Virmondes Cruvinel: “Estou bem no PPS e não vou deixar o partido”
Redação DM
Publicado em 21 de outubro de 2016 às 00:54 | Atualizado há 10 anosCom o fim da campanha eleitoral – restando apenas nas cidades que terão segundo turno -, o que se percebe é que muitos candidatos a prefeito em seus municípios não receberam apoio integral de seu próprio partido ou de políticos que fazem parte da coligação. Em Goiânia, o candidato Vanderlan Cardoso (PSB), que tem o apoio da base do governo do Estado, não recebeu para o primeiro turno a colaboração de todos os integrantes dos partidos que compõem sua coligação, como é o caso do deputado estadual Virmondes Cruvinel (PPS), que declarou apoio integral à candidatura do Delegado Waldir (PR). A justificativa foi o fato de sua mãe, Rose Cruvinel (PMN), ter sido candidata a vice-prefeita na chapa do deputado federal.
Apesar da infidelidade de Virmondes, o presidente estadual do PPS em Goiás, deputado federal Marcos Abraão, esclareceu ao Diário da Manhã que o parlamentar não será punido por sua atitude. “Não terá nenhuma retaliação do Diretório Regional em relação ao deputado Virmondes”, frisou. Apesar do posicionamento de Abraão, o presidente do PPS Metropolitano, Darlan Braz, condenou a ação de Virmondes e destacou que o partido deverá tomar alguma atitude. “O PPS não tolera atos de infidelidade, isso é da cultura do partido. Entendemos que só teremos condições de construir um projeto sólido quando todas as pessoas compreenderem a amplitude e se integrarem”, ressaltou.
Darlan ainda relembrou que o partido já expulsou uma série de lideranças por todo o País devido infidelidade partidária, como foi o caso do ex-ministro Ciro Gomes, e reafirmou que as declarações públicas de Virmondes em apoio ao candidato Delegado Waldir não foram corretas. “Acredito que o deputado Virmondes Cruvinel errou e penso que isso terá reflexo na carreira política dele. Até porque, véspera a data da Convenção, ele [Virmondes] estava na condição de ser o nosso nome a vice-prefeito para compor a chapa com o Vanderlan”, contou.
Procurado pela reportagem do Diário da Manhã, o deputado estadual Virmondes Cruvinel justificou a atitude de não ter seguido orientação do partido em apoiar Vanderlan Cardoso e ressaltou o trabalho realizado no interior de Goiás pelo partido. “Estou muito bem no PPS, ajudei na eleição de vários vereadores do partido no interior. Além de ter ajudado a eleger dois dos quatro prefeitos eleitos pela sigla”, explicou. Virmondes também destacou seu posicionamento para o segundo turno nas eleições da Capital: “Em Goiânia, dedico essa semana a ouvir líderes comunitários e de segmentos que me apoiam e a tendência no segundo turno é seguir com o PPS no apoio a Vanderlan”, declarou.
Durante a entrevista ao DM, Darlan Braz sugeriu que Virmondes já teria uma aliança com o PR (partido de Delegado Waldir) para mudança de partido. “Há nos bastidores que ele [Virmondes] fez um acordo com a Magda [Mofatto], que se comprometeu a financiá-lo para deputado federal, o que de certa forma acaba manchando ainda mais a imagem dele. Porque se havia a questão do clamor pessoal, porque sua mãe era candidata, agora isso se desconstrói com essas afirmações, e mostra que ele é um novo com as práticas antigas”, criticou o presidente do PPS Metropolitano. Questionado sobre sua ido para o PR, Virmondes afirmou que não tem essa intenção. “Estou bem com a direção regional do PPS e não cogito a possibilidade de mudança”, assegurou.
Infiéis
Em Aparecida de Goiânia, o candidato do PSDB, Professor Alcides Ribeiro, não recebeu o apoio de um nome de peso de seu partido na cidade, Ozair José (PSDB) – que era cotado para ser o candidato a prefeito pelo partido, mas não foi o escolhido. Ozair, apesar de fazer parte de um partido de oposição a atual gestão de Aparecida, é o vice-prefeito do município e assumiu a coordenação de campanha do candidato da situação, Gustavo Mendanha (PMDB) – eleito com quase 60% dos votos.
Com as declarações de não apoio aos candidatos do próprio partido é possível que os infiéis sejam punidos por infidelidade partidária. Em 2014, nas eleições para governador, o empresário José Batista Júnior – conhecido como Júnior Friboi -, foi expulso do PMDB após negar a candidatura do então candidato do partido, Iris Rezende, e declarar publicamente apoio ao adversário, o governador Marconi Perillo (PSDB).