Cotidiano

Hábito de comer em restaurantes

Redação DM

Publicado em 2 de setembro de 2016 às 02:29 | Atualizado há 10 anos

Pessoas que precisam recorrer a restaurantes para poder almoçar em dias da semana, seja pela cansativa e turbulenta rotina no trabalho ou pela praticidade e variedade de pratos e sabores encontrados, muitas vezes não se atentam a determinados cuidados na hora de decidir o que colocar no prato. E essa atitude pode provocar diversos males à saúde, tanto a curto quanto a longo prazo. Diabetes, hipertensão e até mesmo câncer podem ser resultados de uma alimentação mal elaborada e pouco nutritiva.

Segundo um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), quem tem o hábito de comer fora de casa corre o risco de estar acima do peso. O estudo também mostrou que a variedade de alimentos consumidos em restaurantes e lanchonetes, mais ricos em gordura, está associada a um maior índice de hipertensão. O Diário da Manhã consultou uma nutricionista para falar sobre alimentação impensada e os resultados a curto e longo prazo.

“A intoxicação alimentar é o mais comum e mais frequente dos problemas que atacam as pessoas que não tomam certos cuidados no restaurante. Se até mesmo quando se toma cuidado o risco ainda existe, imagine se não houver essa preocupação”, explica Lourdes da Conceição, também especialista em Educação Alimentar e Nutricional. “A intoxicação provocada por alimentos é muito mais grave do que se imagina, os sintomas podem ir de vômito, diarreia, dores abdominais e de cabeça, até febre alta e alergia. Este último sintoma pode provocar situações perigosíssimas, e, dependendo da intensidade, pode levar o indivíduo à morte”, alerta a nutricionista.

Mas não há razão para ter pânico ou evitar almoçar em restaurantes. O alerta serve apenas para conscientizar a população quanto aos riscos que podem afetar a saúde de um cliente pouco responsável. O principal sinal de que o restaurante está em condições de receber bem seus clientes e que não oferece nenhum risco à saúde deles é limpeza. A dica é observar as instalações do estabelecimento e, principalmente, se os banheiros são abastecidos com pia, sabão bactericida e papel toalha para higienização das mãos.

Na hora de comer, a preocupação deve começar, primeiramente, com a própria higiene, lavando as mãos até a altura do pulso, tirando o relógio ou a pulseira antes. Em seguida, verificar a higiene dos pratos e talheres, e, em seguida, observar a higiene nas mesas e nas cubas e bancadas onde são servidos os pratos.

Ao mesmo tempo, devem ser observadas também as variedades de pratos que estão à disposição para já se ter uma ideia do que vai comer, antes mesmo de entrar na fila. Lourdes fala que a importância disso é conhecer o que é oferecido e já ter em mente o que vai escolher, tanto para não demorar muito na fila quanto para não sair pegando tudo o que vê pela frente. “Também não é muito bom chegar com fome demais no restaurante porque o peso do prato vai refletir diretamente no bolso e também na própria saúde. Comer muito nunca fez e nem vai fazer bem a ninguém, nem mesmo se a fome for muito grande”, explica a nutricionista.

Sobre que alimentos escolher, ela ressalta a importância de dar prioridade aos vegetais, por serem os menos manipulados e por conterem mais nutrientes essenciais ao organismo, mas sem abrir mão da tradicional combinação arroz-feijão e da proteína animal. “Frituras devem ser evitadas ao máximo, muitos restaurantes reaproveitam alimentos do dia anterior, como arroz, mandioca e carnes e fazem receitas fritas, como bolinhos. Fazer isso em casa é uma boa alternativa, mas num restaurante, onde aquela carne ficou por mais de duas horas exposta e depois é reaproveitada, tem uma chance enorme de fazer mal para quem comer”, completa.

Segundo Lourdes, a sobremesa não precisa ser abolida. Caso se alimente com uma iguaria mais pesada, como uma feijoada ou uma lasanha, desde que estejam frescas, escolha uma sobremesa à base de frutas também frescas. Se a refeição for mais leve, a sobremesa pode ser um doce, que contribuirá com o aporte energético da refeição, mas sempre consumido de maneira comedida.

A concentração maior de sódio em determinados alimentos, como as já citadas frituras, também está nas saladas feitas com maionese, molhos industrializados e empanados, e esse excesso de sódio na alimentação pode gerar uma predisposição maior para o organismo desenvolver células cancerígenas. Além disso, pode também provocar hipertensão e outras doenças cardiovasculares.

 

Inimigos da saúde

Evite o consumo de ovos com a gema mole, maioneses caseiras ou qualquer outro tipo de alimento que seja produzido com ovos e que não vá para o fogo. Ovos com gemas moles são potenciais portadores da bactéria Salmonela, a principal causadora da infecção alimentar

As frituras, embora sejam irresistíveis, devem ser evitadas. A concentração de gordura e sódio muito alta sempre compromete a saúde, elevando a taxa de glicose e colesterol no organismo e provocando doenças crônicas

Evite alimentos crus, como peixes e carnes mal passadas, alimentos que também oferecem grande risco de contaminação e intoxicação alimentar

 

Evite doces gordurosos, tanto a quantidade calórica é muito grande quanto o risco de se intoxicar também é grande. Geralmente, os restaurantes reaproveitam as mesmas sobremesas que foram servidas no dia anterior

 

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