sem interferência, sem exigências. Nós não apoiamos o Vanderlan em troca de alguma coisa.
“Vou defender com unhas e dentes as prévias no PSDB”
A realização de prévias para escolha do candidato do PSDB que disputará a presidência da República em 2018 será defendida pelo governador Marconi Perillo dentro da legenda. A declaração foi dada na manhã de ontem, durante entrevista coletiva concedida pelo tucano à imprensa, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira.
Na avaliação de Marconi, a disputa interna dentro do partido será fundamental para garantir uma escolha democrática do nome que representará o PSDB nas próximas eleições presidenciais. “Aqui no Brasil, o PSDB terá que instituir as prévias para presidente da República. Nós temos vários bons quadros no PSDB. Eu vou defender com unhas e dentes que o PSDB tenha prévias. Até porque um partido que tem bons nomes precisa ter prévias para democratizar a participação de todos e dar oportunidade a que os projetos e as ideias possam prevalecer num partido tão importante no Brasil quanto o nosso”, afirmou.
“Não descarto disputar as prévias do PSDB”
Nós tivemos a primeira experiência de prévias do PSDB em Goiânia, neste ano. Acabou não se consolidando, porque os candidatos desistiram. Em São Paulo, já há muito tempo o PSDB tem a prática de escolher seus candidatos através de prévias. Nos Estados Unidos, o Barack Obama, por exemplo, só foi candidato e virou presidente por causa das prévias. Sem o instituto das primárias, o Obama não teria sido eleito presidente dos Estados Unidos. Ele teria ficado em Chicago, onde atuava, e a Hillary teria sido homologada naquela época como candidata oficial dos Democratas. Aqui no Brasil, o PSDB terá que instituir as prévias para presidente da República. Nós temos vários bons quadros no PSDB. Eu vou defender com unhas e dentes que o PSDB tenha prévias. Até porque um partido que tem bons nomes precisa ter prévias para democratizar a participação de todos e dar oportunidade a que os projetos e as ideias possam prevalecer num partido tão importante no Brasil quanto o nosso. E eu não descarto também disputar prévias, não. Eu não descarto mesmo. Não tenho problema nenhum com ganhar ou perder. Vai depender do meu desempenho. A minha pré-disposição inicial é não ser candidato a nada em 2018, mas eu também não descarto disputar uma prévia, sair pelo Brasil falando dos meus projetos, das experiências que vivi aqui em Goiás nos meus quatro mandatos, afinal de contas, eu sou o único político brasileiro que tem cinco mandatos majoritários consecutivos e sou o único brasileiro a ter quatro eleições diretas como governador de um Estado importante como o nosso.
“Não vou interferir na sucessão na Câmara de Goiânia”
Há muito tempo eu deixei de entrar nessas coisas que não são da minha alçada. Já fiz isso muito, mas resolvi não ficar entrando nessas discussões que não são da minha esfera, da minha responsabilidade. Portanto, assim como fiz da outra vez, eu não vou entrar nisso. Se o PSDB quiser apresentar nomes, que apresente. Nós temos bons nomes. A experiência do presidente Anselmo Pereira, oito mandatos como vereador e presidente da Câmara; a doutora Cristina (Lopes), que é uma revelação e teve uma votação extraordinária; enfim, temos bons outros nomes também da base aliada. Mas esse é um assunto que eles vão decidir entre eles. Não dá para a gente ficar interferindo.
“A base terá menos problemas que a oposição em 2018”
Nós vamos chegar às eleições de 2018 com mais ou menos 220 a 230 prefeitos, que vão apoiar esse projeto. O PSDB já tem um candidato escolhido de forma consensual, que é o vice-governador José Eliton. Provavelmente, ele vai assumir o governo, por conta da minha desincompatibilização. Se isso acontecer – eu não decidi ainda –, ele será naturalmente o candidato à própria sucessão. Ele está tendo um desempenho muito bom na área de Segurança Pública, ele está ganhando visibilidade. Então da nossa parte, da parte do PSDB, eu não vou falar em nome da base aliada, até porque isso é muito complicado; na última eleição eu tive o apoio de 16 partidos. Em relação ao PSDB, nós temos um nome consensual e muito tempo antes das eleições. Agora, eu não sei se isso vai ocorrer em relação à oposição. Todos vocês sabem que a oposição tem hoje pelo menos dois nomes. Eu não sei o que vai dar nisso. O Maguito ganhou a eleição em Aparecida (de Goiânia). É uma liderança forte, respeitada, o Iris ganhou aqui. O DEM elegeu apenas 10 prefeitos. Caiu de 17 para 10. Alguns deles já estão incomodados em ficar num partido que faz oposição radical ao governo do Estado. Então eu acho que o problema é muito menor para nós do que para a oposição. Sinceramente falando, quem vai ter de procurar uma solução vai ter que ser a oposição. Nós, pelo menos nós do PSDB, já estamos com a nossa situação bem encaminhada. Eu repito, tive a melhor impressão, a melhor relação com o Vanderlan. Vou fazer uma conversa com ele provavelmente hoje ainda. E tudo que for possível eu fazer para que a gente tenha um estreitamento cada vez maior será feito. Eu, repito, tenho hoje um respeito muito maior pelo Vanderlan. Acho que ele chegou ao final dessa eleição com uma ótima estatura. Será uma pessoa importante no futuro. Vai ser importante em 2018, vai ser importante em 2020. Não tenham dúvidas de que está assegurado na história de Goiânia, na história de Goiás, um papel muito importante para o Vanderlan.
“A boa gestão política é imprescindível”
Um empresário deixa de ser apolítico assim que ele entra na eleição e à medida que ele vence. Então, não existe mais essa conversa de João Doria não é político. Ele já virou político, entrou na política, disputou, ganhou. O mesmo com o Alexandre Kalil. Eles terão que ser políticos a partir de agora, porque na boa administração não resolve só ter uma boa gestão administrativa. É preciso ter, fundamentalmente, uma boa gestão política, porque se não os prefeitos vão dar com os burros n’água. Gestão política não é só ficar conversando com os partidos, é ter boa relação com as instituições, com os poderes, com as associações, sindicatos, com a sociedade organizada, igrejas, jornalistas, enfim, é o diálogo permanente através das redes sociais. Então, eu creio que o impeachment da presidente Dilma e os escândalos da Lava Jato fizeram com que houvesse uma descrença muito grande com a classe política. Mas as pessoas vão chegar à conclusão de que tudo na vida depende dos políticos e da política, seja com os que estão hoje no poder ou com os que virão amanhã. Como diria Bertolt Brecht, “o pior analfabeto é o analfabeto político”. Ele xinga a política, mas se esquece de que quem define o preço do arroz, do feijão, da gasolina, são os políticos. Então, ou você deixa de se omitir e procura escolher os melhores, ou você contribuiu para que as coisas piorem cada vez mais. A omissão é a pior arma que as pessoas podem ter em um momento de decisão.
“Não vou fazer mudança no governo motivado por eleições”
Eu não vou fazer qualquer alteração no governo motivado pelas eleições. Nenhuma. Literalmente, nenhuma. Até porque um governo que tem só dez secretarias tem muita pouca margem para qualquer tipo de negociação envolvendo partidos. Eu já tenho uma administração enxuta justamente para que prevaleçam pessoas que comunguem com as minhas ideias, com o projeto majoritário que saiu nas urnas e para que a gente continue fazendo um governo modernizante, desenvolvimentista, que enfrenta com altivez a crise e deixe um saldo histórico de realizações no Estado.
“O PSDB foi o grande vencedor das eleições no Brasil”
O PSDB foi, sem dúvida, o grande vencedor das eleições no Brasil. Conseguiu eleger prefeitos de sete capitais: São Paulo, Porto Alegre, Maceió, Teresina, Belém, Manaus e Porto Velho. O segundo partido a conseguir mais prefeitos foi PMDB: Florianópolis, Cuiabá, Goiânia e Boa Vista. Importante destacar que dos 57 municípios onde houve segundo turno, 46 prefeitos são aliados ao governo Michael Temer. Ao todo, contando o resultado do primeiro turno, foram 4.446 eleitos da base de Temer. A conta inclui PMDB, PSDB, PSD, PP, PSB, PR, DEM, PTB, PPS, PRB e PV. Isso é importante, porque a tese do golpe não se confirmou nas urnas, tanto no primeiro quanto no segundo turno.