Ouro no futebol. E agora?
Redação DM
Publicado em 27 de agosto de 2016 às 03:07 | Atualizado há 10 anosApesar de um certo ôba-ôba pela conquista de sete medalhas douradas nos Jogos Rio 2016, quero deixar registrado meu desapontamento com o desempenho brasileiro, em particular pela secundária colocação no quadro de medalhas, malgrado nossa delegação tivesse sido a maior da história e os jogos realizados em ‘nossa casa’. Foram 465 representantes nacionais (256 homens e 209 mulheres), número bem superior ao da delegação do Reino Unido, que – este sim! – ficou em um extraordinário segundo lugar à frente de Rússia e China. Não fossem nossas gloriosas FFAA, que puseram no lugar mais alto do pódio vários de seus atletas, passaríamos vergonha no quadro geral de medalhas. No mais, é decepcionante ganhar duas únicas medalhas além das conquistadas em Londres 2012 – jogando em casa e com uma delegação bem maior que aquela – e esses fatos evidenciam a fragilidade do apoio do governo petista ao esporte de forma geral no curso dos anos em que assombraram o Palácio do Planalto. Lembro que não é só com dinheiro que se forjam campeões; é com planejamento sério e gestão competente e criativa – como fizeram os britânicos. Nem sempre comparações são justas mas não custa lembrar que a caribenha Jamaica, país pobre, com 2,8 milhões de habitantes, (PIB de aproximadamente US$20 bilhões) ganhou 6 ouros, 3 pratas e 2 bronzes. O Quênia, igualmente pobre (IDH 145º), também ganhou 6 ouros e 6 pratas !!! Nós, os anfitriões, conquistamos, ao fim, um (1) ouro a mais que ambos os citados: sete ouros. Para tanto, agradecemos, penhoradamente, o ‘desempenho’ da trave do gol do Maracanã, onde os alemães acertaram três petardos na finalíssima contra o time brasileiro. Assim, por acaso – e nos pênaltis (5 x 4) – ganhamos o ouro inédito nesse esporte. O futebol é altamente profissionalizado, assim como o vôlei e o vôlei de praia. Quanto ao iatismo, que também nos rendeu um pódio dourado, sabe-se que é modalidade praticada pelos “coxinhas”, a odiosa “elite” branca abominada pelo PT e seus satélites. Somos a 8ª ou 9ª economia global, temos 206 milhões de habitantes, etc. e tal. E países paupérrimos da África e do Caribe cujos PIBs, somados, não dão o da cidade de Campinas (SP), ombreiam-se conosco dentro de nossa própria casa. Registo, por fim, que Lula, Dilma e os demais da cúpula petralha medalha de ouro em “assalto triplo” aos cofres públicos, não deram as caras para prestigiar o evento, tanto na abertura quanto no encerramento dos jogos. Falaram tanto das Olimpíadas e, ao final, preferiram não aparecer. Sabe-se lá por quê !Olá, setembro de comemoração: salve a pátria, a árvore, as caraíbas em floração!
Não são apenas caraíbas, mas elas leitor, pela exuberância da floração, opulência, se destacam, chamando a atenção do caminheiro que passa pela estrada, no lugar da cruz abandonada do poeta que se imortalizou, pela luta contra a escravidão – Castro Alves – vejo, toca, alegra a alma, deslumbra as gentes peregrinas, agora, a floresta em festa. Inebriante, uma floração em escala alternada, com outras, prolongando, dessa forma a beleza do colorido, já primaveril, contrastando com a natureza ressequida, decorrente da estiagem, este ano, ainda mais desaforada do que as consumadas pelos tempos idos e vividos. Todo este panorama espetacular, de chofre, amortece a ira do viajante que transita afoito, ora, aterrado com a insegurança de cada dia, ora, a roubalheira dos ocupantes do poder público, quase todos eleitos por meio de campanhas nababescas seguidas do voto subserviente leniente denegrindo a imagem da forma democrática de governo.
Essa maravilha da natureza, qual seja o processo de mudanças concatenado: queda das folhas, floração, frutificação, maturação, seguida de queda de sementes, a maioria singrando os ares, voando distâncias verossímeis em busca de perpetuação das espécies, assegurando a perenidade da mãe natureza, mesmo esbulhada por toda sorte de predadores, mormente, humanos, de forma esquisita, paradoxal, os maiores beneficiários dela, e, ao mesmo tempo, seus maiores destruidores, por falta de política de exploração racional, ordenada, associada a outra de florestamento planejado, incentivando a formação de florestas especiais, nelas as destinadas a produção de celulose, carvão vegetal, outras de longa durabilidade, próprias para construções, como móveis, habitações urbanas e rurais. Extrativistas, como a seringueira – haevea brasilienses – onde, em pleno terceiro milênio, embora nativa da terra, por falta de visão dos governantes, certamente a ambição, gula, pelo patrimonialismo, levou-os a barganhar a visão pela viseira, o país continua importando, quase todo o látex, melhor, borracha natural que precisa, imperativamente, para manter seu parque industrial em funcionamento.
Veja quanta infâmia leitor, contribuinte de impostos que sustentam o estado e eles no poder, poder despótico luxuoso, pela importância da árvore, nesta conjuntura de temperatura, com dois graus acima do normal, atmosfera super-carburada, buraco na camada de ozônio, no lugar de buscar borracha do outro lado do mundo: Indonésia, Malásia, furtando divisas da nação, desequilibrando, mais ainda, a nossa balança comercial. Usassem eles, governantes, no lugar da política como arte da velhacaria, maquiavélica, política como arte de promover o bem-estar dos brasileiros, portanto, aristotélica, imensas áreas vazias do Centro-Oeste poderiam estar, hoje, cobertas com esta singular árvore, que, além de ajudar a amortecer a temperatura do planeta terra, estaria ajudando a oxigenar a atmosfera carburada, produzindo a matéria prima, quase toda vinda de fora, além do mais, gerando empregos, atualmente são mais de 11 milhões de desempregados, serviços, impostos, economizando, como dito, divisas.
Voltando a floresta em floração, leitor, o ipê florido, no caso, ipê amarelo, suas flores são tão bonitas, soberbas, quanto às das caraíbas. Alegram a paisagem, de igual forma, as acácias e aquelas de flores brancas: ingazeiro, muricizeiro, cagaitera, mangabeira. Seus frutos deliciosos, além da paz, harmonia, lembram as Olimpíadas, encerradas no último domingo, de forma deslumbrante, empolgando, comovendo o mundo. Que bom seria, para a humanidade, se as nações beligerantes permutassem as disputas sangrentas, mortíferas, por disputas pacíficas, como nos desportos, competição acirrada de atletas buscando, com ardor cívico, à vitória. No lugar de extorsão pela guerra, a premiação do vencedor por mérito, um cumprimentando o outro, a razão, dominando a paixão, no lugar do ódio execrado pelo fanatismo, o entendimento, em torno da mesa, aplainando as diferenças, por meio da dialética encadeada. Em vez do troar de possantes armas destruidoras, algo, de repente, espantoso, ungido pela arte de filosofar, emanando da enigmático ranço, o harmonioso abraço dos contendores.
Retornando, a floresta em festa, com a floração, o zumbido, canto harmonioso das abelhas colhendo néctar para elaboração do delicioso favo de mel. De onde veio a inspiração, para esse hino em sua homenagem. “Da floresta em festa a flor/ da flor o néctar oloroso/ da geniosa abelha, o lavor/ do lavor, o mel saboroso/. Hurra! Do corolário de luta renhida/ o delicioso favo de mel/ para suavizar a vida/ das agruras do amargo fel/.” A natureza esturricada, ressequida, mas em festa, com a floração associada ao zumbido, cantoria contagiante, das abelhas no baruzeiro, frutífera como o pequizeiro, sem igual, na hora matinal e tantas mais, pela imensidão do matagal, lembram as canções portuguesas seculares, mas ainda agora salutares, em certas regiões daquele país, entoadas, durante a colheita de uvas singulares.
A palavra cidadania tornou-se muito mais comunal, sem igual, mas distorcida também, proposital, como se observa pela miríade de escândalos aliados ao patrimônio público. Houvesse cidadania, em dose legal, tantos figurões com salário colossal, em vez de estarem envolvidos praticando ato tão venal contra o erário público, estariam, não fosse a falta de vergonha na cara, ética, cumprindo com maestria, altivez, o mandato outorgado pela sociedade eleitoral. A decisão da recente conferência ambiental de Paris implica, no exercício sublimado da cidadania, induzindo as potencias mundiais, lideradas pela ONU, a negociarem com a república fajuta da Síria e o estado Islâmico, de modo peremptório, o fim das hostilidades que, tanto polui o meio ambiente, como, assustadoramente, mata e inferniza a vida de milhões de civis. A falta de determinação, no controle rígido de armas, alimentou e prossegue alimentando o instinto, paixão criminosa de poucos, contra milhões de seres humanos. Afinal, constitui imperativo amofinar o descaso, desleixo, a falta de cidadania, no manejo ambiental.
A inércia, falta de vontade geral, dos gestores públicos, subsidia, assim, os dois graus a mais da temperatura e toda sorte de distúrbios ambientais. Na qualidade de gestores públicos municipais, cultivassem a cidadania, no lugar da ambição, teriam programado festejos comemorativos para a Semana da Pátria e da Árvore, realizando, em cada município, legal festa cívica, promovendo palestras, debates, reuniões, plantios, arborizando, sobejamente as cidades, sombreando e oxigenando-as. Isto viria ser um genuíno ato de cidadania, política clássica, universal, a que promove o bem-estar da comunidade municipal. Caso a Lava Jato, dirigida pelo juiz Sérgio Moro, estendesse seus tentáculos, aos municípios brasileiros, descobriria, em quase todos, vícios mais hediondos do que a escravidão, de superfaturamento do erário público, construído, a duras penas, com os impostos dos brasileiros, do mais abastado ao mais pobre.
Hurra! Salve o dia da pátria, salve a semana da árvore, que se aproximam. Faça corrente, forme opinião leitor, pela renovação total dos ocupantes do poder. A alternância, mudança, constitui imperativo da democracia. Você que sustenta o estado e paga as contas soberbas deles, no poder, saia da inação para a ação, participe, ativamente, da vida política de sua comunidade, maior virtude pública do autêntico regime democrático.
(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política, pela Puc-Go, produtor rural)