Política

A outra marmelada

Redação DM

Publicado em 12 de agosto de 2016 às 02:31 | Atualizado há 1 ano

E documento aparece misteriosamente no balcão do cartório.Juíza de Luziânia manda instaurar sindicância para apurar invasão de prédio público

O prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD), poderá ficar sem poder disputar a reeleição por conta de atraso no registro da ata da convenção de seu partido na Justiça Eleitoral. Ainda pesam sobre ele suspeitas de invasão de prédio público para tentar burlar a desídia para com o cumprimento dos prazos da legislação eleitoral.

Na última terça-feira, 9, Cristóvão Tormin chegou ao prédio onde funciona a 139ª Zona Eleitoral, de Luziânia, com o livro de Ata debaixo do braço. Faltavam poucos minutos para o fim do prazo final, 18 horas, e a ata ainda não estava concluída. Cristóvão entrou para o gabinete da juíza eleitoral Soraya Facuri de Brito e ocupou uma mesa para concluir a redação da ata da convenção.

O que se seguiu foi documentado em vídeo pelo advogado Idélcio Magalhães e juntado à investigação da Justiça Eleitoral. Marcelo Melo sentado à mesa escrevendo a ata no livro próprio e seu assessor fechando a porta da sala e impedindo o advogado de registrar o ocorrido. Entretanto, Idélcio conseguiu dar a volta e entrar pela porta dos fundos para continuar a gravação.

Ele contou para os investigadores que o prefeito Cristóvão Tormim tentou se insurgir contra ele para que ele saísse da sala. “Eu disse a ele que tudo estava sendo filmado, que ele não poderia estar ali na sala da juíza e que tudo seria relatado para a Justiça Eleitoral”, explica Idélcio. O prefeito ainda caminhou de forma ameaçadora na direção do advogado tentando intimidá-lo para que ele não gravasse as cenas.

Após concluir a redação da ata de sua convenção, o prefeito Cristóvão Tormim foi até o serventuário da Justiça Eleitoral na tentativa de entregar o livro de ata. O diretor da Zona Eleitoral, Rogério Lemes Silveira, notificou o advogado. Leon Gaspar Safatle, que representa o PSD, agremiação do prefeito, esteve no Fórum Eleitoral para tentar entregar a ata em duas vias digitadas e assinadas e já eram 18h20 quando os documentos chegaram, portanto, após o horário de fechamento do horário e exaurido o tempo legal para protocolo dos documentos.

Para que não restassem dúvidas, ele extratou também que o prefeito ocupou a sala da magistrada para terminar de compor a ata que lhe garantiria o direito de disputar a reeleição “sem seu conhecimento, para, segundo eles, fazerem a conferência da referida ata”. Pronto, estava armada a irregularidade cometida por um prefeito que pretende ser reeleito nas eleições de outubro.

Invasão

O passo seguinte, após a negativa do serventuário da Justiça Eleitoral de receber a ata, foi uma incógnita que a juíza Soraya Facuri de Brito mandou apurar na sindicância. A ata apareceu misteriosamente no balcão da 139ª Zona Eleitoral na manhã de quarta-feira, 10.

As suspeitas de que o prédio público tenha sido invadido na tentativa de fazer entregar a ata da convenção do PSD foram bastante para que a juíza acionasse a Polícia Federal para descobrir o que ocorreu e quem deixou a ata no balcão do cartório eleitoral.

O resultado é que o prefeito Cristóvão Tormim fique impedido de disputar a reeleição e que seu partido não possa indicar outro no pleito.

Cristóvão Tormim já enfrenta grande desgaste junto à população de Luziânia e teve seus bens penhorados por ações de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público.

A reportagem tentou ouvir o prefeito para que ele apresentasse sua versão, sem sucesso.

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