Prefeitura não é lugar de assassino
Redação DM
Publicado em 29 de setembro de 2016 às 02:19 | Atualizado há 10 anosDe acordo com um relatório sigiloso, num documento secreto do exército americano revelado pelo site Wikileaks, que se tornou ícone ao revelar segredos internacionais, afirma-se que a terra poderá ficar sem água potável em menos de 34 anos. Detalhes no estudo revelam que, por volta de 2025, um terço da população mundial terá inconvenientes gravíssimos para dispor de água que se possa beber. Essas análises comprovam o que cientistas alertam há décadas: a ganancia e a irresponsabilidade estão comprometendo os recursos hídricos da humanidade.
No que interessa á capital de todos os goianos e cidades vizinhas, mentes lúcidas estão alertando, sem que ninguém ouça, sobre a importância de se preservar o único bolsão de área verde que circunda Goiânia, região próxima a Universidade Federal logo após o Balneário Meia Ponte, quadrilátero que protege o mais importante lençol freático da região.
Indiferente aos apelos de ambientalistas, da associação Verde Vale, de jornalistas experientes, como o Washington Novaes e técnicos da UFG, a especulação imobiliária desonesta, cruel e irresponsável, teima em seguir destruindo a região. Tanto que o Shopping Passeio das Aguas e o depósito de gente no absurdo loteamento Orlando de Moraes, se ergueu rompendo o bom senso.
O futuro prefeito de Goiânia, seja de que partido for, não pode ser mais um assassino da água potável. Considerando que já existem estudos para fatiar as áreas disponíveis, sem considerar o perigo no comprometimento do lenço freático, os que enxergam o caos anunciado precisam se unir, junto ao Ministério Publico para evitar a tragédia.
Não se trata de alarmismo, de alerta preconceituoso ou de conceito negativo com os empreendedores, é uma questão de sobrevivência de milhões de goianos e de um problema sério a ser evitado.
É possível que tenha fundo de verdade um acordo de bastidores, com figuras que podem sentar no trono da prefeitura, para facilitar o adensamento populacional que destruirá o equilíbrio ecológico ainda preservado.
Fala-se, em alguns casos com testemunhas confiáveis, que glebas de uma fazenda, que segundo consta pertence a Ferrobras, já estaria prometida para expansão com os donos arcando com a despesa de duplicação de vias públicas facilitando o acesso. Nada contra se o projeto almejado tivesse condições de prover uma captação de água viável. Essa opção é impossível.
O que se verá, caso essa traição ao povo e ao futuro se concretize, será a efetivação de mais um favela, nas deploráveis condições do Orlando de Moraes, cuja atual conjuntura assustou alguns candidatos que visitaram a mal ajambrada cisterna de famílias abandonadas. A troca de quê? Certamente enriqueceu algumas duplas de investidores que não possuem comprometimento com nossa gente.
Deixo registrado, pela enésima vez, meu apelo para que o próximo mandatório geral do paço municipal não seja um serial killer a destruir nossa qualidade de vida. Existem muitos lotes vazios e boas ideias para alojar pessoas, sem destruir a área verde mencionada. Se alguns já não se preocupam com os filhos que tenham ética na proteção dos netos.
Rosenwal Ferreira, jornalista