Política

A candidata que representa o novo do PT

Redação DM

Publicado em 2 de outubro de 2016 às 11:54 | Atualizado há 10 anos

 

A deputada estadual Adriana Accorsi (PT) tornou-se naturalmente o nome petista para disputar a sucessão de Goiânia após vencer as eleições em 2014.

Sua campanha contagiou o eleitorado, sendo uma das revelações das urnas daquele ano, ao lado de Mané de Oliveira (PSDB) e do deputado federal Delegado Waldir (PR).

Um das mais votadas na disputa de 2014, a delegada de polícia e filha do ex-prefeito Darci Accorsi chega nas eleições deste ano com um desafio: separar sua proposta política do partido que governa o município.

A experiência política é a prova de que sigla, sim, conta nas disputas – ao menos para tirar votos.

O partido da pré-candidata é um dos principais envolvidos no epicentro do escândalo da Lava jato.  E o maior protagonista do mensalão – um ataque ao princípio central da República, a independência dos poderes.

Apesar de tudo, ela ainda figura bem colocada nas pesquisas, obtendo a quarta colocação.

Sobre  corrupção, o maior estigma contra seu partido, a pré-candidata já disse ao DM que o PT não é o único envolvido em escândalos. “O argumento que coloco sempre é: existe corrupto em todos os partidos, não só no PT.”

A diferença de Adriana Accorsi é exatamente o modelo de política que tem proposto: apesar de integrar o segmento da segurança pública, conquistou voto de uma parcela da sociedade que debate direitos humanos.

É neste contexto que sua candidatura é um filão na disputada eleição de outubro. Ao contar com votos da máquina (servidores municipais e seus familiares) e militantes do PT, a pré-candidata mostra possibilidades reais de vitória na disputa.

Mas o fato é que a campanha será inglória: desde o início das disputas do partido na capital, ela será a candidata que começa a competição  com menor capital político. O PT sempre iniciou uma disputa destas com 15% a 30% de apoio da população. Agora, é lembrada como uma alternativa ao estilo do líder da disputa – delegado Waldir -, mas de menor impacto.

Na verdade, a profunda ironia da delegada como vítima da violência que se alastra em Goiânia foi o que faltava para que sua postulação se sobressaísse em uma possível disputa com o deputado estadual petista Luiz Cesar Bueno – que ameaçou interesse em concorrer ao cargo.

No início da disputa, a petista foi cotada para ser a vice de Iris Rezende. Com o distanciamento do peemedebista e o agravamento das relações com o PMDB, restou à deputada o vereador Deivison Costa (PT do B) com vice da petista.

Para a imprensa, ela reconhece que o prefeito Paulo Garcia não conseguiu desenvolver uma gestão adequada para a área de segurança – o que nem era necessariamente sua função.

Para a pergunta mais capciosa, ela responde de forma automática: “Se eleita, a minha gestão não será de continuidade à que está aí”.

Adriana tem afirmado para os interlocutores que é natural que cada gestor tenha um jeito de administrar. Daí que ela será diferente dos demais ex-prefeitos da Capital – Darci Accorsi, Pedro Wilson e Paulo Garcia.

Adriana diz que acha justo a população participar do direcionamento dos recursos.

Previsto no Plano Diretor de Goiânia, o mecanismo do Orçamento Participativo foi deixado de lado pelas gestões do PT e do PMDB das duas últimas décadas. O cientista político Leonardo Avritzer, de Minas Gerais, sugere que os cardeais petistas liderados por José Dirceu teriam optado em negar o direito de controle orçamentário ao povo.

Sobre segurança pública, Adriana tem recordado seu passado como gestora:   “Realizamos várias ações. Meu trabalho como delegada chefe, como delegada de criança e adolescente em uma década, mostra que modernizamos, conseguimos resolver o problema dos combustíveis. Equipamos a Polícia Civil. Conseguimos mobiliário novo, a primeira Escola Superior da Polícia Civil. Conseguimos R$ 12 milhões junto ao governo federal. É a melhor escola do Brasil”, recorda.

Adriana ainda lembra que equipou novas viaturas para a Guarda Municipal de Goiânia, tornando-a mais eficiente e presente na cidade.

 

HISTÓRICO

Adriana Accorsi tem origem semelhante ao delegado Waldir: começou sua carreira policial após ser aprovada no primeiro concurso realizado pelo governador Marconi Perillo, em seu primeiro mandato, em 2000.

Accorsi se destacou na última década com atuações em grandes causas – geralmente, temas midiáticos e de interesse popular. Além de contar com grande apoio da imprensa, que divulgava seu trabalho,  a delegada é considerada um ser humano carismático, de grande humanidade e disposta a auxiliar quem a procura.

Junta-se a isso a herança do pai, o ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi.  Através de Darci, a filha resgatou os valores do pai, considerado um bom prefeito da capital e político carismático – o que primeiro estruturou o PT como um partido competitivo em Goiás.

Como cada candidatura se resolve de forma interna, primeiro com os próprios militantes, a apresentação de Adriana Accorsi ainda não ocorreu com o impacto necessário. Além disso, falta pesar as propostas. A disputa não aplica as mesmas regras para todos. Enquanto delegado Waldir vive dor recall das eleições passadas, a petista precisa se articular e mostrar como pretende estruturar sua campanha e gestão.  O tempo agora é inimigo da sua candidatura.

 

[box title=”PERFIL da candidata

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Adrana Accorsi

Nascimento: 17/03/1973

Formação: Direito (UFG)

Profissão: delegada de polícia

Gestão: secretária municipal de Defesa Social, na gestão de Paulo Garcia, e superintendente de Direitos Humanos da Secretaria da Segurança Pública de Goiás

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