Política

Luiz Signates: “Democracia perde com ausência de Iris nos debates”

Redação DM

Publicado em 7 de setembro de 2016 às 02:55 | Atualizado há 10 anos

A ausência do líder nas pesquisas eleitorais, Iris Rezende, nos debates e sabatinas, significa, para o pesquisador, professor e cientista político Luiz Signates, um sinal de que o candidato do PMDB quer se preservar de ataques, mas que empobrece a disputa. “O Iris é um político das antigas, da qual faz parte a prática estar na frente das pesquisas e não ir a debates e sabatinas para não virar a vitrine de possíveis ataques”. Desde o início da campanha em Goiânia, quatro debates foram realizados. Iris optou por não participar de nenhum deles.

O ex-prefeito justifica a ausência nos debates, organizados por emissoras de rádio e televisão, com  compromissos “inadiáveis” de agenda da coligação Experiência e Confiança, que reúne o PMDB, PRP, DEM, PPL, PDT e PTC.

Em entrevista ao Portal Mais Goiás, Luiz Signates disse que a tática do peemedebista pode ser interpretada como de único objetivo eleitoral. “Em uma campanha pobre em recursos financeiros com a deste ano, quando você tem um debate, por exemplo, e o candidato que é o favorito não vai isso em nada contribui para a discussão das propostas ou ao processo”, analisa.

Para o cientista político, em uma disputa eleitoral em que as campanhas estão completamente sem dinheiro e o veículo mais direto para que um candidato tenha contato com o eleitor e apresente as suas propostas, com a discussão com outros concorrentes, se dá nos debates. “Essa escolha por não participar atrapalha, inclusive, Iris a fazer suas ideias chegarem ao eleitor”.

Signates diz que, para se preservar de uma possível queda nas intenções de votos e não correr o risco de perder a eleição para prefeito em Goiânia, Iris tem se mantido longe dos ataques diretos dos adversários. “Ele é a personalidade principal de debates e sabatinas, quando ele não vai a discussão perde a sua importância”, afirma.

 

Campanha parada

O professor relata que nunca acompanhou uma eleição tão sem graça e sem ações de rua como a deste ano na Capital. “Talvez esse seja o pior processo eleitoral que eu tenha acompanhado desde a redemocratização, com o fim do governo federal de João Figueiredo (1979-1985)”, sentencia.

Signates lembra que, antes da eleição de 2016, entre junho e julho, a discussão sobre as eleições já estava acalorada, com muitas conversas sobre a qualidade ou a falta dela em determinados candidatos. “Essa zona de sombra que virou a campanha eleitoral se dá pela legislação muito rigorosa, que inibe tanto as campanhas que tende a reforçar o desinteresse da população no processo político”, avalia.

Para ele, o Ministério Público e a Justiça deveriam focar suas forças de trabalho no combate ao caixa dois de campanha e aos crimes financeiros cometidos no processo eleitoral, não em enfraquecer o que antes era conhecido como “festa da democracia”, como ficaram conhecidas as eleições no Brasil.

Eventos esportivos

Eventos como Olimpíadas e Paralimpíadas, para Signates, são pontuais e logo que se encerram as pessoas voltam a falar sobre outras coisas. “As discussões na internet são em torno do impeachment e das manifestações que estão acontecendo. Eu ainda não fui abordado por um candidato sequer a vereador em Goiânia fazendo campanha de rua esse ano”, destaca.

De acordo com Signates, a tendência é que esse modelo de campanha eleitoral, sem recurso financeiro e com pouca oportunidade de o eleitor conhecer seus candidatos e propostas, faça com que os nomes mais conhecidos se elejam. “O eleitor vai acabar tendendo a votar em quem ele já conhece”, pontua.

 

 

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