Política

Militares retornam à política

Redação DM

Publicado em 30 de agosto de 2016 às 03:07 | Atualizado há 1 ano

Desde 1985 os militares se afastaram do cenário político brasileiro. Com o advento da democracia, os governantes são escolhidos pelo povo por meio do voto, fazendo valer a voz da população, fato que foi uma grande conquista para os brasileiros.

Já são 30 anos desde o pedido das “Diretas Já” e após muitas mudanças, avanços na economia, troca de moeda e também crises e retrocessos, estamos vivendo um momento polêmico no cenário político.

A corrupção, cada vez mais às claras e escancarada devido às investigações das autoridades brasileiras envolvidas em escândalos de desvios de verba e manobras vergonhosas, deixa o brasileiro descrente da política do País.

Coronel Mautone é membro do Exército Brasileiro há cerca de 30 anos e sempre se interessou pelas necessidades da população. Ao longo desses anos de serviço prestado à nação, ele teve a oportunidade de trabalhar junto às comunidades locais das cidades por onde passou e pôde perceber as necessidades e as carências do povo brasileiro.

O coronel acredita que nesse momento a administração da coisa pública clama por mudanças e que é um momento propício para a participação mais ativa dos militares junto ao País. Em entrevista concedida à nossa equipe, coronel Mautone fez relatos que chamam a atenção. De acordo com ele, durante as diversas passeatas contra o governo dos últimos anos, a população teria conclamado os militares para que participassem da política e do processo democrático brasileiro.

 

Entrevista

Andressa Ricco: Como você vê o cenário político atual?

Coronel Mautone: Eu vejo que a política precisa de mudanças e de mudanças urgentes. A corrupção é um problema crônico que vem se agravando ao longo dos anos. A questão é que a certeza da impunidade talvez tenha dado aos governantes a falsa ideia de que o cenário nunca mudaria e que não haveria uma reação tão forte como a que vemos agora. O povo clama por atitudes honestas e compromissadas no cenário político, por representantes que levem a sério as necessidades da população e que realmente façam algo pela educação e pela saúde, áreas tão precárias no País, apesar dos altos impostos que pagamos.

 

Andressa Ricco: Como você acredita que poderia haver melhora? Talvez reforma política?

Coronel Mautone: A reforma política é claramente necessária em vários aspectos, tais como a gestão, a mentalidade política e principalmente a credibilidade que o político brasileiro deve fazer por merecer a algum tempo. Infelizmente, caminhamos nos últimos anos para uma situação que nos coloca em uma posição insustentável perante os brasileiros e a comunidade internacional. A administração da coisa pública tem sido cada vez mais utilizada para benefício próprio e desvio de verbas. Ou seja, a verba que deveria chegar à educação, garantindo um ensino de qualidade às nossas crianças, tem sido empregada para outros fins.

Além disso, falta uma boa gestão de recursos! Não dá para doar dinheiro aos nossos países vizinhos, como vimos recentemente no último governo, se a conta não está fechando nem para o básico em nosso País. Outro ponto crucial é o estado em que a educação básica está. Nossos estudantes têm sido tão mal preparados que o ingresso na universidade tem se tornado um sonho cada vez mais distante.

Não adianta criar um sistema de cotas sem se investir na base! Até porque isso cria um problema cada vez mais crônico! Muitas vezes o aluno consegue uma vaga como cotista, mas está tão despreparado que não consegue avançar na universidade e acaba por ser jubilado. A qualidade do ensino nas universidades não vai retroceder e se adequar à base que cada aluno teve, então é preciso oferecer boa educação de base às nossas crianças e jovens.

 

Andressa Ricco: Que contribuições o Exército poderia trazer ao cenário político brasileiro?

Coronel Mautone: Não só para o cenário político, mas o Exército Brasileiro, assim como as Forças Armadas, tem contribuído de forma significava em todos os campos do poder. A organização no planejamento e na execução, o compromisso e o respeito que os militares empregam em tudo o que realizam trazem excelentes resultados a todas as atividades que desempenhamos.

Vale a pena frisar o quão significativa foi a participação de militares atletas nas Olimpíadas do Rio 2016, em que 13 das 19 medalhas foram conquistadas por militares. Isso demonstra de forma clara o que o esporte e principalmente a dedicação a uma atividade pode transformar na vida de uma pessoa.

Outro exemplo que pode ser citado é a participação de militares do Exército na construção e reformas das estradas brasileiras, entre elas podemos destacar a BR-101 na região Nordeste.

Em especial, no campo político, os militares podem ajudar na recuperação da credibilidade depositada nos representantes do povo, no emprego correto dos recursos, na qualidade do serviço prestado, no planejamento e na execução das atividades com transparência e responsabilidade.

 

Andressa Ricco: E para fechar a nossa entrevista, teríamos então o retorno dos militares ao campo político, mas dessa vez por meio do voto?

Coronel Mautone: Ah sim! Com toda a certeza! A ideia é entrarmos pela vontade do povo e com total respeito à opinião da população, com legitimidade e dentro da legalidade.  O brasileiro conquistou o direito à democracia e isso é algo sagrado e que deve ser mantido! Até porque não há a menor necessidade e nem cabe nos dias atuais uma intervenção.

Se fizéssemos isso, estaríamos implementando um retrocesso ainda maior ao Brasil, porém, cabe ressaltar que alguma atitude deve ser realizada de imediato para que possamos retomar o desenvolvimento e a credibilidade do País frente às outras nações .

A participação de militares em todos os campos do poder é de vital importância para que o País consiga atingir seu pleno potencial. Além de todos os benefícios que isso poder trazer, nós podemos atender a um anseio popular, que constantemente é observado nas manifestações realizadas contra o atual governo federal, em especial na cidade de Goiânia.

Durante as manifestações havia uma parada em frente à vila militar para tocar o Hino Nacional e solicitar que os oficiais retomem a rédea do crescimento do Brasil, que restabeleçam o sentimento de segurança e principalmente o orgulho que temos de ser brasileiros.

Assim, gostaria de conclamar a todos os militares da ativa e da reserva, o povo de bem, os jovens que são o futuro do país a pensar sobre o que podemos fazer pelo nosso Brasil. Para que assim possamos parar e refletir sobre o poder que temos em nossas mãos, o poder do voto, que pode promover uma política de qualidade e um desenvolvimento social que tanto necessitamos ou que se não usado corretamente, pode atrasar em mais quatro anos o desenvolvimento tão esperado.

Acredito que esse é o momento para virarmos a página da apatia e da estagnação, é a hora de tomarmos uma atitude que poderá mudar o rumo de nosso país. A nossa participação deve ser dentro da lei, fazendo-a cumprir democraticamente para que se evite termos que cumpri-la na marra. Chega de roubalheira, é preciso um basta! Estamos indignados, lugar de ladrão é na cadeia!

 

 



“A corrupção é um problema crônico que vem se agravando ao longo dos anos. A questão é que a certeza da impunidade talvez tenha dado aos governantes a falsa ideia de que o cenário nunca mudaria e que não haveria uma reação tão forte como a que vemos agora”

Militares de destaque na política

Muitas foram as personalidades que estiveram à frente de nosso país na política, sendo muitos deles membros do Exército Brasileiro. Para se citar brevemente alguns dos mais marcantes temos a figura de Getúlio Vargas, duas vezes presidente do Brasil e ex-sargento do Exército.

No primeiro período de governo, ele esteve no poder por 15 anos, de 1930 a 1945, divididos em três fases: Governo Provisório, Governo Constitucional e, por fim, como presidente durante o Estado Novo.

No segundo período, Getúlio governou o país eleito pelo voto direto entre os anos de 1951 a 1954. Era conhecido por seus simpatizantes como o “pai dos pobres”, já que foi o responsável pela criação de muitas leis trabalhistas e sociais.

Outra figura ilustre, também militar como capitão-médico da polícia (PM), foi Juscelino Kubitschek. Esteve à frente da presidência do país entre os anos de 1956 e 1961. Foi também senador por Goiás de 1961 a 1964. Um de seus mais famosos slogans como presidente foi a frase “50 anos em 5”.

Ele foi o responsável pela criação da cidade de Brasília e acreditava no desenvolvimento e integração do interior do país, fato que trouxe grandes avanços para a região. Voltando os olhos para Goiás, tivemos também um oficial militar como representante político na figura de Mauro Borges Teixeira. Ele que chegou à patente de coronel do Exército Brasileiro, foi deputado federal, governador e mais tarde senador por Goiás. Um dos grandes destaques de seu governo foi a administração ágil e operante.

Mauro integrou Goiás no cenário nacional com a retomada da Marcha para o Oeste, promovendo o crescimento das fronteiras do Estado e a implantação da reforma agrária.

 

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