Povo que não respeita a própria língua é vassalo porque não se respeita
Redação DM
Publicado em 27 de agosto de 2016 às 03:06 | Atualizado há 10 anosO bicho-homem pode não ser o único animal que se comunica pelo som e por sinais, mas, com certeza, é o único que se utiliza da escrita e da palavra para se comunicar.
Acreditamos que a assertiva bíblica de que: “O verbo se fez carne e habitou entre nós”, tem muito mais do que um sentido religioso porque a encarnação da palavra ganha à materialização da vida no ser humano.
Com o pensar aqui esposado queremos apontar a distinção entre criacionismo e evolucionismo porque aspiramos, objetivamente, evidenciar que a verdade é tão complexa que o homem, para tomar posse dela, teve de aceitar diversos tipos de conhecimento, ademais há que se considerar que a distinção do ser humano em relação às demais criações terrenas é a sua capacidade de não se submeter à natureza, ou seja, diferente dos demais que se restringem à sobrevivência da espécie ele pensa, cria saber e se faz dono de sua ação e, por conseguinte, sua evolução.
O conhecimento popular, segundo Babini (1957), é o alcançado no concerto entre os seres humanos, ou seja, “é o saber que preenche nossa vida diária e que se possui sem o haver procurado, sem aplicação de método e sem se haver refletido sobre algo”, destarte acrítico e assistemático, diferente do conhecimento científico que se apossa do empírico para depurá-lo através da pesquisa em um ordenamento lógico e de construção contínua. Mas, em que pese sua importância fundada na lógica as teorias e resultados conflitam e não se firmam incondicionais tais qual o conhecimento filosófico que se instrumentaliza na interrogação para decifrar ambientes imperceptíveis aos sentidos, apreciando os distintos elementos de estudo, possibilitando, inclusive, em algumas abordagens, mesmo com distinções inteligíveis, conceber analogias com o conhecimento teológico que acontece a partir da aceitação de axiomas da crença como fruto da divindade revelada através de respostas inspiradas aos homens por meio da fé e experiências espirituais com sustentação arqueológica, histórica e coletiva.
É fato que o conhecimento emancipa ou domina. Usado como ferramenta questionadora na busca de novos paradigmas para avaliar parâmetros, intervir, reconstruir e inovar o conhecimento possibilita a inclusão e a emancipação humana, por outro lado, o afastamento do saber concreto da vida cria um ambiente desfavorável ao homem e à natureza, por tal razão é importante transigirmos ciência com outras virtudes essenciais para o saber humano, como a sensibilidade popular, bom senso, sabedoria, experiência de vida, ética e outros. Conhecer é comunicar-se, interagir com diferentes perspectivas e modos de compreensão, inovando e modificando a realidade.
Não há como ignorar o resultado que o conhecimento como poder provoca povo a povo ou de uma nação sobre a outra, sendo comum a dominação política, econômica, social, artística ou incontáveis outras e, destacadamente a que acontece com a imposição da língua.
O Brasil vem se tornando refém de uma língua que não tem nenhuma ligação com o fato de ser e de ter se tornado nação, pelo contrário, fomos explorados e espoliados pelas criaturas de idioma anglo-saxônico. O resultado é visível em nomes cada vez mais bizarros de pessoas, marcas e de empresas. Está tudo dominado! O “portunglês” é a fase primitiva do bilingüismo como substrato de uma sociedade que continua conspirando contra si, vítima da síndrome da lei de Gerson e do espírito de cachorro vira-latas, destarte, povo que não respeita a própria língua é vassalo porque não se respeita.
(Miron Parreira Veloso, bel.C. Contábeis, g. público, jornalista, radialista, escritor. Livro pub. Gestão Pública – Prática e Teoria – UEG)