Cotidiano

Niquelândia aposta no agronegócio para sair da crise

Redação DM

Publicado em 11 de agosto de 2018 às 00:16 | Atualizado há 8 anos

Se a economia sofreu uma derrocada como um todo no mu­nicípio de Niquelândia, região norte de Goiás, com o fechamen­to da Cia. Níquel Tocantins, em­presa do Grupo Votorantim, o en­sino, base da educação, vive uma crise sem precedentes. Hoje, co­meça uma aposta na criação de peixes e no cultivo de soja.

A cidade ainda se ressente de frustração de seis mil trabalhado­res que perderam seus empregos e a arrecadação municipal foi se­veramente atingida. A cidade e o seu entorno viviam baseado na exploração industrial do níquel. A queda de preços do minério no mercado internacional provocou uma onda negativa. E Niquelân­dia foi atingida em cheio.

Hoje, a tonelada se limita a 17 mil dólares. Sua cotação já esteve em outros patamares mais otimis­tas. Atualmente, restam apenas 150 funcionários no escritório da empresa. Apartamentos antes alu­gados por R$1.800,00 são encon­trados a preços de banana.

APOSTA NO AGRONEGÓCIO

A aposta na atualidade está mais na área do agronegócio. A soja já deu sinais de crescimento de 8% a 10%. O próprio grupo Vo­torantim investe em soja. Pionei­ra na região, a empresa dispõe de áreas disponíveis, onde o eucalip­to também ocupa espaço. Fala-se em 90 mil hectares. A piscicultu­ra no parque aquícola de Serra da Mesa representa outra perspecti­va promissora, mas o lago no mo­mento encontra-se em seu nível dos mais baixos. Paulo Martins, presidente do Sindicato Rural de Niquelândia, confirma ao Diário da Manhã que “a cidade, depois dessa crise toda, se volta para a ca­deia do agronegócio”, onde se in­sere a piscicultura de água doce.

Segundo Martins, a participa­ção da “Faeg e do Senar foi vital, além do Sebrae”. O dirigente sindi­cal afirma que “a entidade apare­ceu na hora crítica”. O então presi­dente da Federação da Agricultura, José Mário Schreiner, e demais diri­gentes “deram apoio, buscaram os agentes financeiros para abrir cré­dito para a safra, para as criações e também ao fomento da pesca, uma das tábuas de salvação”.

O Lake’s Fish cria e processa o peixe, está instalado à margem do Lago da Serra da Mesa. Na pe­cuária, destaca-se o gado leitei­ro e de corte, e uma alta produ­ção na suinocultura, piscicultura, avicultura e apicultura.

RIQUEZA MINERAL

Niquelândia possui uma das maiores reservas de níquel do mundo, explorada por duas grandes mineradoras: Votoran­tim Metais, do Grupo Votorantim, e a Anglo American, do Grupo Anglo American. São 120 miné­rios explorados, sendo que en­tre os principais, além do níquel e subprodutos, estão também: o ouro, o cobre, o cobalto, a mica, o ferro, o manganês, o cristal, o amianto, o diamante, o quartzo, o calcário, o mármore, até o urâ­nio e outros minerais radioativos.

Também existe na região o tu­rismo que é voltado principal­mente ao Lago Serra da Mesa, turismo histórico, carnaval (que atrai nessa época, turistas de todo o estado, e dizem que é o melhor carnaval do interior goia­no), conta-se também com a Ca­valgada Rumo ao Muquém.

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

O município é um dos maiores do Brasil. O município se esten­de por 9 843,2 km² e contava com 42.380 habitantes no último censo. Hoje, são mais de 45 mil, segundo as últimas estimativas. A densida­de demográfica é de 4,3 habitan­tes por km². É o maior município goiano. Mas, esse gigantismo de­mográfico está provocando pre­juízos e afetando seriamente a área do ensino fundamental.

Crise nas escolas

Os ônibus escolares rodam 12 mil quilômetros por dia para transportar os alunos para as es­colas. “Cada aluno custa em mé­dia R$2 mil por mês”, expõe o ve­reador Eduardo Salgado. Observa ele que “há aluno que chega a R$10 mil mensais”, naturalmente os que moram mais distantes da sede do município. Segundo o vereador, há em Niquelândia 135 rotas.

O secretário da Educação do município, Wesley Campos, con­firma a crise no ensino, decor­rentes da arrecadação que sofreu queda e também dos tropeços po­líticos recentes. “Os repasses do go­verno federal são insuficientes”, de­clara ao Diário da Manhã.

Segundo a Justiça Eleitoral, en­quanto prefeito da cidade, entre 1993 e 1996, Valdeto Ferreira fir­mou um contrato para reforma de escolas no último ano de mandato. Porém, ao deixar o cargo, o político não conseguiu justificar o uso da verba destinada à educação mu­nicipal. A suspeita é de enriqueci­mento ilícito. Com isso, o Tribunal de Contas da União (TCU) repro­vou suas contas. O prefeito Valdeto Ferreira culminou por ser cassado. O candidato Fernando Carneiro da Silva (PSD) foi eleito prefeito de Ni­quelândia nas eleições suplemen­tares que ocorreram recentemen­te. Já assumiu, mas se defronta com a série de problemas, sobretudo de ordem financeira, conforme apu­rou o Diário da Manhã.

No dia 3,1 o prefeito reuniu todo o seu staff político-administrativo em busca de solução para a crise, no que “tange aos pagamentos e saldos devedores da administra­ção municipal para com os pro­fissionais da educação”. O prefei­to Fernando da Silva disse ao DM que sua administração “prima por honrar, categoricamente, os salá­rios dos servidores, visando diri­mir todas as mazelas que ora as­solam nossa educação municipal em relação à folha de pagamen­tos”. E assevera: “Para tanto, esta­mos em constantes estudos para, assim, saldar a dívida que hoje gira em R$10.710.488,57”.

O prefeito de Niquelândia ob­serva que “após análise técnica rea­lizada pelos departamentos con­tábeis, financeiros e de governo juntamente com a Secretaria de Educação, apresenta proposta de pagamento dos vencimentos in­tegrais de julho, 13º salário e férias dos profissionais da educação, a ser efetuado dia 10 de agosto”

 

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