Esportes

Obras da falsidade

Redação DM

Publicado em 5 de outubro de 2016 às 02:10 | Atualizado há 10 anos

  •  Intervenção custou R$ 100 milhões para ser realizada

Um estudo feito pela DFA Engenharia e pela Controlatto, e divulgado pela rádio CBN, concluiu que o Estádio Nilton Santos, o Engenhão, não precisava ter sido interditado em 2013. Com isso, a obra de R$ 100 milhões para reparar a cobertura foi desnecessária, pois ela não apresentava riscos.

O laudo ainda concluiu que as falhas encontradas há dois anos são consideradas normais em construções grandes. Além disso, não há sinais de desgaste, já que as ferrugens nos arcos de sustentação eram, na realidade, falta de pintura.

Em 2013, a Prefeitura do Rio de Janeiro fechou o Engenhão para reformas por conta de um laudo da alemã SBP. A empresa alegou que a cobertura corria riscos de desabar em caso de ventos com mais de 63 km/h. Três meses após a interdição, prefeitura, Odebrecht – a vencedora da licitação do Maracanã – e OAS firmaram acordo para que o consórcio fizesse o reparo na cobertura.

Segundo o engenheiro Gilberto Couri, isso resultou na afirmação de que a cobertura poderia cair em caso de ventos de 63 km/h. “O Engenhão não tinha problema nenhum. Estava absolutamente estável e em condições de funcionamento. Esse laboratório alemão recebeu uma encomenda específica para fazer esse trabalho. E adotou premissas completamente erradas”.

“Se você entra com premissas erradas, o resultado não pode sair certo. A partir desses resultados errados, fez-se uma análise estrutural que também foi errada e daí chegou-se a essas conclusões”, complementa Couri.

Para ele, o Engenhão estava mais seguro antes, já que foram inseridas mil toneladas de material na cobertura, sem que houvesse reforço na base. “Isso não ocorre na natureza, é um absurdo do ponto de vista técnico. Então as conclusões são completamente fora de propósito. Eu me arrisco a dizer que, antes do reforço, ele estava mais seguro do que hoje a gente teria condições de ter em termos de segurança”.

O Nilton Santos foi reaberto no dia 7 de fevereiro de 2015, quando o Botafogo goleou o Bonsucesso por 4 a 0 no Carioca. O estádio ainda foi utilizado durante a Rio-2016. A estimativa é que o clube Alvinegro tenha tido uma perda de mais de R$ 45 milhões em contratos pelo tempo que o estádio ficou fechado.

O estádio conta com quatro grandes arcos sustentando 36.000 m² de cobertura para as arquibancadas. O estádio foi construído com capacidade de suportar ventos de mais de 126 km/h, considerando os recordes de rajadas de vento para a cidade.

O consórcio RDR, formado por Racional, Delta e Recoma e que foi responsável pela primeira parte da obra, briga na Justiça contra o consórcio Engenhão, formado por Odebrecht e OAS. A Odebrecht tenta receber cerca de R$ 100 milhões, alegando que falhas haviam sido causadas por erros no projeto.

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia