“Nunca deixei o poder me tirar do povo”
Redação DM
Publicado em 28 de outubro de 2016 às 00:47 | Atualizado há 2 anos- Peemedebista atribui a boa performance nas pesquisas eleitorais ao fato de ter uma longa trajetória na vida pública de Goiás
O ex-prefeito atribui a sua posição de líder nas pesquisas eleitorais, desde o início da campanha, no primeiro turno, à Prefeitura de Goiânia, ao fato de ser amplamente conhecido da população da cidade e do Estado, já que construiu, ao longo da vida, uma trajetória de 58 anos de atividade pública – interrompido apenas no período que teve o mandato de prefeito cassado pelo regime militar. “Conheço o sentimento do goianiense e do goiano”.
Em entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, em seu escritório no Setor Marista, nesta capital, após participar de uma caminhada no Residencial Goiânia Viva, Iris Rezende lembrou que em duas vezes que assumiu a Prefeitura de Goiânia (1966 e 2005) e o governo de Goiás (1983 e 1991) o fez em “graves condições” econômico-financeiras e que, adianta, em poucos meses, colocou a máquina administrativa para “andar” de forma adequada. “Deus me deu o dom de administrar. Por isso, pego a máquina em situação de caos e em pouco tempo está plenamente recuperada”.
Na conversa com o DM, Iris deixa claro que, nos primeiros dias de janeiro, se eleito prefeito, vai adotar “medidas de austeridade”, já que, segundo ele, Goiânia vive um “caos administrativo”. E o primeiro ato será a de retirar o lixo acumulado na cidade, principalmente nos bairros da periferia.
O candidato do PMDB rebate as críticas do adversário deste segundo turno, o empresário Vanderlan Cardoso (PSB), de que tem culpa pelo “fracasso” da gestão de Paulo Garcia. “Meu opositor se equivoca, porque quando o prefeito me sucedeu, por dois anos e nove meses, a cidade andou sem dificuldades, porque ele governou com a equipe que eu deixei”. Iris acrescenta que, em razão disso, o prefeito Paulo Garcia foi reeleito em 2012. “Em 2010, transferi o cargo para o meu sucessor com 176 milhões em caixa”.
Iris Rezende deixou claro que, ao contrário da campanha do PSB, aproveitou a propaganda eleitoral de rádio e televisão para “apresentar propostas” e dar um “novo rumo” para Goiânia. “Só rebatemos os ataques que vieram da parte do nosso opositor”.
O peemedebista diz que houve “excessos” nas críticas de Vanderlan Cardoso à sua campanha, neste segundo turno. E diz que teve de ir à televisão e ao rádio reafirmar o compromisso de que, eleito prefeito de Goiânia, vai cumprir os quatro anos de mandato. Outro “excesso” apontado por Iris se refere à tentativa de vinculá-lo à administração de Paulo Garcia. “A oposição não alcançou êxito com esse discurso porque a população sabe que não tenho qualquer responsabilidade pelo caos da atual gestão da cidade”.
Iris Rezende ressaltou que, eleito prefeito, não terá dificuldades em manter diálogo com a Câmara Municipal, renovada, em 2 de outubro, em 60% de seus integrantes. “Quando o prefeito tem respaldo da população, ele não encontra qualquer dificuldade em aprovar os seus projetos no Legislativo”.
A campanha, no segundo turno, está na reta final e qual é a expectativa do senhor em relação ao resultado das eleições?
– A expectativa é a melhor possível. Tenho caminhado muito, realizado reuniões com lideranças políticas, classistas, de bairros e tenho notado muita motivação por parte da população em relação ao nosso projeto para uma nova gestão em Goiânia. A expectativa, portanto, é a de uma eleição expressiva, significativa em 30 de outubro, neste segundo turno da disputa pela Prefeitura de Goiânia. Eu levo uma vantagem porque o goianiense já conhece o meu estilo de trabalho, o meu comportamento no exercício de um cargo público. Nunca deixei o poder subir à cabeça. Sempre atuei de forma transparente, em contato permanente com a população, através, principalmente, dos mutirões. Quando muitos preferem descansar nos finais de semana, eu sou diferente, vou para os bairros realizar os mutirões, em contato permanente com o povo. Esse comportamento me permite sentir os anseios, as aflições e as decepções das pessoas. E assim vamos realizando o trabalho desejado pela população.
“Nunca deixei o poder subir à cabeça. Sempre procuro agir de forma transparente, em contato permanente com a população, através, principalmente, dos mutirões”
O que o senhor pensa fazer nos primeiros dias à frente da Prefeitura de Goiânia, a se confirmar a eleição?
Imediatamente iremos tomar conhecimento da real situação da prefeitura. O que se dispõe no momento, o que falta, o que é preciso ser feito. Eu tenho facilidade para tomar decisões. Todos se lembram que quando assumi a Prefeitura de Goiânia tive que tomar medidas duras em 2005, e no governo do Estado em 1983 e 1991 também não foi diferente. E medidas necessárias serão tomadas para recuperar a administração da cidade, eleito novamente prefeito de Goiânia.
A campanha esquentou neste segundo turno, com críticas ásperas e ataques. Como o senhor acha que o adversário exagerou nesta reta final?
– Houve excessos. Primeira onda que os meus adversários soltaram: eleito prefeito, o Iris não irá terminar o mandato e quem iria governar era o candidato a vice-prefeito. Eu tive que explicar à população que, eleito prefeito, vou permanecer no cargo até o último dia do meu mandato. Outra onda do meu adversário: a de comparar a minha administração à do atual prefeito e que eu seria responsável pelo o que está ocorrendo hoje na cidade. Foi uma desonestidade. Tive que explicar que deixei a prefeitura com 176 milhões de reais em caixa quando transmiti o cargo em 31 de março de 2010 e a folha dos servidores em dia. Como se eu tivesse culpa com a situação de caos vivida pela prefeitura atualmente. Quando o Paulo Garcia concluiu os dois anos e nove meses de meu mandato, ninguém viu diferença. Por quê? Porque ele manteve a minha equipe lá. Tanto é que ninguém notou diferença e ele foi reeleito prefeito no primeiro turno. Tanto é que a administração ia bem que nem deixei o PMDB lançar candidato a prefeito e sim a vice-prefeito. Então, o que se viu, neste segundo turno, foi o meu opositor pregando como se eu fosse o responsável pelo não recolhimento do lixo, pela falta de vagas nas escolas, remédios nas unidades de saúde e pelas dificuldades vividas pelo transporte coletivo. Não aceito essa comparação, porque na minha gestão tudo funcionou bem. Abri a licitação para as empresas do transporte coletivo, colocamos mil e 200 novos ônibus em Goiânia. Quando saí, começaram a inventar moda, não deram o reajuste da passagem de ônibus, distribuíram 60 mil passes e não pagavam. Quer dizer, desestruturam as empresas. Eu deixei a prefeitura em situação organizada, funcionando bem, com dinheiro em caixa, 20 milhões de reais para a Alameda do Botafogo, 20 milhões para a reforma do Mutirama e verba garantida, através de emendas da bancada federal de Goiás, para a Avenida Leste-Oeste. E o que se vê agora é o meu opositor querendo iludir a população como se eu fosse o culpado pelo caos que existe hoje na cidade. Sempre agi com seriedade e falando a verdade na campanha e no exercício da função pública. Eu procuro, nesta campanha, levar ao eleitor as minhas propostas para uma administração moderna, eficiente e responsável em Goiânia.
Como o senhor pretende se relacionar com a nova Câmara Municipal, considerando o elevado índice de 60% de renovação dos vereadores em 2 de outubro, caso seja eleito prefeito?
– Todo relacionamento do Executivo com o Legislativo depende do comportamento do prefeito. Quando o prefeito tem o apoio da população, não falta apoio do Legislativo. Quando o prefeito vai bem e o vereador quer fazer uma oposição inconsequente, a população o repreende. Estou certo que contarei com o apoio da Câmara Municipal porque tenho o respaldo da população, credibilidade e diálogo com todos os segmentos da sociedade. Eu começo a trabalhar cedo, visito todas as obras, tudo passa pelas minhas mãos.
“Quando muitos preferem descansar nos finais de semana, eu sou diferente, vou para os bairros realizar os mutirões, em contato permanente com o povo”

O senhor tem dito, na campanha, que a população de Goiânia perceberá, já nos primeiros sessenta dias, as mudanças da administração…
– Em sessenta dias já tomei conhecimento da realidade administrativa, pessoal e financeira da prefeitura, sobre o andamento de cada projeto, o que me permitirá agir de imediato. No caso da limpeza, temos que agir rápido, pois temos uma estrutura, a Comurg. Quem anda pela periferia de Goiânia fica espantado porque por todo lado é lixo, lixo e lixo.
Eleito prefeito, o senhor vai assumir a prefeitura em um momento de crise econômica nacional, o que o obrigará a administrar mais com recursos municipais do que federais. O senhor está preparado para enfrentar uma situação de crise?
– Realmente há uma crise econômica nacional e que tem prejudicado o comércio e a indústria, provocando, por exemplo, o aumento do desemprego. Esse ambiente tem afetado a população, principalmente a classe média, que tem consumido menos. O País vive um momento de aflição, com milhares de brasileiros desempregados. E Goiânia não ficou fora desse cenário de dificuldades. O mérito do administrador é enfrentar os problemas e buscar a superação dessas dificuldades. Em um ambiente de crise, temos que ser austeros, cortar gastos e sermos criativos na gestão pública. Nesta hora, a palavra de ordem é reduzir despesas, cortar gastos, agir com energia e firmeza.
“Eleito prefeito,logo nos sessenta primeiros dias vamos tomar as medidas que Goiânia precisa, começando pela limpeza geral da cidade”

O senhor tem liderado todas as pesquisas eleitorais desde o início da campanha, no primeiro turno. O senhor atribui esse favoritismo ao perfil de administrador já testado em Goiânia e em Goiás?
– A vantagem que levei no primeiro turno e espero levar no segundo turno é a de que a população de Goiânia e de Goiás já me conhece, sabe da minha capacidade de administrar, meu conhecimento e minha firmeza no trato da coisa pública. São 58 anos de vida pública. As pessoas mais velhas passam aos filhos e netos as informações de que, na vida pública, eu tenho muito critério e pulso firme.
Então essa longevidade na vida pública o beneficia nesta campanha eleitoral?
– Sim, a experiência e a vivência contam muito na avaliação da população. Os meus adversários espalharam no início da campanha, no primeiro turno: o Iris está velho demais. E, de repente, as pessoas me veem nas caminhadas e dizem: “Uai, o Iris não está tão velho assim” (risos). Então, a minha presença ativa na campanha tem demonstrado que Deus me tem dado energia e saúde. Eu não vejo diferença dos meus 82 anos idade de quanto tinha 62 anos, ou seja, vinte anos atrás. É a mesma situação. Me levanto cedo, cinco, cinco e meia da manhã. Faço meus exercícios, três vezes por semana. Quando tem, participo de maratona. A minha mente está saudável. Deus me privilegiou, me dando saúde, corpo sem defeito.
O senhor tem repetido que sem Goiânia não teria dado passos significativos na vida pública do Estado e do País…
– Devo a minha carreira política a Goiânia. Tudo começou quando fui eleito vereador, o deputado estadual mais votado na cidade e em seguida prefeito de Goiânia. Sem Goiânia eu não seria duas vezes governador, senador da República, ministro de Estado. Por isso é que digo que Goiânia me projetou na vida política estadual e nacional. Quando revi aquela decisão, em julho, de não me afastar da vida pública, o fiz exatamente pelo meu sentimento de gratidão com Goiânia.
Qual sentimento o senhor tem em relação ao seu adversário do segundo turno, o empresário Vanderlan Cardoso?
– Nada me surpreendeu, porque conheço o Vanderlan Cardoso há tantos anos. Ele entrou no PMDB, a convite nosso, saiu porque quis. Disputamos duas eleições para o governo de Goiás e nunca tivemos qualquer choque. Sempre houve, entre nós, um clima de respeito. Agora, tenho dito e repito: para governar Goiânia a pessoa tem que conhecer a cidade de ponta a ponta e, sobretudo, conhecer o sentimento da população. Cada canto de Goiânia é uma realidade. Eu tenho conhecimento da população de Goiânia e tudo começou em 1966, quando adotei na cidade o mutirão, um movimento de solidariedade das pessoas em prol de causas comuns.
O eleitor cobra propostas para modernizar a administração e reprova ataques durante as campanhas eleitorais. O que o senhor pensa sobre isso?
– O cidadão está correto quando exige dos candidatos o debate em torno de propostas que venham a melhorar a qualidade de vida da população. Por isso, na propaganda eleitoral de rádio e televisão, nós priorizamos a apresentação de propostas e a coligação mostrou ideias e projetos avançados nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, habitação popular, mobilidade urbana, trânsito, transporte coletivo, esporte e lazer. Nunca fiz campanha me preocupando com o adversário. A minha história de vida mostra que sempre tive sucesso por tratar de questões relacionadas à qualidade de vida das pessoas. Os mutirões, as casas populares e as escolas de tempo integral confirmam isso.
Como o senhor vê os desgastes que partidos e políticos enfrentam, com reprovação junto à população?
– Vejo com preocupação esse ambiente político, em que a corrupção lastra por diversas esferas de poder. Chegou a hora de se aprovar uma reforma política que permita a existência de partidos com cunho ideológico e com raízes fincadas na sociedade. Os escândalos que ocorreram no País, nos últimos anos, deixaram a sociedade brasileira perplexa. É preciso virar a página dessa fase triste da história nacional. O dinheiro público precisa ser aplicado em benefício do cidadão. A cada eleição, o cidadão precisa expurgar o mau político, varrer da vida pública o desonesto. Tenho a esperança que o bem vai predominar sobre o mal, e o País, em breve, vai experimentar uma nova fase de muita transparência e limpidez na vida pública, em todas as esferas.
“Eu e o Vanderlan disputamos duas eleições para o governo de Goiás e nunca tivemos qualquer choque. Sempre
houve, entre nós, um clima de respeito”
O jovem tem compreendido o seu discurso nesta campanha eleitoral?
-No nosso plano de governo temos incluído propostas voltadas para a abertura de oportunidades para o jovem, principalmente em relação à qualificação de mão de obra, aprimoramento no ensino tecnológico, maior participação nas iniciativas esportivas e culturais. O jovem tem abraçado a minha campanha porque sabe que, eleito prefeito, vou implementar programas sociais de inclusão de diversos segmentos da sociedade na vida pública de nossa cidade. Fico entusiasmado com o engajamento da juventude na nossa campanha eleitoral.
Perfil
- Iris Rezende (PMDB)
- Natural: Cristianópolis
- Idade: 82 anos
- Estado civil: casado, três filhos
- Vice-prefeito: Major Araújo (PRP)
- Coligação: Experiência e Confiança (PMDB/PRP/DEM/PDT/PTC/PRTB)
- Mandatos: vereador, deputado estadual, prefeito de Goiânia (três vezes), governador do Estado(duas vezes) e senador da República
- Cargos: ministro da Agricultura (governo Sarney) e Justiça (governo Fernando Henrique)