“A população confia em mim”
Redação DM
Publicado em 15 de setembro de 2016 às 02:52 | Atualizado há 1 ano- Ex-prefeito aponta prioridades para a administração, caso seja eleito em 2 de outubro: Cmeis, escolas de tempo integral, casas populares, asfaltamento, transporte coletivo e segurança pública
Faltam três semanas para as eleições à Prefeitura de Goiânia deste ano. Qual é a estratégia do PMDB e aliados para a reta final?
– Prosseguir com os contatos com todos os segmentos da sociedade de Goiânia para ouvir as propostas da população, das associações e de entidades de classe, dos servidores, das pessoas de um modo geral. Prosseguir as caminhadas pelas ruas, pelas feiras, com as carreatas, comícios. Tenho feito de tudo. Incansavelmente, dezoito horas por dia de campanha eleitoral. O meu objetivo é fazer com que as pessoas sintam a nossa disposição de assumir novamente a Prefeitura de Goiânia e voltar a dar um recado administrativo que a cidade espera muito.
As pesquisas mostram que falta pouco para o senhor vencer no primeiro turno a disputa ao Paço Municipal. O senhor está focado nisso?
– Estamos atuando com a possibilidade de vencer as eleições já no primeiro turno. Quem tem a vivência política como eu sabe: segundo turno não é fácil, principalmente quando há disputas para vereador e prefeito. Quando vem o segundo turno, os candidatos a vereador que perderam estão com raiva da vida e os candidatos que ganham estão cansados. E aí fica o candidato a prefeito exposto a composições com os partidos que perderam as eleições. Nesta hora, começa o fracasso de uma administração, porque vem a negociação do corpo de governo da prefeitura. Por isso, quero ganhar no primeiro turno justamente para, ao invés de estar lidando com segundo turno, estarmos estruturando equipe, terminando os estudos para as primeiras providências a serem tomadas para, logo na primeira semana, a população já sentir mudança de comportamento da máquina administrativa.
Desde o primeiro mandato, em 1966, o senhor agiu com rigor na administração pública?
-Nunca tive medo de tomar atitude. Assumi a prefeitura, em 1966, com folha de funcionários e de prestadores de serviços com dez meses de atraso. Se Deus me deu o dom político, ele me deu também o dom para tomar decisão. Diante das dificuldades da prefeitura, convoquei o primeiro mutirão, que ficou a marca principal de todas as minhas gestões da prefeitura e no Estado. Ninguém conhecia o mutirão naquela época. Depois despertou a atenção do país inteiro, da imprensa nacional. Mostrei que mutirão é participação, espírito solitário da população. Desde aquela época, o mutirão é um sucesso. Mutirão era uma maneira não apenas de levar benefícios às comunidades mais carentes, mas também de se penetrar no meio do povo. Em pouco tempo, a situação de Goiânia era outra, diferente daquela que eu havia recebido. Sempre levei a sério o trabalho na vida pública. Nunca descansei, seja como prefeito, seja como governador. Final de semana tinha mutirão, governo itinerante quando exercia o cargo de governador. Toda obra que realizei, como prefeito ou como governador, custava a metade do preço do que em qualquer outro lugar. Por que eu consegui asfaltar quatro mil quilômetros de rodovias na minha primeira administração, se recebi o governo de Ary Valadão, em 1983, com servidores e prestados de serviços com seis meses de atraso? Desembargador, juiz, promotor, militar, professor, não tinha um servidor com pagamento em dia de seus salários. E dei a volta por cima, com o apoio do povo goiano. Consegui porque atuei e atuo com minha seriedade na vida pública.
Qual a origem do seu patrimônio?
-Tudo que tenho tem como origem quando estava advogando, depois de ter sido cassado pelo regime militar, em 1966. Naquela época, tive que vender a minha casa em Campinas, pois fiquei sem emprego ao deixar a prefeitura. Abri um escritório de advocacia, ao lado dos meus professores Hamilton Velasco e Everaldo de Sousa e também Nigel Spenciere. Em pouco tempo, o nosso escritório era o de maior movimento de Goiânia. Dois anos depois, comprei dois lotes no Setor Marista, onde construí a minha casa. Depois mais dois lotes na proximidade. Comprei uma fazenda no município de Britânia, pois terra naquela região tinha custo barato. Tudo foi bênçãos de Deus. A cassação do mandato de prefeito, que interrompeu a minha carreira política, permitiu que eu construísse o meu patrimônio. Essas terras que tenho, há trinta anos, veio de quando eu era advogado em Goiânia. E depois, veio a herança de meu pai. Por isso, os meus adversários hoje me respeitam.
Por que o senhor ainda quer ser prefeito, depois de ter sido governador, senador, ministro? Qual a motivação que o senhor ainda tem para ser prefeito?
– Eu sempre tenho um débito muito grande com Goiânia. Nenhum político de Goiás deve tanto a Goiânia quanto eu. Com 25 anos, me elegi vereador, dois anos depois, deputado estadual. Com 31 anos, me elegi prefeito. Se não fosse Goiânia, Goiás e o Brasil não teriam me conhecido. Não era filho de família política, de cidade tradicional de Goiás, como Rio Verde, Jataí, Catalão, Morrinhos, e sim de um povoado em Cristianópolis, onde eu vivia na roça.
O senhor desistiu de ser candidato, mas voltou…
-Eu tinha decidido não ser mais candidato e confirmei isso logo após as eleições de 2014. Eu divulguei uma nota dizendo que não disputaria mais eleições. No dia seguinte, veio um grupo de lideranças políticas, cerca de setecentas pessoas, fazendo apelo para que eu não desistisse da atividade política, da vida pública. Na nota, eu disse que, quando tomei a decisão de me afastar, o fazia com espírito bíblico, de que meu sentimento era o mesmo do apóstolo Paulo quando escreveu a Timóteo comunicando que estava terminando a sua carreira, utilizando a expressão: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”. Aí eu pensei: nesta fase da minha vida, vou deixar uma parcela dessa cidade decepcionada comigo? Conclui que não tinha o direito de largar a política. Enquanto eu tiver vivo, tenho que ser político. Devo tudo a Goiânia.
Mesmo sabendo que Goiânia vive grave situação financeira, em um caos administrativo, o prefeito sendo considerado o pior das capitais brasileiras, o senhor aceita o desafio de disputar as eleições para a prefeitura?
– Em toda a minha vida, me submeti a desafios. Parece até uma sina. Assumi a Prefeitura de Goiânia, em 1966, em situação de caos, assumi o governo estadual m 1983 também em grave crise financeira e administrativa. Assumi o governo estadual em 1991, também diante de grave crise. Assumi a prefeitura novamente, em 2005, com grandes dificuldade. Por ser enérgico e zeloso, a população de Goiânia confia em mim.
Agora a prefeitura está um caos?
– Claro. É só andar pela cidade para ver a grave crise administrativa. Não se vê uma praça bem cuidada. Eu estava gravando para o programa eleitoral de televisão na Praça Tamandaré, a grama não tinha nada, morreu, virou terra. As duzentas praças que urbanizamos na última gestão estão acabadas, uma dó. Os parques que urbanizamos estão transformados em depósitos de lixo. Se tivesse bem a administração municipal, ninguém teria se lembrado de mim para retornar à prefeitura.
O senhor conviveu com o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que definia metas para as suas administrações. O senhor também tem metas a alcançar, caso seja eleito prefeito de Goiânia?
– Tem dois homens que fizeram história: Pedro Ludovico Teixeira, em Goiás, e Juscelino Kubitschek no Brasil. Imagina que, na década de 30, quando os caminhões transportavam apenas cinco toneladas, Pedro Ludovico decidiu construir a nova capital de Goiás, buscando ferro e cimento em São Paulo. E assim ele construiu Goiânia. Um homem, Juscelino Kubitschek, que decide pela construção da nova capital do Brasil, na década de 50. E, em cinco anos, foi atrás dos técnicos, engenheiros, urbanistas para elaborar o projeto de Brasília e construir a cidade. Isso parece sonho, um filme, mas foi realidade, porque eu vive esse período de JK. Como presidente da Câmara Municipal de Goiânia, fui a Brasília na inauguração da nova capital, dia 21 de abril de 1960, entregar uma placa em que os goianienses prestavam homenagem a JK por escolher o território goiano como sede da capital. Depois, os goianos homenagearam Juscelino elegendo-o senador da República. JK foi cassado pelo regime militar de 64 quando exercia o mandato de senador por Goiás. Não existirá no Brasil um político como JK. Depois de ser prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais, presidente da República, de comandar a construção de Brasília, vejam o patrimônio que ele deixou ao morrer: uma fazendinha, no município goiano de Luziânia, onde passava o fim de semana com a família. JK e Pedro Ludovico, dois homens honrados.

Nesta campanha, o senhor não tem comparecido aos debates organizados pelas emissoras de rádio e televisão. O senhor, a partir de agora, vai aos debates com os outros candidatos?
– Eu tenho preferido os debates com os jornalistas. Hoje (ontem), confirmei um debate na TV Brasil Central. Nas entrevistas, eu exponho as minhas ideias, os meus projetos, os meus programas. Tenho comigo a impressão de que não preciso me debater com os meus adversários porque sou super conhecido da população goianiense. Se fosse uma disputa para pleito federal, entendo que teria que participar de debate porque o Brasil não me conhece em profundidade. Mas fui prefeito de Goiânia há pouco tempo e todos me conhecem. Por que não tenho comparecido aos debates? Se pegarem a minha agenda, irão se espantar diante dos inúmeros compromissos. Vou deixar de fazer uma caminhada lá no bairro distante da cidade para comparecer a debate?
Qual a prioridade principal para a sua quarta gestão, caso se eleja prefeito de Goiânia?
– Vamos começar a limpar a cidade no primeiro dia. É só andar nos bairros para ver que a cidade está suja. Cuidar das unidades de saúde no segundo dia. Melhorar o transporte coletivo no terceiro dia. Iniciar o asfaltamento dos bairros no quarto dia. Em resumo, melhorar o ensino. Quando tomei conhecimento dos Ceiss, na época do prefeito Pedro Wilson, me apaixonei pelo projeto. Recebi da gestão anterior quatro mil vagas nos Cmeis e deixei com doze mil. Hoje, o déficit já é de seis mil vagas. Vamos zerar esse déficit. Vamos transformar o ensino fundamental em tempo integral para os filhos cujos pais trabalham fora. Esse projeto de construção de escolas de tempo integral começou na minha gestão em Goiânia.
Qual é a prioridade na área da saúde?
– Vamos construir mais Cais, postos de saúde, hospitais, se necessário.
E na área habitacional?
– Vamos prosseguir com a construção de casas populares. Goiânia é a única cidade do Brasil com mais de um milhão de habitantes que não convive com favela. Eu sempre me dediquei à construção de casas populares. Todos se lembram das mil casas em um só dia. Tudo era feito através dos mutirões. Foi um sentimento que Deus colocou no meu coração de que a favela degrada o ser humano.
Qual a contribuição da prefeitura para a política de segurança pública?
– Quando assumi a Prefeitura de Goiânia, em 2005, encontrei a Guarda Civil Metropolitana com pouco mais de cem integrantes à disposição de vereadores. Existia uma empresa privada que mantinha 800 guardas armados tomando conta dos prédios municipais. Rescindi o contrato com essa empresa e abri concurso público para mais de mil guardas municipais, cujo custo ao erário ficou à metade. Agora que a legislação permite o guarda andar com arma, podemos colocá-lo para fazer vigilância nos ônibus, nas praças, nas escolas, nos parques. Uma forma de combater a violência é iluminar bem as ruas e avenidas da cidade e vamos fazer isso. Vamos limpar os lotes baldios para evitar os esconderijos dos marginais. Vamos instalar as câmeras com fotossensores nos pontos estratégicos da cidade. Precisamos cuidar da crianças, levá-las para a escola de tempo integral, retirá-las das ruas e da influência das drogas.
“Estamos atuando com a possibilidade de vencer as eleições já no primeiro turno”“Nunca tive medo de tomar decisões enérgicas, tanto na prefeitura quanto no governo estadual. Por isso, a população me respeita e me respalda”
“Enquanto eu estiver vivo, tenho que ser político. Devo tudo a Goiânia”
“Se Goiânia estivesse bem administrada, a população não teria me convocado para disputar as eleições”
“Me encantei com os Cmeis e com as escolas de tempo integral. Temos que tirar as crianças das ruas e levá-las para a escola”