Os paraísos da renúncia fiscal
Redação DM
Publicado em 10 de agosto de 2018 às 01:17 | Atualizado há 1 ano
O Estado de Goiás arrecadou R$ 17,7 bilhões no ano de 2017, o que representou um aumento de 5,38% em relação a 2016, quando foram arrecadados R$ 16,8 bilhões. A economia goiana apresenta várias distorções, por exemplo, o setor mais dinâmico da economia – a agropecuária – é um dos que menos contribui em pagamento de impostos como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Apenas seis cidades (Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Rio Verde e Catalão) concentram 51% das riquezas do Estado. Mais: as isenções e incentivos fiscais, concedidas em programas de atração de empresas ao Estado como o Fomentar e o Produzir, e as renúncias de imposto nos processos de privatização como o da Celg devem impactar negativamente na receita do Estado nos próximos anos.
O ICMS é o principal imposto de Goiás e no Brasil. Ele participa com cerca de 88% da formação do valor do PIB (Produto Interno Bruto) a preços correntes do Estado, enquanto o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) representou cerca de 6% e o ISS (Imposto Sobre Serviços) em torno de 4%. Do acordo com a Sefaz, em 2015 a arrecadação tributária do Estado foi composta por 87,81% do ICMS, 6,92% pelo IPVA (Imposto sobre Veículos Automotores), 1,91% pelo ITCD (Imposto sobre herança), 1,54% no Fundo Protege e 1,83 em outros tributos.
CELG E SANEAGO
Antiga Celg D (Centrais Elétricas de Goiás – Distribuição) contabilizava uma receita anual de R$ 4,5 bilhões, dos quais, R$ 900 milhões eram repassados ao Estado na forma de ICMS. No processo de privatização da Celg-D, o governo de Goiás isentou do pagamento de ICMS por 29 anos a empresa compradora, a italiana Enel. Após a privatização, o governo também enviou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 568/18, que também anistiou a Enel do pagamento de ICMS devido pela Celg, o que corresponde a uma receita de R$ 2 bilhões. Deputados da oposição protestaram a época com estas isenções, calculando que Goiás está abrindo mão de uma receita estimada em R$ 50 bilhões neste período.
A Saneago S/A (Saneamento do Estado de Goiás) é outra empresa do governo de Goiás que está sendo preparada para privatização. Em 2015, o governo de Goiás determinou um aumento de 32,1% no valor da conta de água, e imediatamente enviou para Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 1507/15 que isentou a Saneago do pagamento do ICMS. Naquele ano a Saneago tinha uma receita de R$ 120 milhões e uma dívida estimada em R$ 583 milhões, que foi refinanciada paga pagamento em dez anos.
COMÉRCIO FORMAL E INFORMAL
Enquanto abre mão de receita para grandes grupos privados nacionais e transnacionais, o Estado joga na informalidade milhares de famílias.O setor de comércio no Estado compreende as atividade de comércio varejista e atacadista. Sua participação no total de ICMS arrecadado é de quase 25%, sendo que Goiânia e Aparecida de Goiânia se destacam neste setor, principalmente em função de grandes redes atacadistas, de distribuição e o fornecimento de insumos para a cadeia do vestuário que se processa nas grandes feiras da Capital (Feira Hippie, Feira da Lua, Feira do Sol) e da Avenida 44, no Setor Ferroviário. Nestes locais, impera a informalidade, o emprego precário, mas nestes tempos de recessão e desemprego, constitui a fonte de sobrevivência de milhares de famílias em Goiás e de fora do Estado.
COMBUSTÍVEIS, TELEFONIA, BEBIDAS
A pauta de arrecadação é composta principalmente pelo consumo de combustíveis (25,76%), energia elétrica (15,56%), indústria, principalmente bebidas, alimentos e cigarros, medicamentos (18,80%), comércio (24,52%) e serviços de telefonia (7,55%). O setor agrícola contribui com 7,81% . É o que revela dados da Sefaz sobre arrecadação do ICMS (2015) e a lista dos principais contribuintes do Estado organizada pela Fazenda em 2016.
O relatório do Fisco aponta que, entre os dez maiores contribuintes, a Petrobras ocupa o primeiro e nono lugares; o segundo maior pagador de ICMS é a antiga Celg (atual Enel). As empresas de telefonia ocupam o quarto (Vivo), quinto (Claro), sétimo (OI), décimo primeiro (Tim Celular) e décimo segundo lugar (OI Móvel). A Souza Cruz (cigarros) é o oitavo maior contribuinte, e a Roche (medicamentos), o décimo.
INDÚSTRIA
Considerando os 150 maiores contribuintes as montadoras de veículos estão ranqueadas na 28ª (HPE Motores/Catalão), 41ª (Caoa/Hyundai-Anápolis) e 48ª (John Deere Tratores/Catalão) posições. A indústria da carne ocupa a 67ª (JBS), 68ª (BRF), 74ª Minerv, 127ª (Mata Boi), 149ª (Marfrig) posições. A atividade mineral responde pela 62ª (Sama), 63ª (Anglo American Níquel), 94ª (Votorantim Metais), 121ª (Anglo American Fosfatos), 123ª (Niobras Mineração), 124ª (Vale Fertilizantes), 136ª (Mineração Serra Grande) e 193ª (Pilar de Goiás Desenvolvimento Mineral S/A).
A indústria de alimentação compõe a pauta de arrecadação do ICMS nas seguintes colocações: 53ª (Unilever), 73ª (Laticínios Bela Vista), 75ª (Caramuru/Itumbiara), , 157ª (Cargill/Luziânia), 155ª (Elabat/Itumbiara), Goiás 164ª (Verde/ Luziânia), 166ª (Bungue/Luziânia).
