Senadores goianos explicam por que apoiaram o impeachment
Redação DM
Publicado em 1 de setembro de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anosO Brasil vive a maior recessão em 80 anos, o desemprego abala a vida de 12 milhões de pessoas, a inflação média galopa em 7%, há uma brutal queda no consumo básico, inclusive de comida, o PIB (Produto Interno Bruto) se limitará a 3% e os investidores nacionais e internacionais pensam múltiplas vezes em aportar seu capital. Esse legado advém em grande parte do último governo petista. Isso tudo sem falar nas pedaladas fiscais, na quebra da Petrobras, algo inédito no mundo a respeito de uma companhia petrolífera. Essa série de fatores levou os senadores goianos Lúcia Vânia Costa (PDC), Ronaldo Caiado (DEM) e Wilder Morais (PP) a somaram seus votos aos 81 na votação pelo impeachment de Dilma Rousseff, ontem, no Senado Federal, em Brasília. Na verdade, o processo de impeachment demandou exatos 271 dias.
A senadora Lucia Vânia tem sido comedida em suas acusações contra o governo que caiu, ontem, mas tanto votou pelo afastamento da presidente no primeiro momento quanto no segundo. E tem se manifestado a favor de Michel Temer por considerá-lo “uma nova esperança de dar os passos necessários pelo restabelecimento da economia brasileira”.
Durante encaminhamento de votação na etapa final do impeachment, Ronaldo Caiado afirmou que o processo que se encerra tem a função de revelar quem são os verdadeiros “canalhas” da política. Na visão do senador, os “canalhas” são aqueles que mentiram para o povo, foram irresponsáveis com o orçamento e deixaram o País numa situação caótica. “Deste processo tiramos algumas lições. A primeira é que um presidente da República tem que respeitar o orçamento. Não tratá-lo como peça de ficção, não avançar sobre o dinheiro público para fazer populismo, demagogia e irresponsabilidade que levou à situação caótica do País”, opinou.
Cheque em branco, não
O senador Wilder Morais, ligado ao Fórum Empresarial de Goiás, disse em seu discurso defendendo a cassação da presidente, que os “206 milhões de brasileiros não podem dar um voto em branco ao seu governo por uma série de razões. Entre elas, de ordem ética, outras de fundo econômico e social”. E comentou que “hoje, por exemplo, em função de sua gestão 12 milhões de brasileiros estão na rua da amargura”. Mais adiante: – Não é um “cheque em branco” para que ela faça o que quiser. É evidente que o seu partido criou um grande esquema para se perpetuar no poder.
Em sua fala no Senado, Dilma, segundo ele, “negou o óbvio. Deu respostas evasivas, confusas e, em alguns momentos, demonstrou pouco caso com aqueles que a julgam. Agora é tarde para se justificar. É tarde para pedir desculpas.
Além do mais, nada disso conserta o estrago: não devolve o emprego de milhões de brasileiros, nem cobre o rombo nas contas públicas”.
Em sua opinião, “foram os brasileiros que saíram de suas casas para pedir mudanças na política. A acusada tentou, sem sucesso, afastar o foco do que realmente aconteceu. Ela endividou o País e, por meio da contabilidade criativa, escondeu o rombo bilionário nas contas públicas.
O senador Wilder Morais finalizou dizendo que “temos, agora, de aproveitar esse capítulo da história para unirmos as forças políticas e discutirmos propostas para a melhoria do Brasil. Acredito na gestão do presidente Michel Temer. Tenho convicção de que sua capacidade de diálogo e sua vasta experiência política nos levarão de volta aos trilhos do desenvolvimento”.
Grande desafio
Para o deputado federal e vice-presidente nacional do PSDB, Giuseppe Vecci, o dia 31 de agosto de 2016 representa para o Brasil a possibilidade de um verdadeiro recomeço. O tucano avalia que todos terão pela frente, em especial o governo de Michel Temer, um grande desafio de colocar o Brasil novamente no caminho do crescimento e desenvolvimento econômico.
Vecci defende que Temer assuma uma agenda propositiva e com reformas estruturantes para o Brasil. “É preciso ter a coragem de enfrentar novas medidas para estimular a geração de riqueza e emprego, reequilibrar as contas públicas, restabelecer a confiança no país e proporcionar dignidade às pessoas”.