Cotidiano

Universidades em Goiás são ocupadas

Redação DM

Publicado em 22 de outubro de 2016 às 01:39 | Atualizado há 2 anos

Estudantes ocupam dez unidades federais de educação em Goiás. Eles protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que estabelece teto para o aumento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos, a reforma do ensino médio e a falta de investimento em educação.

As unidades ocupadas, até o fechamento desta edição, são do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), câmpus em Goiânia, Goiânia-Oeste, Anápolis, Valparaíso de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Luziânia e Jataí. Também estão ocupados o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) de Urutaí e Ceres, além da Universidade Federal de Goiás (UFG) campus Cidade de Goiás.

Conforme a professora de Língua Portuguesa e Literatura do IFG em Goiânia Deusa Castro os atos são pacíficos. “A ocupação foi deflagrada pelos alunos. Na terça-feira eles fizeram uma assembleia e decidiram pela ocupação imediata”, explicou. Cerca de 300 alunos participam do ato na unidade e outros 100 no câmpus Goiânia Oeste. Não há previsão para o fim das manifestações.

Deusa Castro afirmou que apoia a ocupação. “Acredito que esse momento é crítico para a educação e que a sociedade precisa se manifestar para impedir o sucateamento das instituições públicas de ensino”, disse.

Ela alega, ainda, que, no caso do ensino público federal, o corte de verbas poderá afetar as condições de funcionamento de muitos setores. “Os cortes de bolsas de pesquisa, de bolsas de auxílio que garantem a permanecia de alunos de baixa renda nos cursos, a redução brusca de verbas para manutenção das atividades atingem cada aluno, professor, servidor administrativo da educação pública federal”, avaliou a professora.

Em nota, o IFG destacou que os atos “são organizadas por estudantes”. A instituição ainda informa que “as ocupações estão sendo acompanhadas de perto pelos diretores-gerais das unidades ocupadas”.

Brasil

Conforme o Movimento Ocupa Paraná, 850 escolas no Brasil estão ocupadas, 14 universidades e três núcleos de educação. Já o portal Mídia Ninja garante que são 1.020 instituições ocupadas em todo o País, sendo 82 institutos federais, duas reitorias, 51 universidades, três núcleos de educação, 881 escolas e uma Câmara Municipal.

Greve

Reunidos no câmpus Goiânia do IFG, os servidores da base do Sindicato dos Trabalhadores em Instituições Tecnológicas Federais de Goiás (Sintef-GO) deflagraram greve na quinta-feira, 20. A greve se inicia a partir da próxima terça-feira, 25 de outubro.

A paralisação das atividades foi decidida por professores e técnicos-administrativos, sendo 88 votos a favor e 28 contra. A proposta de paralisar imediatamente derrotou a proposta de aguardar a indicação de data do calendário nacional, que tem previsão de greve para segunda quinzena de novembro.

Conforme o Sintef-GO, a decisão da greve é uma forma de “aglutinar forças na luta contra o ajuste fiscal promovido pelo governo Temer, especialmente contra a PEC 241, o PL 257, reforma da Previdência Social e contra a medida provisória de reformulação do ensino médio, entre outros ataques à classe trabalhadora e aos direitos sociais”.

MEC

O Mistério da Educação encaminhou aos dirigentes das instituições federais de ensino, na quarta-feira, 19, um ofício dando o prazo de cinco dias para que eles identifiquem e encaminhem ao governo federal os nomes de manifestantes que ocupam câmpus dos institutos federais pelo País.

O Conselho do Câmpus Goiânia do IFG emitiu uma nota em defesa da democratização e autonomia, em repúdio à solicitação de que fosse enviada lista com nome dos alunos que estão na ocupação.

“Por um lado, manifestamos nosso completo desacordo e repúdio a qualquer tipo de ação que fira ou venha a ferir o princípio democrático garantidor da autonomia político-pedagógica, bem como administrativo-financeira e patrimonial que fundamentam e constituem social e legalmente essa instituição (conforme Lei Federal nº 11.892/2008). Por outro lado, manifestamos o entendimento de que as Instituições Públicas de Ensino, respeitando o princípio democrático da pluralidade e garantindo o dissenso, devam estar constantemente abertas ao amplo debate, seja de qual natureza for, e a livre expressão, manifestação e organização da diversidade que a constitui, como forma de atender aos anseios de uma sociedade complexa e pluralista, como a sociedade brasileira”, diz a nota

PEC 241

O texto base da proposta já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em primeira votação. Em Goiás, dos 17 deputados,  o único que votou contra a PEC foi o parlamentar Rubens Otoni (PT). Para ter aprovação final, a proposta ainda precisa passar por um segundo turno de votação na Câmara e mais dois turnos no Senado.

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia