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Comunidade recebe do Iphan patrimônio cultural restaurado e requalificado

Redação DM

Publicado em 27 de agosto de 2016 às 02:53 | Atualizado há 1 ano

Contemplada com seis ações, a Cidade de Goiás tem o melhor desempenho no PAC Cidades Históricas. A recuperação da Ponte da Cambaúba e da Escola de Artes Plásticas Veiga Valle foram as primeiras obras entregues à comunidade, ainda em 2015. Em junho deste ano, foi a vez da Diocese e Arquivo Diocesano Dom Tomás Balduíno e, até o final de 2016, serão finalizadas as restaurações do Mercado Municipal e do Cine Teatro São Joaquim, estando a sede da Prefeitura Municipal para 2017. Os investimentos giram em torno de R$ 23,5 milhões.

As obras são executadas por empresas contratadas e fiscalizadas pelo Iphan. O Instituto acompanha de perto a escolha e utilização de materiais de restauração que devem seguir princípios técnicos. Isto também é verificado em obras de terceiros, sendo aplicadas, quando necessárias, as penalidades previstas.

A Ponte da Cambaúba, por exemplo, possuía graves problemas estruturais, ocasionados principalmente pelos impactos da chuva e das cheias do rio Vermelho. O investimento de R$ 895,2 mil proporcionou uma ponte mais resistente e segura para a comunidade. Hoje a passagem possui estruturas em concreto com acabamento em madeira, cujo formato minimiza a retenção de detritos trazidos pelas águas, além do vão expandido, aumentando o leito do rio e, consequentemente, sua vazão.

O Iphan foi o responsável por conduzir os trabalhos na Escola de Artes Plásticas Veiga Valle, formada por um conjunto de três edificações residenciais do século XIX com características do período colonial. Os recursos de cerca de R$ 1,3 milhão foram aplicados no reordenamento das atividades de aula no bloco principal do edifício, a instalação da direção e copa no bloco que abrigava a cadeia, a execução de um novo anexo – para receber as salas de música e de modelagem, além de adequadas instalações sanitárias. Novos espaços de permanência também foram propostos, melhorando a interligação da escola e resguardando sua integridade.

A partir da década de 1930, passou a ser utilizada como edifício único com várias ocupações, abrigando, desde 1968, a escola de artes que vem formando jovens da comunidade. Por ela já passaram artistas importantes, como Maria Guilhermina, Oto Marques, Goiandira do Couto, Odalva Guimarães e Neusa de Moraes.

As entregas continuaram e, no último dia 30 de junho, a comunidade de Goiás recebeu a Diocese totalmente recuperada e o Arquivo Diocesano Dom Tomás Balduíno. O investimento de cerca de R$ 1,33 milhão permitiu a reestruturação do espaço externo para abrigar as instalações de um novo centro de pesquisa para a comunidade e também contextualizou o imóvel em seu ambiente urbano, evidenciando sua contemporaneidade.

Entre os arquivos da Diocese constam mais de 1,2 milhão de fichas catalogadas, documentos de valor histórico, como batismos, casamentos e óbitos dos séculos XVIII, XIX e XX, disponíveis para consulta pública. Além disso, consta a documentação relativa ao bispado de dom Tomás Balduíno (1965 e 1996), incluindo arquivos do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra, ligadas às lutas sociais abraçadas pelo religioso, como sua defesa pela reforma agrária.

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Requalificação trará melhorias ao Cine Teatro

Na próxima vez que o morador for ao Cine Teatro São Joaquim, terá como atração principal o próprio espaço que estará moderno e com diversas novidades para apresentar. Já na chegada, o visitante perceberá que o acesso mudou para melhor, pois estará de acordo com normas técnicas. As pessoas com mobilidade reduzida ou portadores de necessidades físicas sentirão a diferença logo na rampa de entrada. Os cadeirantes e pessoas obesas terão lugares adaptados na plateia e as pessoas com deficiência auditiva e visual terão equipamentos para acessibilidade, conforme normas e legislações aplicáveis.

O projeto em andamento também traz melhorias estruturais para projeção e sonorização, com novos equipamentos de acústica, luminotécnica, cênica e de refrigeração. O backstage será ampliado e criados depósito cenográfico, camarins e administração. O saguão de entrada também está sendo reestruturado para melhor abrigar os espectadores, que poderão aguardar os espetáculos no novo espaço Café. Serão instalados sistemas de segurança contra descargas elétricas e raios.

A superintendência do Iphan em Goiás explica que a demolição do antigo prédio foi necessária porque a estrutura existente não suportaria as novas instalações. Conforme o laudo da consultoria especializada, a estrutura e alvenarias não atendiam às normas atuais e, por isso, não garantiriam os níveis de segurança necessários para que fossem mantidas no novo projeto.

O projeto, que recebe recursos do PAC Cidades Históricas estimados em R$ 9,4 milhões, foi lançado em 11 de julho de 2015, em evento que contou com ampla participação da comunidade. Na ocasião foi projetada uma análise da situação do edifício antigo, apresentando a solução conceitual proposta para o Teatro São Joaquim após a requalificação.

O Cine foi novamente tema de audiência pública junto aos moradores, no dia 22 de março deste ano. Dela participaram os diretores do Iphan de Patrimônio Material e do PAC Cidades Históricas, Andrey Schelee e Robson Almeida, além de representantes de instituições públicas e da sociedade civil organizada.

Diferente da informação errônea, não há registro algum de cratera no Cine Teatro São Joaquim. Pelas características da edificação, se não houvesse a demolição, os imóveis vizinhos estariam em risco. O novo edifício estará corretamente integrado ao conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico da Cidade de Goiás, conforme critérios de tombamento pelo Iphan e titulação como Patrimônio da Humanidade.

Proteção federal e mundial

A atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás tem como prioridade a valorização e a preservação da história e da cultura na Cidade de Goiás (GO), que tem seu conjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Iphan desde 1978 e foi reconhecida Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco em 2001.

A Organização internacional atribuiu ao conjunto, dois dos seis critérios: (II) ser a manifestação de um intercâmbio considerável de valores humanos durante um determinado período ou em uma área cultural específica, no desenvolvimento da arquitetura, das artes monumentais, de planejamento urbano ou de paisagismo e (IV) ser um exemplo excepcional de um tipo de edifício ou de conjunto arquitetônico ou tecnológico, ou de paisagem que ilustre uma ou várias etapas significativas da história da humanidade.

Em 2003, atendendo às recomendações do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (International Council of Monuments and Sites–ICOMOS), órgão consultivo da Unesco, a poligonal de tombamento foi estendida, envolvendo mais 300 bens imóveis e 6 chácaras urbanas que contornam a cidade, formando o “cinturão verde” de proteção.

Todas as ações do Iphan em bens reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco são avaliadas em parceria com órgãos ligados a ela, como o Icomos, que deu parecer negativo a alguns projetos, como a construção do teleférico e a pintura colorida das casas coloniais, o que descaracterizaria a cidade.

De acordo com a superintendente do Iphan, Salma Saddi, a população é a principal parceira e protetora do seu patrimônio. “A gestão dos bens culturais está cada vez mais compartilhada e essa apropriação é uma salvaguarda importante contra os interesses especulativos e econômicos de pessoas que fingem se importar com o coletivo, quando na verdade tenta manipular informações para interesses próprios”, afirma.

Recentemente, uma afirmação falsa e maldosa foi divulgada, colocando o entulhos descartados de obras no centro histórico como causa para o assoreamento do Rio Vermelho. O processo de assoreamento vem ocorrendo ao longo do tempo, comprovado pelo desmatamento. Deve-se considerar ainda a formação geomorfológica do leito, que tem relevo regular e solos rasos, que podem desmoronar com o fluxo da água durante as cheias, acumulando a terra e detritos no fundo do rio.

 

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