Cotidiano

O caminho das drogas em Goiás

Redação DM

Publicado em 26 de agosto de 2016 às 01:59 | Atualizado há 1 ano

25,2 toneladas de maconha e cocaína, entre outras drogas ilícitas, foram apreendidas só este ano

As drogas vêm de longe e causam um estrago absurdo, geram a violência, destroem vidas e sacrificam a sociedade. Goiás mergulha no universo das drogas potencializadas por meio de manipulação em laboratório e outras que são trazidas de países vizinhos. E não é novidade que o mercado de entorpecentes tem desafiado autoridades policiais e políticas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), em 2016, as polícias Civil e Militar, além de seus grupos especializados, retiraram de circulação mais de 30 toneladas de drogas. Com as apreensões, pontos de comércio de drogas em Goiânia, Região Metropolitana e grandes cidades do Estado deixaram de ser abastecidos, o que contribuiu para reduzir, também, os assaltos e furtos em residência, a transeuntes, em comércio e de veículos, todos relacionados diretamente com o tráfico e o uso de drogas.

De janeiro a maio deste ano foram apreendidas 25,2 toneladas de maconha e cocaína, entre outras drogas ilícitas. O coronel Newton Nery de Castilho afirma que 90% dessas drogas vêm por rodovias. “Existe fiscalização nas estradas, mas o volume de drogas que entra no País é muito grande. Constitucionalmente, a responsabilidade de apreensão e fiscalização nas estradas que cortam o País é de competência da Polícia Federal”, afirma.

Ele traça, ainda, o perfil do usuário e explica que o problema é uma questão social. “Quem usa maconha e cocaína, geralmente, é jovem de classe baixa ou média. Os jovens que frequentam boates e homens e mulheres maduras, geralmente de classe alta, usam cocaína. Já o crack é um produto barato, sendo assim, usado por pessoas em situação de rua, moradores de zona rural, desempregados e pessoas com poder econômico baixíssimo”, explica.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), considera-se droga “qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento, ou seja, altera ou causa uma série de mudanças na forma de sentir, pensar, agir e expressar”.

Há diversos tipos de drogas, consideradas socialmente lícitas ou ilícitas, e que atuam no organismo de acordo com uma série de variáveis, dependendo do tipo de substância e da quantidade consumida, das características pessoais do usuário. As motivações que levam ao uso são inúmeras, como, por exemplo, a curiosidade, as condições sociais, para “fugir” de problemas, para busca de prazer, para inibir a timidez, dentre tantos outros fatores.

De acordo com o Relatório Mundial de Drogas anual, lançado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, os traficantes estão aperfeiçoando suas rotas de maneira exclusiva ao tipo de droga comercializada. As recentes apreensões realizadas em Goiás indicam que as redes de tráfico estão testando novas trajetórias. Os maiores fornecedores de cocaína do mundo são Bolívia, Peru e Colômbia. A droga que chega a Goiás, geralmente, vem do Paraguai e Bolívia.

Segundo o coronel Castilho, até agora foram apreendidas duas toneladas e 245 quilos de narcóticos apenas pela equipe da Rotam. Ainda de acordo com ele, as drogas mais consumidas no Estado são maconha, seguida de cocaína, crack e ácido bórico.

Essas drogas vêm sendo traficadas principalmente de forma regional e distribuídas em cidades estratégicas e pontos de tráfico da Grande Goiânia. Mas os aumentos significativos em apreensões nos últimos dois anos indicam que novas rotas estão sendo criadas para conectar mercados regionais.

A Delegacia Estadual de Repreensão a Narcóticos (Denarc), da Polícia Cvil, em abril deste ano, fez duas apreensões recordes: no dia 14 daquele mês, 1,5 tonelada de maconha foi apreendida próxima a Posselândia. E no dia 23, durante a Operação Tiradentes, foram 2,7 toneladas de maconha e 630 quilos de insumo apreendidos na GO-060, saída para Trindade.

A atividade da polícia goiana em desmontar laboratórios de drogas e quadrilhas especializadas em tráfico revelam que Goiás tem sido o centro das atenções para o comércio de entorpecentes. O número de apreensões e quadrilhas presas nos últimos sete meses, sobretudo, reforça a tese de que o território goiano tem tido livre acesso para o tráfico. Mesmo assim, as forças policiais da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária vêm trabalhando para coibir o comércio e uso de entorpecentes no Estado, sobretudo, nas rotas do tráfico de drogas e o monitoramento das fronteiras brasileiras, que dão acesso aos maiores produtores e fornecedores de drogas.

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