Vivemos numa humanidade melhor?
Redação DM
Publicado em 24 de agosto de 2016 às 02:36 | Atualizado há 10 anosAfinal de contas, habitamos um planeta de expiações e provas, onde a grande maioria da humanidade acha-se ainda muito atrasada em termos de evolução espiritual. Comecemos refletindo com Huberto Rohden, um dos grandes pensadores cristãos do século XX, conforme ele ensina em De Alma para Alma, um de seus apreciados 60 livros:
“Não creias em lacrimosos saudosismos de passadistas que bendizem o pretérito e maldizem o presente. Se ontem teve rosas, teve também muitos espinhos. Se hoje tem espinhos, por que não teria rosas? A vida é uma grande roseira, cheia de rosas e espinhos. Se de longe a contemplas, só enxergas um mar de rosas e espinho algum. Foi a distância e não a realidade que os espinhos eliminou”.
Eticamente, espíritos não regridem, pelo contrário avançam, reencarnação após reencarnação, em direção ao Pai Celestial, representando-lhes essa proximidade a conquista da felicidade verdadeira e definitiva.
“Sede perfeitos como vosso Pai” – não foi determinação do Mestre? A lei universal do progresso faz com que a humanidade se depure continuamente, o que muitas vezes dói. Ela já foi incomparavelmente pior do que é atualmente, conforme registra a História da civilização.
A transformação que vivemos
As leis humanas se aperfeiçoam, a solidariedade se amplia, o conforto, as conquistas em todos os campos do desenvolvimento, da técnica e da tecnologia, nos permitem qualidade de vida sempre melhor. Os povos se socorrem nas grandes tragédias coletivas. A televisão, o jornal, o rádio e a revista vigiam os governos, os legisladores e os magistrados, denunciando o que fazem de errado e cobrando-lhes providências. As entidades de direitos humanos mostram-se mais vigilantes e ativas do que nunca, as guerras são evitadas ou execradas no concerto das nações, na aldeia global em que se transformaram os cinco continentes as informações fluem instantaneamente, em dilúvios, sob os quatro pontos cardeais. Na metade do século passado,
Pitigrilli, embora mordaz crítico da sociedade contemporânea, reconhecia existir no mundo muito mais gente boa do que ruim. Explicava que os maus, os criminosos de todos os tipos, são mais notados porque suas ações constituem escândalo.
O que nos faz imaginar que as coisas estão piorando é o fato de muitas delas não ocorrerem conforme desejamos. Quem somos nós para assegurar que a nossa pretensão realmente interessa à nossa evolução! Tudo está de acordo com a vontade divina, pois nem uma só folha cai da árvore sem permissão do Pai e é norma de sabedoria popular que Deus escreve certo por linhas tortas.
O bem sempre prevalecerá
Belíssima exposição sobre esse assunto foi feita por Esse Capelli, no Notícias Proluz, do Centro Espírita Irmã Sheila, de Goiânia, edição 29, de setembro/outubro 2015.
Por sua oportunidade e utilidade, considerando a modesta tiragem daquele informativo e merecendo ela divulgação bem maior, a reproduzimos, a seguir, para conhecimento do gentil leitor do Diário da Manhã:
“É inegável que a humanidade terrena passa por grandes transformações, onde se tornam visíveis os conflitos, contradições e, até mesmo, a aparente inversão da ordem. As drogas, os descaminhos dos costumes e do senso de moralidade parecem avassalar a Terra. A instituição familiar e os valores morais parecem ruírem. O estardalhaço da mídia nos traz, a cada momento, o noticiário negativo do comportamento social, da destruição pelo ódio e pelas guerras.
Apesar de tudo, ao homem de fé é forçoso notar que, embora o mal se mostre avolumado, o bem caminha ao seu lado, como pólo positivo na dualidade da existência.
Enquanto o malfeitor destrói aqui, o benfeitor constrói ali, o assassino mata, o médico e a enfermeira lutam para trazer e conservar a vida nas maternidades e nos hospitais. O vício e a concupiscência desonram enquanto outros valores se erigem despertando e direcionando o homem para a edificação moral.
É certo que o desamor e a descaridade poluem, mas é também verdade que multidões lutam para preservar o edifício moral da humanidade. Se alguns lucram com a indústria da guerra e se alegram nas convulsões sociais e na morte, instituições se fortalecem na edificação da paz.
Ao homem de fé é imperioso ter em mente que o bem sempre prevalecerá sobre o mal e o que vemos é o ruído do que nos parece negativo, na grande transformação a que está submetido o nosso orbe. Não seria possível arar a terra, para o plantio e a ceifa da fartura, sem feri-la e perturbar os micro-seres que nela se agasalham. E o homem, um micro-ser no contexto da existência, não poderia deixar de ser molestado na grande transformação que se opera na Terra. Voltemos nossos olhos para o bem e o veremos perto de nós, laborando para evitar o mal. Pratiquemos o bem e ele anulará o mal, tal como a luz anula das trevas. Vale a pena cultivar a fé e a esperança, certos de que o Senhor da Vida não permite a desordem na obra de sua creação”.