Goiânia 2016 – análise histórica e atual da eleição
Redação DM
Publicado em 30 de outubro de 2016 às 00:58 | Atualizado há 10 anosQuem conhece bem Goiânia sabe que é uma cidade diferente. Parece que tem alma. Goiânia tem todo um jeito de ser e existir. Aproveitando que estamos em eleição para prefeito, destaco algumas peculiaridades políticas que penso eu só se encontram aqui. Goiânia foi uma cidade criada. Nasceu justamente para derrubar as colunas das oligarquias que dominavam Goiás no início do século XX. Talvez seja esse o embrião rebelde de nossa cidade. Digo isso, pois Goiânia costumou ser em quase toda história uma capital que não segue o Governo Estadual. Uma cidade rebelde.
A cidade no início foi administrada por interventores, e depois os primeiros prefeitos eleitos seguiram a linha do governo do estado da época. Mas há muitos anos, lá no início da década de 60, começou a rebeldia. Hélio de Brito foi eleito num partido de oposição ao de Pedro Ludovico. Nesse meio tempo veio o golpe militar. Era de se esperar que Goiânia seguisse a linha da chamada “revolução”. Mas não, a cidade elege Iris Rezende, que ao final do mandato seria cassado pela Ditadura. Iris fez uma administração que o deixou famoso em todo o país. Ele foi até convidado pelos norte-americanos a palestrar sobre o modelo dos mutirões para eles. Era franco favorito a ser governador, já naquela época. Era muita afronta ao poder vigente algo assim. Logo, Goiânia foi punida não podendo eleger prefeito por quase 20 anos. Só voltaria após o fim da ditatura.
E olha só que coisa. Goiânia volta a ter um prefeito eleito, numa das raras vezes em que o mandatário escolhido pelo voto era alinhado com o governo do estado. Daniel Antônio foi eleito em 85 pelo PMDB. E mais impressionante ainda, é que ele teve o mandato cassado pelo governador do próprio partido, Henrique Santillo, então no PMDB. Depois veio Nion, então no PMDB, e aí foi a última vez em que Goiânia teve administração estadual e municipal em alinhamento. Em 92 o governador era Iris, Goiânia elege Darci Accorsi, do PT. Em 96 o governador era Maguito (PMDB), Goiânia elege Nion, agora no PSDB. Em 2000, após o PSDB assumir o governo com Marconi, Goiânia elege Pedro Wilson (PT). Em 2004, com Marconi ainda no governo, Goiânia elege Iris para o cargo que a ditadura tomou dele lá atrás. Em 2008 o governador era Alcides Rodrigues (PP), Goiânia elege Iris de novo. Em 2012 Marconi novamente no governo, Goiânia elege Paulo Garcia (PT).
Hoje, com o grupo de Marconi há 18 anos no poder em Goiás, temos Iris candidato a prefeitura, provavelmente para encerrar a carreira política, de um lado. Do outro temos o ex-prefeito da vizinha Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PSB), que no final do 2º tempo se aliou ao governador. A questão que fica é: Goiânia vai seguir sendo reduto independente do governo estadual, ou dessa vez vai fazer como geralmente não faz e se tornar alinhada ao governo do estado? Dia 30 a gente fica sabendo.
Mas antes da eleição, podemos analisar um pouco do quadro atual. Vanderlan acertou em fazer a propaganda do bolo para atacar Iris. Não que a tática renda votos para ele. Mas Iris realmente se mostrou o candidato bolo. Sabe por quê? Quanto mais Vanderlan bate, mais Iris cresce. Agora vamos aos degraus que Vanderlan desceu. Primeiro: A aliança com o governador se mostrou um desastre. Todos sabem que Marconi nunca ganhou na Capital. Nem as eleições que disputou pra governador, nem seus candidatos a prefeito em 16 anos.
Segundo: Vanderlan deve ter pesquisa qualitativas. Elas já mostravam o quanto o apoio do governador seria negativo na Capital. Mesmo assim ele apostou que o bônus do apoio do governo compensaria o ônus da rejeição. Erro imperdoável. Terceiro: Vanderlan tem sido bruto com um senhor de 82 anos. Você já discutiu com alguém dessa idade? Não importa o conteúdo, se virar briga você sempre vai estar errado.
Quarto: Ele diz que Iris é rico. Ora, ele é muito mais e ainda sim ninguém foi lá no norte saber como esses milhões vieram de lá. Quinto: Ele ataca a saúde de Iris. Isso gera um mal estar terrível nas pessoas. Além de que é preconceito puro contra os mais velhos. Qualquer um de nós pode estar aqui agora e não estar amanhã. Falando assim parece que Vanderlan trama algo contra a vida de Iris, já que de disposição física o vovô goianiense está bem melhor que até mesmo ele.
Sexto: No desespero total, ele solta áudio e vídeo de 2010 tentando imputar uma parceira de Iris com Lula e Dilma. Ora essa, naquele mesmo comício do vídeo ele estava presente. No primeiro turno ele contou com o apoio de Lula e Dilma em sua campanha para governador. No segundo turno, ao lado de Lula e Dilma, ele ofereceu apoio a Iris. Foi a estratégia de marketing mais idiota que já vi. Eu entendo a troca de ataques. Campanha eleitoral não é namoro entre os candidatos. Namoro é com o eleitor. Com os adversários é guerra. Mas até na guerra temos que ter estratégia e manter a honra.
Douglas Branquinho, jornalista e consultor de Marketing.