Política

Agenor: “Iris, a marca do realizador”

Redação DM

Publicado em 28 de setembro de 2016 às 02:05 | Atualizado há 10 anos

Agenor Mariano, 42 anos de idade, atual vice-prefeito de Goiânia, já foi secretário municipal de Administração e Recursos Humanos e vereador da capital. Formado em Administração de Empresas. É considerado um dos expoentes da ala jovem do PMDB e um dos mais próximos políticos do ex-prefeito Iris Rezende.

Nesta entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, Agenor Mariano aponta as razões principais para justificar a volta de Iris Rezende à Prefeitura de Goiânia. “Iris tem o perfil do prefeito que Goiânia precisa, depois do caos administrativo que a atual administração está deixando à população. É experiente e a melhor prova de que Iris deve voltar ao Paço Municipal: deixou o cargo, em 2010, com mais de 80% de aprovação popular.”

Agenor Mariano não concorda com a comparação de que Iris Rezende (PMDB) e Vanderlan Cardoso (PSB), que concorrem diretamente ao cargo de prefeito de Goiânia, estão à frente das pesquisas eleitorais porque são gestores experientes. “Respeito o Vanderlan Cardoso, mas não se pode compará-lo a Iris Rezende. Senador Canedo, onde o empresário foi prefeito, é pouco maior que o bairro Jardim América de Goiânia. Isso mostra que governar a capital é diferente.”

O vice-prefeito diz que o foco do PMDB e de partidos aliados é vencer as eleições já no primeiro turno, em 2 de outubro próximo. “As pesquisas eleitorais mostram Iris Rezende com variação de 45% a 48,5% de votos válidos. Falta pouco para Iris vencer no primeiro turno.”

Agenor Mariano é de opinião que o ex-prefeito Iris Rezende acertou a não fazer a aliança do PMDB com o PSDB nas eleições deste ano na capital, conforme sugestão feita pelo governador Marconi Perillo. “A população goianiense não compreenderia esse ajuntamento eleitoral, em razão da rivalidade política entre os dois”.

 

Confira a íntegra da entrevista

A pespectiva do PMDB e de aliados é vitória de Iris Rezende no primeiro turno ou a definição sobre a disputa pela Prefeitura de Goiânia ocorrerá apenas no segundo turno?

– Baseado nas pesquisas divulgadas até agora, em que há uma variação de 45% a 48,5%, em termos de votos validos dados a Iris Rezende. Faltam poucos votos, portanto, para Iris chegar a 50% dos votos válidos, mais um. Como existem 10% de eleitores indecisos, a eleição pode sim ser definida no primeiro turno, com a vitória de Iris Rezende.

 

Os candidatos que lideram as pesquisas eleitorais acumulam experiência na vida pública: Iris foi prefeito de Goiânia três vezes e exerceu mandato de governador em duas oportunidades; Vanderlan Cardoso exerceu o cargo de prefeito, por duas vezes, de Senador Canedo. Na sua opinião, qual a diferença existente entre os dois concorrentes?

 

– Eu respeito todos os candidatos e eu respeito muito o Vanderlan Cardoso, como pessoa e como ex-prefeito de Senador Canedo. Mas é importante que se diga, sem ofender nenhum dos lados, que o município de Senador Canedo é praticamente do mesmo tamanho do bairro Jardim América, de Goiânia. Quando se busca o debate sobre a realidade de Goiânia, a situação, portanto, é bem diferente. Eu não posso dizer que o Vanderlan é experiente, quando o cargo que ele está disputando é a prefeitura de Goiânia, se se basearmos apenas no fato de ter sido prefeito de Senador Canedo.

 

Em relação ao Iris Rezende, o eleitor então estaria optando por ele pela trajetória política, com a experiência de ter sido prefeito e governador?

– Não estamos, em Goiânia, vivenciando um momento de alegria, de parcimônia. A cidade vive o caos administrativo. Todos sabem disso. As pesquisas mostram que o grau de satisfação do goianiense com a atual administração é muito baixo, talvez nenhum prefeito tenha alcançado isso em toda a história de Goiânia. Diante da crise porque passa a cidade, a população está enxergando a necessidade de um choque de gestão, com o aproveitando de alguém com muita experiência para contornar situações adversas e cujos resultados rápidos. Não dá para alguém, bem intencionado, eleger-se prefeito de Goiânia e submeter-se a um estágio de um ano para permitir que a máquina administrativa comece a dar resultados. A cidade precisa de alguém que chegue no dia 1º de janeiro, tome posse de manhã e à tarde comece a colocar a administração para funcionar. A verdade é que Goiânia parou. No universo de candidatos que é apresentado, posso dizer que apenas Iris Rezende tem a experiência e a capacidade de oferecer ao goianiense um resultado rápido e eficiente. E não é rápido por ser rápido. É rápido porque a situação a qual vivemos, tornou-se insustentável. É preciso ressaltar que a grandeza do Iris o coloca à altura de Goiânia. Ele é um candidato hoje que está à altura da cidade.

 

Nesta reta final da campanha, há uma exarcebação durante a propaganda eleitoral de rádio e televisão, com ataques de todos os lados, do PR do delegado Waldir, do PT de Adriana Accorsi e PSB de Vanderlan em direção a Iris Rezende e do PMDB em direção ao ex-prefeito de Senador Canedo. Essa estratégia de ataques agrada ao eleitor?

– Eu acho que não agrada. Agora é preciso classificar os ataques. O PMDB e aliados não estão falando mal de nenhum candidato. Algumas citações que foram colocadas pela nossa coligação foi dizer que o governador Marconi Perillo fez aliança com o candidato Vanderlan Cardoso. E o próprio ex-prefeito de Senador Canedo confirma isso. Então, não se trata de ataque e sim de constatação de um fato político. O PSDB e o PSB se aliaram. Agora, se não querem que o povo saiba que ele, Vanderlan, é o candidato do governador, por que então o ex-prefeito aprovou essa união? Agora, colocar imagem de Paulo Garcia e tentar passar a ideia de que existe aliança entre o PMDB e o prefeito, isso sim é um ataque, porque não se trata de um fato verdadeiro. Ou seja, está se tentando enganar, ludibriar o eleitor. Dizer que o PMDB ainda tem parceria, aliança e união com o PT de Paulo Garcia é tentar faltar com a verdade na campanha eleitoral. E é o que o PSB de Vanderlan está fazendo na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

 

Como o senhor acompanha a queda drástica do delegado Waldir Soares nas pesquisas eleitorais, depois de ser favorito na disputa pela Prefeitura de Goiânia?

– As pessoas estão tendo a oportunidade de conhecer o delegado Waldir Soares. A população votou nele antes de conhecê-lo. O goianiense está tendo, agora, a oportunidade de conhecer as ideias do Waldir, da Adriana, do Francisco Júnior, do próprio Iris, já que tem geração nova que vai votar pela primeira vez e não conhece a história do candidato do PMDB. Todos os candidatos, neste momento, estão na vitrine. E o povo é livre para fazer a sua escolha, nas urnas.

 

Iris Rezende tem 58 anos de vida pública, 82 anos de idade. O senhor acha que o jovem está assimilando as propostas do candidato do PMDB nesta campanha eleitoral?

– Acredito que sim, porque a parcela jovem do eleitorado é grande em Goiânia. O jovem, que pertence a uma geração que vai viver mais, vai chegar aos cem anos de idade, acredita que a sabedoria é necessária em um momento de crise. E o momento que estamos vivendo, com profunda crise na gestão da cidade, a sabedoria é eleger um prefeito com a experiência, a vivência de Iris Rezende. Trata-se de uma pessoa que chega, sabe como fazer, tem disposição para fazer e capacidade para dar respostas às demandas da cidade. Alguém poderia perguntar: qual a certeza que Iris dará certo na administração? Vamos relembrar que o último cargo que Iris ocupou foi o de prefeito de Goiânia. Há quanto tempo foi isso? Há seis anos atrás. E qual foi o porcentual de aprovação de Iris quando deixou a prefeitura? Mais de 80 por cento de aprovação. Então o que se quer mais, quando se pega o curriculum de uma pessoa que, à última vez que ocupou o cargo de prefeito de Goiânia, saiu com tamanha aprovação. Iris, a marca do  realizador. Por que o eleitor vai arriscar na eleição de uma pessoa que nunca esteve lá e não se sabe qual seria o índice de sua aprovação ao deixar a função depois de quatro anos? Então, em um momento de crise, não se deve fazer experiência na gestão pública. É momento de se ter certeza da minha decisão. Certeza para o goianiense hoje é o Iris.

 

O ex-prefeito Iris Rezende acertou ou errou ao não fazer aliança do PMDB com o PSDB nas eleições deste ano, conforme propôs o governador Marconi Perillo?

– Entendo que Iris Rezende acertou e muito. E não vou dizer que acertou por conta da impopularidade que o governador tem em Goiânia. Iris acertou por conta das raízes e do acirramento político. A população goianiense e goiana não compreenderia, neste momento, essa aliança entre Iris e Marconi. O ex-prefeito Iris Rezende pode até ter ficado agradecido pelo gesto do governador Marconi Perillo. Não se trata disso. A questão é que estamos num processo eleitoral e muito pouco tempo para que a população, conhecendo a rivalidade política existente entre os dois políticos, pudesse assimilar esse ajuntamento eleitoral. Iris Rezende acertou em não aprovar a aliança, independente do resultado da eleição, porque, na vida, nem sempre se obtém a vitória nas urnas. A pessoa precisa ter o mínimo de amor próprio, respeito e consideração por nós mesmos e acho que o Iris teve isso com a sua própria pessoa.

 

Havendo segundo turno, novas alianças serão inevitáveis. O PMDB vai buscar apoio do PR do delegado Waldir Soares e do PT de Adriana Accorsi, dois adversários deste primeiro turno?

– Neste momento, como o objetivo é ganhar no primeiro turno, o PMDB não faz conjectura sobre alianças futuras. Em relação às alianças partidárias, é preciso saber o que o povo está pensando sobre cada um desses partidos. A votação que cada partido vai alcançar, a manifestação do povo, nas ruas, em relação a cada um deles é que dirá se há aprovação ou não a possíveis entendimentos no futuro. É preciso avaliar também as questões de conteúdo programático dos partidos. Vamos esperar os resultados das urnas de 2 de outubro. Quando as urnas disserem quem é quem no processo eleitoral, o PMDB e os aliados  irão tratar de alianças, definir quem gostaríamos de estar ou não ao nosso lado.

 

Quais são as primeiras medidas administrativas que o próximo prefeito de Goiânia deve tomar, logo após ser empossado, em 1º de janeiro?

– A primeira de todas elas: limpar a cidade, porque não conseguimos viver mais nesse caos. Eleito prefeito, Iris terá que ir para a rua começar a limpar a cidade, recolher entulho, varrer, retirar o matagal, trocar lâmpadas, colocar postes, tampar buracos das ruas e avenidas. Para que a próxima administração vá bem nos quatro anos, o prefeito terá que fazer um choque de gestão. Por que? Porque a atual administração descaracterizou o modelo administrativo de Goiânia. O prefeito realizou tantas reformas administrativas acabou pegando a orelha e colocando no dedão do pé, o corpo administrativo está mutilado. Portanto, uma reforma administrativa enxuta, profunda e racional terá que ser feita, de imediato.

 

Os partidos e os políticos estão com baixíssima aprovação junto à população brasileira, em razão da corrupção, do tráfico de influência, do nepotismo e de tantos outros escândalos. O senhor acredita que ainda há esperança de se mudar esse pernicioso modelo político no País?

– Eu acho que precisa haver no Brasil uma reforma política. A bola está com o Congresso Nacional. A população brasileira está à espera de um basta e ele tem que vir do Congresso. É um absurdo esse conjunto de 35 partidos e que não reflete o sentimento ideológico da nação. É só a ideologia do eu e do nós. A população está cansada e com muita razão. Entendo que a população, através de suas decepções, começar a analisar a trajetória de cada político, melhorar as suas escolhas, é preciso ter pontaria melhor. Afinal de contas, todos esses escândalos que estamos vendo no país, não se trata de pessoas que foram nomeadas por general ou por um ditador e sim escolhidas pelo voto, eleitas pelo povo. Se essas pessoas estão nos cargos com condutas erradas, precisa ser expurgadas da vida pública, através do repúdio da população, através da manifestação do voto nas urnas. E como o povo fará isso? Tendo maior discernimento, participando e debatendo mais do processo político do país. Se você, eleitor, está se sentindo indignado, que acha que tudo está errado, que os políticos não deveriam ter esse comportamento, me diz uma coisa? Por que você não apresentou seu nome para a apreciação popular: Por que não se candidatou para ajudar a mudar o país? Você que é correto, certo e que quer fazer o melhor, por que não se apresentou como candidato para ocupar esses espaços? Não basta apenas ficar indignado e não ter ação pós-indignação.

 

 



“Como existem 10% de eleitores indecisos em Goiânia, a eleição pode sim ser definida no primeiro turno, com a vitória de Iris Rezende”

“Eu não posso dizer que o Vanderlan é experiente, quando o cargo que ele está disputando é a Prefeitura de Goiânia, se se basearmos apenas no fato de ter sido prefeito de Senador Canedo”

“Não estamos, em Goiânia, vivenciando um momento de alegria, de parcimônia. A cidade vive o caos administrativo. No universo de candidatos que é apresentado, posso dizer que apenas Iris Rezende tem a experiência e a capacidade de oferecer ao goianiense um resultado rápido e eficiente”

 

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia