Cotidiano

Quando é preciso ligar o alerta para a desnutrição

Redação DM

Publicado em 28 de outubro de 2016 às 00:45 | Atualizado há 10 anos

A alimentação saudável é um dos pilares da boa saúde e, em decorrência disso, é também uma das maiores preocupações das mães. Os hábitos alimentares da primeira infância são determinantes para o bom crescimento e desenvolvimento intelectual da criança. Contudo, durante essa fase, muitos pais enfrentam problemas que vão desde a dificuldade de aceitação de determinados alimentos do cardápio até o desafio de fazer o filho se alimentar adequadamente.

Dados do Ministério da Saúde demonstram que apenas 60% das crianças brasileiras na fase inicial de alimentação sólida (entre 6 meses e 2 anos) ingerem alimentos saudáveis, como legumes e verduras, com frequência. Por outro lado, mais de 40% delas já consome alimentos industrializados ricos em açúcares e conservantes.

Este cenário liga o alerta para a desnutrição, uma vez que revela hábitos preocupantes da alimentação das crianças. Identificar quais sinais podem indicar uma carência nutricional não é uma tarefa fácil para os pais.

Identificando

Certamente, a perda ou dificuldade no ganho de peso, no crescimento e a má aceitação do alimento são as situações que mais preocupam os pais. Porém, por mais que esses sejam os principais indicadores de um problema nutricional, é preciso observar outros sinais que podem sugerir um problema dessa ordem. Ainda que a criança não apresente problemas relacionados ao apetite, é preciso observar a qualidade da alimentação. Muitas vezes, mesmo uma criança que se alimenta normalmente pode apresentar algum indício de falta de nutrientes.

De acordo com a nutricionista Joana Carollo, isso ocorre porque o problema não é decorrente exclusivamente da falta de alimentos “Na verdade, a desnutrição é caracterizada como um desequilíbrio na oferta de nutrientes, seja pela ingestão insuficiente ou inadequada de alimentos, seja pela dificuldade de absorção do organismo”. Justamente por isso, é importante observar outros sinais: mesmo que a criança esteja dentro do peso considerado normal, o problema pode fazer com que ela apresente um comportamento fora do habitual, geralmente demonstrando fraqueza, falta de apetite, apatia, pele e cabelos ressecados e, sobretudo, problemas de saúde recorrentes.

Naturalmente as crianças já são mais sujeitas a gripes e infecções, mas quando isso acontece repetidamente pode ser um alerta para a desnutrição: “A carência de vitaminas, sais minerais e outros micronutrientes pode prejudicar a resposta imunológica e deixar a criança mais vulnerável a essas situações, adoecendo com mais frequência”, explica a nutricionista.

 

Nutrientes essenciais para as crianças

Ferro: Essencial para o desenvolvimento físico e psicomotor durante a infância, sua carência pode levar a anemia ferropriva, que afeta tanto o crescimento, quanto o aprendizado. A falta deste mineral diminui a resistência do organismo e também pode afetar o comportamento da criança, levando à fraqueza, falta de memória, irritabilidade e indisposição. Para reforçar sua oferta é importante incluir no cardápio alimentos ricos em ferro como a beterraba, o fígado de boi, feijão e couve.

Zinco: Por estar relacionado ao metabolismo hormonal e a diversas reações enzimáticas do organismo, sua carência pode limitar o crescimento da criança, afetar o paladar, e afetar seu desenvolvimento cognitivo. Da mesma forma, seu baixo aporte pode enfraquecer a resposta imunológica e causar episódios de diarreia. Alimentos como o agrião, a escarola, o farelo de trigo, a aveia e sementes de girassol são ricos em zinco.

Cálcio: Este mineral é essencial na formação do conjunto esquelético, crescimento e fortalecimento de ossos e dentes. Sua carência pode prejudicar o desenvolvimento da estatura, levando a complicações como raquitismo e má formação óssea. As principais fontes desse mineral são produtos lácteos e seus derivados, contudo também existem opções vegetais como o couve, brócolis, amêndoas e castanhas. Para melhorar sua oferta, a nutricionista dá outra dica “A vitamina D melhora a absorção do cálcio, portanto é importante consumir alimentos ricos nesse nutriente como peixe e ovos. ”,  além de tomar sol moderadamente, que é principal fonte natural dessa vitamina.

Vitamina A: Além de fundamental para a saúde ocular, a falta desse mineral pode igualmente prejudicar o crescimento da criança e afetar significativamente seu sistema imunológico. A nutricionista reforça sua importância: “Esse nutriente é classificado como essencial, ou seja, não é fabricado pelo organismo e deve ser adquirido através da alimentação. ” Boas fontes de vitamina A são vegetais folhosos de coloração verde escura, a gema do ovo e frutas como a manga e o mamão.

 

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