Candidatos assinam carta-compromisso com professores
Redação DM
Publicado em 21 de setembro de 2016 às 01:59 | Atualizado há 10 anosTrês dos seis candidatos a prefeito de Goiânia assinaram a carta-compromisso proposta pelo Sintego, sindicato que representa os trabalhadores da Educação. O ato foi realizado na manhã de ontem, na sede do Sintego. Compareceram à sabatina a delegada Adriana Accorsi (PT), o vereador Djalma Araújo (Rede) e o professor Flávio Sofiati (PSol). Se ausentaram do encontro com os professores e servidores administrativos o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), o ex-prefeito Vanderlan Cardoso (PSB) e o deputado estadual Francisco Júnior (PSD). A presidente do Sintego, Bia de Lima, coordenou o evento, que foi transmitido ao vivo pela internet e está disponível nas redes sociais do Sintego.
Bia informou aos candidatos que o documento é composto de oito itens considerados fundamentais pelos trabalhadores em Educação, entre eles a garantia da posse dos aprovados no concurso público realizado pela Secretaria Municipal de Educação neste ano. A dirigente sindical enalteceu a presença dos três candidatos e lamentou as ausências de Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Francisco Júnior. “Penso que estas ausências demonstram pouca preocupação com a categoria. A não assinatura da carta-compromisso nos preocupa, pois deixa transparecer que eles não têm compromisso sincero com os trabalhadores da educação”, conclui.
Também faz parte das reivindicações dos educadores a manutenção do projeto aprovado na atual gestão que realiza o pagamento automático do piso dos professores e o compromisso do pagamento da data-base dos administrativos da Educação no mês de maio. Os sindicalistas também cobraram dos candidatos, que sendo eleito prefeito, promovam o combate ao racismo, bullying, homofobia e preconceitos de gênero nas escolas públicas municipais; a adoção de um plano de carreira unificado, considerando a formação ; melhorarias na infraestrutura das escolas e Cmeis; garantir segurança nas unidades de ensino e, finalmente, garantir as progressões, titularidades e o pleno cumprimento dos Planos de Carreira, constantes do Estatuto do Magistério.
Todos os candidatos presentes assinaram o documento e manifestaram o interesse em honrar o compromisso estabelecido com a categoria. Cada um deles apresentou suas propostas para os trabalhadores.
Adriana Accorsi
A deputada estadual Adriana Accorsi (PT) lembrou que seus pais – o professor Darci Accorsi e Lucide Sauthier Accorsi – participaram das lutas na construção do movimento sindical dos professores, a partir do antigo CPG (Centro dos Professores de Goiás), e quando estiveram no governo, durante a administração de Darci Accorsi (1993-1996), se pautaram pela defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.
Adriana criticou os candidatos que defendem as OS e a terceirização no ensino, na saúde e noutras áreas, ressaltando que “o candidato apoiado pelo governo do Estado era contra as OS e depois do apoio do governador mudou de opinião. Quero dizer que sou contra as OS e assino esta carta-compromisso porque entendo que os trabalhadores em educação não podem ter nenhum direito a menos”, frisa. A candidata falou de suas propostas de levar Cmeis às regiões que ainda não têm este benefício e criticou o governo do Estado pela criminalização dos movimentos sociais, numa alusão à prisão dos líderes do MST em Rio Verde. “Vivemos um momento difícil no País e em Goiás, onde se prendem lideranças populares. Defendemos o respeito e o diálogo. Sendo eleita prefeita quero consultar o Sintego e continuar conversando com os professores sobre os caminhos da educação em nossa cidade”, finaliza.
Djalma Araújo
Vereador há cinco mandatos, Djalma Araújo (Rede) também criticou a privatização do ensino, se posicionando contra as OSs na Educação e contra outros contratos terceirizados. Ele observa que o orçamento do município de Goiânia para 2017 prevê uma receita de R$ 5,7 bilhões, dos quais cerca de 200 milhões estão comprometidos com terceirizações que ocorrem na saúde, na limpeza urbana e noutros serviços.
Ele defende auditoria nestes contratos, redução do número de comissionados e concurso público para suprir eventuais deficiências na administração. Também propôs que o secretário de Educação seja escolhido por eleição direta entre os trabalhadores da educação em Goiânia e defendeu a implantação em Goiânia dos CEU’s (Centro de Educação Unificado), experiência que foi implantada em São Paulo, durante o governo de Marta Suplicy. Djalma também criticou a retirada de direitos dos educadores e sinalizou com a volta da titularidade e progressões que foram retiradas durante decreto assinado pelo atual prefeito.
Flávio Sofiati
O professor Flávio Sofiati (PSol) iniciou suas palavras saudando os professores e lembrando que “primeiramente Fora Temer e nenhum direito a menos”. Professor de Sociologia da UFG (Universidade Federal de Goiás), ele defendeu a escolha do próximo secretário de Educação através de uma lista tríplice a ser apresentada pelos trabalhadores em Educação.
Ele denuncia que a administração de Goiânia é refém de grandes grupos econômicos que controlam o orçamento da cidade, e as OS são um exemplo desta distorção em repassar dinheiro público para os interesses do mercado. Seu entendimento é de que se faz necessário ampliar os canais de comunicação entre a sociedade e o poder público, inclusive na relação entre o Poder Executivo e o Legislativo Municipal. “Precisamos de mais democracia, de partilhar as decisões para que a prefeitura não seja refém de grandes grupos econômico e de interesses políticos avessos aos interesses da população”, resume.