Os novos coronéis
Redação DM
Publicado em 18 de agosto de 2016 às 01:59 | Atualizado há 10 anosExistem classes, pré-sindicais, ou já o sendo, que de uns tempos para cá, criadas ou incentivadas por governos populistas e propagadores de direitos, ganharam podres poderes, contra os quais ninguém se atreve a se opor. Sequer se pode olhar feio para elas, ou gungunar palavras de desagrado. A multiplicação induzida de movimentos sociais que no fundo são máfias ou organizações hostis a todos da sociedade que não compartilhem com seu ideário e suas bandeiras beligerantes, ganhou força cataclísmica, nas últimas gestões governamentais, a partir de 2003. Data da ascensão do PT, com a primeira vitória de Lula em suas disputais para aboletar-se no pudê.
Uma dessas classes operantes, integradas por pretensos porém autorizados representantes de trabalhadores – chamados de Cipeiros, profissionais que agem como se sindicatos de propineiros fossem – pretensamente encarregados e a serviço de defender os interesses de trabalhadores dentro das empresas. Muitos desses profissionais desempenham seu ofício com integridade e sem pensar em granjear benefícios para si mesmos. Mas não são muitos. Um amigo, gerente de uma unidade de construtora conhecida no nordeste, teve que parar uma obra que emprega mais de mil homens, obedecendo a uma simples ordem de um desses pré-sindicalistas beligerantes e propineiros.
Segunda-feira, bem cedinho, antes mesmo que os primeiros operários aparecessem para bater o ponto, e iniciar sua jornada de Hércules, chegou um chefe cipeiro, a bordo de uma reluzente e nova Land Rover dos mais caros modelos. Ele e uma turma de, “digamos”, companheiros. Deu ordem para pararem tudo.. Ali ninguém entraria naquele dia, e até que comprovassem que os trabalhadores estavam sendo bem tratados, e que estavam sendo devidamente cumpridas todas as normais legais. Mais de mil trabalhadores parados. Máquinas pesadas alugadas a peso de ouro, por dia ou hora trabalhada.Tudo posto em inércia, ante a blitz garantidora de direitos. Que por sinal nunca foram desrespeitados por aquela empresa detentora de certificados de garantidores de excelência e presteza na qualidade do trabalho que entrega e de suas relações com seus empregados, chamados de colaboradores.
Estava claro que a fiscalização extemporânea e feita ao modo de blitz, tratava-se, como de outras vezes, de mais uma costumeira operação propineira. Com os fiscais chegando de bermudas e chinelas, coisa que a empresa não admite nem a seus fornecedores de maior peso. No canteiro de obra só deve entrar quem esteja de sapato, tênis,ou calça apara os dois sexos conhecidos desde os tempos bíblicos. Mas foram dando carteiradas a torto e a direito. Sabiam os atônitos gerentes com quem estavam falando?
Após vistórias atrabiliárias e turbulentas, dariam um jeito de encontrar alguma coisa fora das normas, uma falha qualquer, mesmo inexistente – para deixar as coisas tão difíceis para a empresa que não lhe restaria outra providência senão apelar para o tradicional molha-mão. Um deles (parecia falar em nome da classe e de todos os ministérios deste país bruzungandeiro), ao ser perguntado como estava a sua mulher, digo, esposa, saiu com essa: – Qual delas?
E Foi sacando o I-phone 6 para mostrar fotos das muitas mulheres das quais se considerava dono, provedor e patrão. Depois de convidar o gerente para visitar o sítio que adquiriu e reformou, dotando-o de ampla gama de luxos burgueses. Isto mesmo sendo, até quase ontem um pé-rapado, disse-lhe com empáfia que praticamente tem uma mulher em cada município onde atua.. Todas a cuidar dos muitos filhos que ele vai fazendo com notável irresponsabilidade. E ainda arrotava vantagem: “Comigo é assim: tenho muitas mulheres porque dou conta de tratar de todas. Não falta feijão na casa de nenhuma delas.”
(Brasigóis Felício, escritor e jornalista.Membro da Academia Goiana de Letras)