Brasil

Em Santa Maria, preocupação x esperança na Economia Solidária

Redação DM

Publicado em 26 de agosto de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anos

Embora haja um sentimento de tristeza e apatia nestes últimos meses tomando conta do povo, boas notícias chegaram de Santa Maria, RS, onde foi realizada a Décima Segunda Feira Latino Americana de Economia Solidária e da Vigésima Terceira Internacional do Cooperativismo, neste mês de julho; um evento internacional que se tornou um grande espaço de articulação, debate e troca de ideias sobre produção e comercialização de produtos da agricultura familiar, de empreendedores da economia solidária e de cooperativas populares.

Colegas da Secretaria Municipal de Direitos Humanos – Ângela Ferreira, Arilene Martins, Ides Borba, Maria Paixão e Saul Valadares e também Cláudia Miranda da ONG Cajueiro – que foram participar dos dois eventos, perceberam um sentimento paradoxal: de um lado preocupações com o futuro político do Brasil e de outro de esperanças e de boas expectativas na luta pelos direitos humanos no nosso país e em toda a América Latina a partir da organização e das lutas do povo. Nas dimensões já apregoadas pelo papa Francisco: direitos ambientais, políticos, econômicos, sociais e culturais.

Nos direitos políticos, os participantes rechaçaram veementemente o golpe parlamentar no Brasil e pediram a volta da presidente eleita Dilma Rousseff. Na economia, reafirmaram as teses e práticas do comércio justo, do consumo ético e consciente, além das ações solidárias e cooperadas entre homens e mulheres na construção de relações comerciais inovadoras para todas as nações e comunidades humanas.

Os participantes discutiram ao longo da realização da feira o papel de protagonista do Estado – governos federal, estadual e municipal – na efetivação de políticas públicas que alcancem e promovam as ações empreendedoras daqueles que fazem economia solidária e cooperativismo popular. Esse dado foi discutido amplamente nas assembléias, oficinas e debates ocorridos durante as duas feiras.

Estes debates lançaram  esperanças maiores e melhores para os cerrados, suas ONGs, programas, centros cooperativos, políticas públicas e, principalmente, para aqueles que acreditam na capacidade de homens e mulheres produzirem de maneira consciente e solidária alimentos orgânicos, saborosos e em quantidade de garantir a segurança alimentar de todo o povo.

Na contramão de governo defendido por reacionários, concentradores e mega devedores de impostos ao Estado – veementemente rechaçado durante a feira – e que vem fazendo um verdadeiro desmonte das conquistas sociais no país, o prefeito Paulo Garcia dá um passo adiante na cooperação com os diversos movimentos da economia solidária e inaugura ainda neste ano  o primeiro Centro Municipal de Economia Solidária da região Centro-Oeste, destinado à comercialização dos produtos deste segmento econômico. As obras estão em andamento no Setor Faiçalville, região sudoeste da cidade. Um exemplo de política pública para todo o país.

A carta de Santa Maria também faz duras críticas às práticas de criminalização dos movimentos sociais: sejam os campo ou os da cidade. Critica a prisão dos integrantes do MST em Goiás, acusados de participarem de organização criminosa e apontam que o viés de criminalizar é um caminho no sentido de inibir as lutas do povo em favor dos seus mais elementares direitos. Finalmente e, ao mesmo tempo a carta, mostra que a esperança continua na luta por moradia, terra, trabalho, educação, saúde e na crença de um mundo melhor e sustentável, ético e justo.

Finalmente: agradecer o trabalho daqueles que desejam um mundo melhor é indispensável e reconhecer necessário, portanto; obrigado aos colegas da economia solidária: Vanderlei Júnior, Guilherme Souza,  Robson Ued (Gepac), Cláudia Lima (Cajueiro), Solange Amarilla (Gerart I), Helder Menezes ( SRTE- GO), Odília Rogado (Rede Berço das Águas), Altamiro Nunes (Fórum Estadual Ecosol), Jaderson Andrade, Jaciara Carneiro da Silva, Alzira Cândido, Iná Monteiro e Célia Viana. Todos(as) empenhados – cada qual a sua maneira  e – na construção do Centro Municipal de Economia Solidária.

 (Pedro Wilson Guimarães , secretário municipal de Direitos Humanos)

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