Vaidade a favor do tempo
Redação DM
Publicado em 2 de setembro de 2016 às 02:29 | Atualizado há 10 anosCaso se confirme a projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil deverá mais do que dobrar até 2050, ou seja, serão quase 70 milhões de idosos. A expectativa de vida para quem nasce hoje é de 75 anos, 20 a mais do que para quem nasceu há 50 anos. Assim como em todas as outras, essa fase da vida também deve ser curtida, o DM ouviu especialistas que dão dicas e falam sobre o cotidiano das pessoas que estão vivendo sua melhor idade da melhor forma possível, com saúde, beleza e energia.
Para a consultora de estilo e imagem Maria Júlia Costa, é preciso cautela na hora de ir as compras, isso porque há empecilhos que a idade traz consigo como a dificuldade de locomoção em alguns casos. “Por isso, as roupas devem ser confortáveis. Outro mito comum é que nesta fase da vida a mulher não pode se exibir, pois já passou da hora pra isso, sendo que é a época na qual ela mais poderia desfilar a sua beleza também. Então sugiro que elas passem a procurar roupas com estampas que tenham cor, alegres e vivas, e que deixem as cores neutras como preto, branco e bege apenas para situações talvez mais formais”, avalia.
Uma senhora de 70 anos tem tanta vaidade quanto outras mais jovens, a idade não deve jamais interferir nisso, bem como os homens. Neste período e em todos os outros, o que vale é o bom senso e a harmonia. Para Maria Júlia, há poucas peças que devem ser evitadas, e ela explica o porquê. “Para evitar cometer gafes, recomendo que nesta idade não se use roupas de malha, como por exemplo calça legging, calças coladas e ou muito baixas. Cuidado com as pessoas que têm abdômen proeminente, pois os botões abrem, ou a barriga sai pra fora. Pra finalizar, vale lembrar dos cuidados com a pele quando a necessidade de fazer manutenções junto a esteticistas, e não descuidar dos excesso de pelos em regiões como nariz, orelhas e sobrancelhas, que podem surgir”, diz.
Nilza Pereira Giordani, 78, é um exemplo a ser seguido. Ela vai a academia três vezes por semana, onde pratica hidroginástica, e outras atividades, no total são três horas de treino nesses dias. Às terças e quintas, ela faz sua caminhada de leve no Parque Vaca Brava, vai ao médico periodicamente e tem uma alimentação balanceada. “Também gosto de beber uma cervejinha de vez em quando, acho que a vida é muito boa e não pretendo ir dessa pra melhor tão cedo. Adoro dançar e acho que não fosse todos esses exercícios e meu estilo de vida já estaria usando bengala há muito tempo (risos)”, conta.
Ela diz que ter uma vida emocional estável também colabora para uma rotina mais leve. Nilza tem três filhos e é casada há 50 anos, fala que tem uma família que dá amor e carinho e a apoia nas suas escolhas. “Todos são extremamente carinhosos comigo e isso faz toda a diferença para que eu tenha ainda mais vontade de viver, de não me permitir decair”, explica. Sobre seus cuidados com a beleza, ela conta que usa um creme antissinais e sempre usou filtro solar. Até o momento a única cirurgia plástica que fez foi nos olhos, e também tem um zelo especial com os dentes.
Cirurgias plásticas
O cirurgião plástico Luiz Humberto Garcia de Souza explica que, com as novas tecnologias e o acesso mais fácil a informação, tem criado pessoas mais conscientes e que se cuidam mais em alguns aspectos. Sendo assim, recorrem a cirurgias plástica mais tardiamente quando se trata de cirurgias provenientes dos efeitos da idade, como plásticas na face ou pescoço. Hoje, seu maior público não é de pessoas da terceira idade, e em 90% dos casos a procura é apenas para fins estéticos.
Luiz Humberto ressalta que mesmo quando feita para auxílio da autoestima do indivíduo, a cirurgia deve partir do pressuposto do bom senso, apenas ser realizada quando existe de fato a necessidade. “Por isso é importante procurar um profissional responsável, que te oriente e diga a verdade. Tem pacientes que fazem o mesmo procedimento duas, três vezes, estica tanto o rosto que fica repuxado. O intuito da plástica é de ser o mais natural possível, e não algo artificial”, avalia o médico.
Ele explica ainda que a cirurgia é indicada quando a pessoa considera que o tempo foi rude com seus sinais de expressão, deixou muitas marcas e que não está de acordo com seu espírito. “A pessoa tem que estar bem consigo mesma, avaliar se de fato necessita dessa plástica ou não, o quanto isso será importante na melhora da sua qualidade de vida”, diz. Ele lembra que para se manter jovem e precisar usar desse recurso o mais tarde possível é preciso levar uma vida saudável, fazer atividades físicas, cuidar da alimentação e tomar muito cuidado com a exposição solar em excesso.
Estética bucal
O dentista Fábio Paes é especialista em implantes e é mestre em reabilitação oral e estética, tendo cerca de 40% dos seus pacientes pessoas da terceira idade, uma delas é Nilza Pereira Giordan. Todos vão em busca de mais qualidade de vida e beleza em seu consultório. Ele explica que por conta das técnicas usadas pelos profissionais na época em que essas pessoas eram crianças tornaram mais difíceis a manutenção desses dentes, fazendo com que muitos os perdessem antes do que as crianças de hoje provavelmente perderão. “Eram tratamentos curativos, tinha dor arrancava-se o dente, ou tratava só ali no momento da dor, não havia prevenção, água tratada ou até mesmo creme dental com flúor. Detalhes que fazem toda a diferença”, explica.
Ele lembra que esses tratamentos estéticos por si só têm custo elevado, no entanto, valem a pena principalmente por, no final das contas, não melhorarem apenas nesse aspecto. “É qualidade de vida, a pessoa se sente melhor, mais bonita e ainda ganha em reabilitação oral e mastigação Além dos implantes, eles também estão em busca de outros procedimentos, como: aplicação de botox, cuidados com a pele e preenchimento labial”, ressalta.