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Caso de polícia que “parece coisa de cinema”

Redação DM

Publicado em 29 de setembro de 2016 às 02:32 | Atualizado há 2 anos

  • Quarto 10 constrói um filme de ficção a partir do famoso caso Vilma Martins, condenada por sequestro de bebês em Goiânia

Estreia hoje o filme Quarto 10, uma ficção baseada no caso Vilma Martins, julgada por sequestro de crianças, que veio a tona no ano de 2012. De acordo com a cineasta Isabela Eva, idealizadora dessa produção, o filme não só representa um caso policial de grande repercussão da época mas principalmente os desdobramentos destes episódios de sequestro.

Em Quarto 10 participam atores como Stepan Necerssian no papel do delegado Antônio Gonçalves, responsável pelo caso, e o ator Igor Cotrim, com extensa carreira no cinema e na tv, que desenvolve o personagem de Rúbio, um médico que ajuda a sequestradora em seu crime.

Também integram o elenco os atores goianos: Leopoldo Rodrigues, Márcia Gomes, MirianSeir, Isabella Naves, Kleber Alves, Jade Barbosa, Adriana Brito, Fernando Naser, Cynthia Borges, Úllima Eduarda e a pequena Ísis Gama Lira. O cantor Sérgio Reis com sua canção Coração de Papel entra na trilha sonora do curta-metragem.

 

O Caso Vilma Martins

O primeiro e mais comentado caso de sequestro cometido por Vilma foi o de Pedrinho, descoberto em 2012 a partir da denúncia da neta do ex-marido de Vilma Martins Costa, Gabriela Azeredo Borges. Após investigações, a polícia chegou à conclusão que outra filha de Vilma, Roberta Jamilly, também havia sido sequestrada.

O curta foca nesse trecho da história, o caso do sequestro de Aparecida Fernandes Ribeiro da Silva, nome de batismo de Roberta. Ela foi levada de uma maternidade em Goiânia em 1979, portanto um crime anterior ao sequestro de Pedrinho.

Isabela Eva, que dirigiu, construiu o roteiro e atuou no curta, conta que a produção tem como principal objetivo homenagear o delegado responsável pelo caso, Antônio Gonçalves. O delegado faleceu em 2012 em uma trágica queda de helicóptero onde morreram mais sete pessoas incluindo o piloto. Entre os passageiros estavam integrantes da Polícia Civil e suspeitos de uma chacina em Doverlândia.

Antônio Gonçalves, com a ajuda de peritos, mandou realizar um DNA a partir de uma bituca de cigarro que Roberta Jamily descartou na delegacia. Exame revelou que ela era na verdade filha de Francisca Maria Ribeiro da Silva, de 63 anos, que no final dos anos 70 teve sua filha levada da maternidade por Vilma Martins.

 

Quarto 10, uma homenagem

Isabela relata que o filme também é uma homenagem a dona Francisca, com quem a diretora manteve bastante contato para a produção do filme. A homenagem a Francisca é a parte do filme que demonstra sensibilidade à dor materna de quem passou grande parte da sua vida na busca de sua filha, roubada enquanto ainda lhe doía o parto.

Em entrevista ao portal de conteúdo Minutos, a diretora Isabela Eva contou a inspiração para fazer essa produção cinematográfica: “Casos reais me inspiram bastante. Eu vejo as pessoas e seus dramas e me vejo naquele lugar, naquela situação. Aprendi assim como atriz.”

O trabalho de pré-produção exigiu muita pesquisa e o delegado Antônio Gonçalves, que fez questão que o nome dele fosse mantido no filme, foi crucial nessa fase como conta Isabela. “Liguei para o Dr. Antônio, que estava na época na Delegacia de Furtos e Veículos, e ele agendou uma reunião comigo. Saí de lá com uma sensação incrível de humanidade. Ele ainda me passou todo o material para minha pesquisa e aí o delegado, a partir daquele dia, passou a ser o personagem principal do roteiro”.

No filme quem vive o delegado é o ator Stepan Necerssian, que relatou para a Minutos a experiência de fazer um filme goiano, sua terra natal. “Goiás é um celeiro de talentos artísticos e terra de bons atores. Filmar com meus colegas daí não tem nada diferente do que Rio-SP. Excelentes atores e atrizes. Profissionais”.

Stepan conta como travou sua relação com o personagem e a interação com quem era o real delegado Antônio em seu espaço real de trabalho. “Ter filmado na Deic acrescentou muito ao filme. Dr. Antônio é muito querido, respeitado e admirado por seus colegas policiais. Todos que passaram por ali externaram muita saudade dele. Tive encontros emocionantes e minha admiração aumentou”.

O ator Igor Cotrim revela as características de seu personagem no curta. “O Dr. Rubio foi bem interessante em fazer, imaginar um médico que se preste a fazer um crime desses e ainda por cima fazer uma cesárea desnecessária para acobertar a personagem Vívian, já bastaria para aceitar o trabalho”.

Igor conta como foi o processo de conhecer a história a qual representaria. Pesquisar e instuição para mim vem de mãos dadas, são complementares. Conheci sim a história na época. Isabela me enviou outras reportagens para eu me inteirar, mas o feeling sempre é acionado, e espero que dia 29 possamos emocionar as pessoas que forem ver nossa estreia”.

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