Brasil

Ína, nunca mais!

Redação DM

Publicado em 1 de outubro de 2016 às 02:25 | Atualizado há 10 anos

O médico aplicou o estetoscópio ao coração, aferiu a pressão arterial, depois recomendou ao paciente que não usasse nada terminado em ína”, a começar da cafeína. O paciente, que era muito simplório, mas muito cioso da saúde, e morria de medo de morrer, saiu do consultório médico buscando se lembrar de uma lista de coisas com o sufixo ìna, que devia resolutamente eliminar de sua vida.

O paciente cultivava o hábito de, ao chegar em casa, descansar os pés calçados em cima da mesa. Não deu outra naquele dia, pôs os pés em cima da mesa, pra desespero da esposa, e entrou a matutar, matutar, procurando se recordar, além da cafeína, de outras coisas terminadas em ína. Nesse instante, mirou os pés e eis ali, justamente tão perto dele, um dos males dos seus hábitos.

– Ah, danada! Comigo não! – falou, determinado.

Descalçou a botina e atirou-a longe. Tão longe que foi bater lá na meia-água do vizinho.

– Ína, nunca mais! –  disse consigo, feliz da vida.

 

(Pedro Nolasco de Araujo, mestre, pela PUC-Goiás, em Gestão do Patrimônio Cultural, advogado, membro da Associação Goiana de Imprensa – AGI)

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