Política

Vítimas do irismo e do marconismo

Redação DM

Publicado em 20 de setembro de 2016 às 02:23 | Atualizado há 10 anos

A história das eleições em Goiás terá um capítulo especial além dos confrontos diretos entre o governador Marconi Perillo (PSDB) e o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende: não bastasse a derrota nos confrontos diretos com o tucano, o peemedebista pode acumular três fracassos como resultado da decisão de rejeitar alianças com o seu maior rival. Já foi assim em 1998 e em 2002, e Iris caminha para perder para Vanderlan Cardoso, o candidato do PSB, a corrida pela Prefeitura de Goiânia na disputa municipal deste ano.

É o que mostram as últimas pesquisas eleitorais, divulgadas no final de semana, que apontam que Vanderlan reduziu a menos da metade a distância que o separava de Iris na corrida pelo Paço Municipal. O peemedebista ainda lidera, mas a diferença entre eles, que chegou a ser de quase 20 pontos, caiu para entre 9 e 10,5 pontos percentuais, dependendo do levantamento. A situação do peemedebista é mais grave ainda nas simulações de segundo turno: nas projeções de todas as pesquisas, ele e Vanderlan já aparecem empatados tecnicamente.

As pesquisas apontam para a terceira derrota de Iris como consequência da recusa do peemedebista diante da oferta de aliança proposta por Marconi. Em 1998, Iris sofreu uma derrota histórica para o então deputado federal tucano e os partidos de oposição ao rejeitar proposta para que Marconi fosse seu candidato a vice. O acordo foi inviabilizado pelo irmão de Iris, Otoniel Machado, e pela mulher do ex-prefeito, Iris Araújo. O então senador tirou o então governador Maguito Vilela (PMDB) da disputa pela reeleição, se lançou candidato ao Palácio das Esmeraldas e inseriu a mulher na primeira suplência de Maguito para o Senado.

Em 2002, o PSDB propôs ao PMDB uma aliança que previa a candidatura de Marconi à reeleição com o apoio de Iris, que correria ao Senado. O peemedebista rejeitou o acordo, concorreu a uma das duas senatórias em jogo e apoiou a candidatura de Maguito ao governo. Iris perdeu a disputa para Lúcia Vânia (então no PSDB, atualmente no PSB) e Maguito acabou derrotado por Marconi já no primeiro turno da corrida pelo Palácio das Esmeraldas.

Nas eleições deste ano, Marconi propôs a aliança com Iris defendendo um programa comum para a Prefeitura de Goiânia a ser executado por PSDB e PMDB – uma alternativa à profunda crise administrativa resultante da gestão Paulo Garcia (PT), que Iris apoiou em 2012, dois anos depois de deixar a Prefeitura de Goiânia para concorrer ao governo estadual, contra Marconi, a segunda das três derrotas do peemedebista para o tucano em confrontos diretos pelo Esmeraldas. A terceira veio em 2014, quando Iris e Marconi novamente se enfrentaram.

Segundo a 5ª rodada da pesquisa Serpes/O Popular para a prefeitura deste domingo, realizada entre os dias 14 e 16 de setembro, a disputa entre Iris e Vanderlan irá para o segundo turno. Segundo o levantamento, enquanto Iris permaneceu estagnado na casa dos 37% de intenções de voto, o pessebista cresceu 6 pontos e se aproximou ainda mais do peemedebista. Iris lidera, com 37,6%, mas Vanderlan avança e tem agora 27,1%.

Ao propor a aliança, Marconi tinha em mente a pacificação da acirrada disputa eleitoral em Goiânia, polarizada entre a aliança PMDB-PT e a base aliada estadual, sob o comando do PSDB. O confronto de forças vem se refletindo na composição da Câmara de Goiânia, travando projetos e programa de interesse da cidade. “A intenção não era construir a unamidade política, até porque politicamente é saudável que haja oposição, e ela continuaria existindo sob o comando do PT. Mas a meta era construir a aliança propositiva entre Iris e Marconi para Goiânia”, diz um aliado de Marconi.

O acordo foi inviabilizado porque sofreu forte pressão contrária de Iris Araújo e do senador Ronaldo Caiado (DEM). Mesmo rejeitando o acordo, Iris se lançou candidato, descumprindo mais uma vez a repetida promessa de que teria encerrado sua carreira política para ficar apenas na orientação partidária do PMDB. Em 2010, ele havia deixado o Paço Municipal, para o qual havia se reelegido em 2008 em aliança com o PT e tendo Paulo na vice, para disputar o governo estadual.

 

 

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