Cotidiano

A vida, o amor e o dia de finados

Redação DM

Publicado em 29 de outubro de 2019 às 13:18 | Atualizado há 7 anos

       Esse dom incomparável chamado vida, que nos foi concedido de graça pelo Senhor do
universo, tem suas facetas interessantes de alegrias, tristezas, decepções e
vitórias, tudo fazendo parte de um projeto e de uma missão que viemos cumprir
neste planeta chamado Terra, localizado na periferia da Via Láctea.

       Essa mesma vida que nos concede o
privilégio de conviver com pessoas, com as quais nos afeiçoamos tanto e que de
repente nos deixam órfãos de sentimentos e presenças, é a mesma que nos dá
oportunidades incontáveis de desvendar segredos que antes pareciam insolúveis,
mas que com o tempo e a idade vemos que não eram tão complicados assim.

       Mas para que essa visão se expanda e nos
revele fatos que antes nos pareciam incompreensíveis, necessário que tenhamos o
amor como escudo de vida. Pois só através do amor tudo podemos, tudo suportamos
e tudo entendemos.

      E é essa mesma vida que nos traz o hábito
de visitar a morte, quando vamos ao cemitério como se ali fosse uma sala de
visitas do além, costume que vem das mais remotas culturas, como uma forma de
confundir o indivíduo com seu corpo. Há pessoas que no desespero da perda
imposta pela morte física de um ente querido, o visitam diariamente, como num
desejo de estar perto do familiar.

       Católicos, budistas, evangélicos,
muçulmanos, espíritas, somos todos espiritualistas e acreditamos na existência
e sobrevivência do Espírito, e diante dessa evidência, é óbvio que o ser etéreo
não reside no cemitério. Muitos dizem que perderam um familiar, algo que mostra
falta de convicção na sobrevivência do Espírito. Quem admite que a vida
continua, jamais afirma que perdeu alguém.

Quando
dizemos “perdi um ente querido”, estamos registrando sérios prejuízos
emocionais. Se afirmamos que ele partiu, haverá apenas o sentimento da saudade,
abençoada saudade, nos mostrando que há amor em nosso coração, um sentimento
que nos realiza como filhos de Deus. É natural que em datas como aniversário de
nascimento, casamento, de morte, finados, natal e ano novo, dias dos pais, das
mães, sempre lembremos deles, mas é necessário que essas lembranças sejam
envolvidas em vibrações de carinho, evocando lembranças felizes, nunca
infelizes; enviando clichês mentais otimistas; fazendo o bem em memória deles,
porque nos vinculamos com os Espíritos através do pensamento. Além disso,
orando por eles, realizando a CARIDADE em homenagem a eles e tudo isso chegará
aos entes que se foram, como forma de contribuição para a felicidade plena; a
prece dá-lhes paz, diminui-lhes a dor e anima-os para o reencontro futuro que
nos aguarda.

Podemos
chorar, é claro, mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de
inconformismo e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram,
causam sofrimento para os que apenas partiram antes de nós, porque eles
precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em
Deus.

Espíritos
com maior entendimento, pedem que usemos o dinheiro das flores em alimentos
para os pobres. Portanto, usemos o bom senso nas homenagens que prestamos aos
mortos, lembrando, sempre, que eles vivem, e se eles vivem, nós, também,
viveremos. E é nessa certeza que devemos aproveitar integralmente o tempo que
estivermos aqui na Terra, nos esforçando para oferecer o melhor de nós em favor
da edificação humana. Só assim teremos um feliz retorno à pátria espiritual.

E
disse o Mestre dos mestres para um homem: – Segue-me. Mas ele respondeu: – Senhor,
deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: – Deixai
aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.

 O Senhor chama a este para segui-lo, mas ele
tem algo para resolver antes: o sepultamento do próprio pai. Ele diz:
“Deixa que PRIMEIRO eu vá enterrar meu pai”. A resposta dá uma clara
indicação de suas prioridades. Seguir a Jesus era a SEGUNDA coisa em sua vida.
É claro que Deus quer que cada um cumpra com suas responsabilidades, mas neste
contexto devemos ter em mente que Jesus quer trazer para fora de cada um o que
está no coração. É sempre assim quando a Palavra de Deus atinge uma alma.
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada
alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das
juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do
coração”.

A
repreensão de Jesus mostra que os espiritualmente mortos devem se ocupar de
sepultar os que estão fisicamente mortos, já que não são capacitados para
pregar o reino de Deus.

Muitas
vezes os cristãos perdem seu tempo fazendo tarefas que se fossem relegadas aos
incrédulos, permitiria que tivessem mais tempo para se ocuparem com aquilo que
realmente importa nesta vida: os assuntos de Deus e de consequência da vida
eterna.

“Quem
tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”

José Cândido Póvoa – Poeta, escritor e advogado. Membro
fundador da Academia de letras de Dianópolis (Go/To), sua terra natal.

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