Política

Diagnóstico eleitoral

Redação DM

Publicado em 11 de agosto de 2016 às 04:30 | Atualizado há 1 ano

Discussão sobre Cmeis e OS na Saúde esquenta o debate dos candidatos à Prefeitura de Goiânia

Mesmo com a ausência de Iris Rezende (PMDB) e Delegado Waldir (PR), foi movimentado o debate entre candidatos a prefeito de Goiânia realizado, ontem, pela Rádio 730 e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO). Neste segundo embate desde a realização das convenções, os lances mais quentes ficaram por conta da discussão sobre adoção de Organizações Sociais na Saúde – modelo já adotado pelo governo do Estado – e pelo não cumprimento da promessa que o prefeito Paulo Garcia (PT) fez, na campanha de 2012, de construir 81 Centros Municipais de Educação Integral (CMEIs) em quatro anos.

Provocado por Flávio Sofiati (PSol), o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) voltou a dizer que rejeita o modelo de gestão por OS, em que pese o fato de ter recebido o apoio do PSDB e do governador Marconi Perillo (PSDB) para esta eleição. “Sou contra. Tenho o meu modo de administrar”, disse Vanderlan. O empresário defendeu que o foco dos investimentos seja transferido para o Programa de Saúde da Família (PSF) e, a exemplo do que fez em todo o debate e na pré-campanha, citou os seus mandatos na Prefeitura de Senador Canedo como referência para o que ele pretende fazer na Capital. Na réplica, Sofiati disse ser contra as OS por conta da falta de transparência na gestão do dinheiro repassado.

O único a se posicionar a favor deste modelo de gestão foi Francisco Júnior (PSD), quando questionado por Djalma Araújo (Rede). “No mundo moderno não pode haver achismos. A gestão de Saúde no Estado melhorou e há estatísticas que comprovam esta afirmação”, afirmou Francisco. A ideia dele é adaptar a ideia para a realidade do município. Na mesma resposta, o candidato do PSD cutucou Vanderlan, que havia dito que era contra as OS. “Sou da base e não escondo, não disfarço. Defendo os avanços e os conceitos de gestão deste governo”. Djalma, na réplica, condenou as OS: “Estão criando um estado paralelo”.

CMEIs

Logo no início do debate, a candidata Adriana Accorsi (PT) admitiu que o seu principal cabo eleitoral, prefeito Paulo Garcia (PT), não cumprirá a promessa de entregar 81 Cmeis até o final do seu mandato. Nas contas dela, estão construídos ou em construção 41. Adriana chegou a falar em 38, mas corrigiu-se na sequência. “Não é um número suficiente, mas foi o maior da história”, afirmou a petista. A candidata disse que, se for eleita, vai construir os centros de educação que faltam para atingir a meta. Segundo ela, o déficit na rede municipal é de pouco mais de cinco mil vagas.

Djalma e Vanderlan contestaram os números de Adriana. O primeiro disse que o déficit não é de cinco, mas de 20 mil vagas. O segundo afirmou que não são 41, mas apenas 12 Cmeis construídos por Paulo Garcia em seus quatro anos de mandato – quase um oitavo de tudo que prometeu. Vanderlan e Francisco levantaram a bola, um para o outro, para comentar o assunto da falta de vagas na rede municipal. Francisco defendeu a otimização das estruturas físicas dos Cmeis já existentes e a ampliação dos contratos com entidades filantrópicas que oferecem o serviço. Vanderlan propôs que a prefeitura compre vagas também na rede privada de creches.

PAULO GARCIA

O não cumprimento da promessa de construção de 81 Cmeis foi apenas um dos pretextos que os candidatos utilizaram para atacar o prefeito Paulo Garcia (PT), a Geni dessas eleições. Flávio Sofiati (PSol), por exemplo, o acusou de ser “fantoche do setor imobiliário”. Djalma afirmou que Paulo é o pior prefeito da história e lembrou momentos dramáticos de sua gestão, como os dois grandes alagamentos do túnel da Avenida Araguaia, inaugurado em 2013. “Como é que você tem coragem de defender um prefeito como esse?”, perguntou Djalma a Adriana Accorsi.

Francisco Júnior acusou Paulo de conduzir o processo de cobrança extra de IPTU de forma “atabalhoada”, o que segundo ele gerou protestos e insatisfação da população. Vanderlan criticou não só Paulo, mas também Iris por terem direcionado a economia de Goiânia para prestação de serviços, em vez de diversificar e investir também em polos industriais. Adriana fez o que pôde para descolar a sua imagem de Paulo Garcia, lembrando sempre que a sua principal referência era o seu pai e ex-prefeito Darci Accorsi, já falecido.

 

Flashes do debate

– Convidado a perguntar para um dos candidatos, o jornalista Rosenwal Ferreira afirmou que as ciclovias e ciclofaixas de Goiânia são usadas como uma “farsa midiática” pela prefeitura.

– Vanderlan Cardoso (PSB) demonstrou incômodo quando Adriana Accorsi (PT) referiu-se a ele como empresário. Disse que também é homem público – e com experiência, inclusive.

– Djalma Araújo, candidato da Rede Sustentabilidade, promete 5% do orçamento do município para Segurança Pública.

– Flávio Sofiati (PSol) diz que propostas dos adversários para Segurança resumem-se a combater violência com violência.

– Adriana Accorsi (PT) disse discordar da cobrança adicional de IPTU feita por Paulo  (PT) neste ano: “Eu faria diferente”.

– Francisco Júnior lembrou a Adriana que o pai dela, Darci, teve de sair do PT quando apresentou discordância tão grave quanto a dela. Mas a petista desconversou e disse que são circunstâncias diferentes.

Djalma Araújo, sobre as OS na Saúde do Estado: “Estão criando um estado paralelo”.

– Sofiati se autonomeou o candidato do “Fora Temer” e lamentou a ausência do PMDB no debate para discutir o tema.

– Djalma perguntou a Francisco Júnior se não temia perder cargos no governo por conta da rebeldia do PSD, que se negou a apoiar Vanderlan. Ele desconversou.

– Jornalista Eduardo Horácio fez pergunta sobre Ficha Limpa na prefeitura que Iris deveria responder. Ocorre que o candidato não foi ao debate.

– Representante da OAB tentou colocar o escândalo da emissão de alvarás sem documentos na pauta do debate, mas os candidatos não mergulharam na onda.

– Flávio Sofiati (PSol) prometeu estatizar o transporte coletivo se for eleito.

 

Waldir e Iris faltam ao confronto

A ausência dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto esvaziou o confronto promovido na manhã de ontem pela Rádio 730 e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO).

O ex-governador Iris Rezende (PMDB) afirmou que há muito pouco tempo declarou-se candidato, e que por isso não estava preparado o suficiente para debater os problemas de Goiânia. Além disso, afirmou que havia compromissos firmados anteriormente à oficialização da sua candidatura, aos quais não poderia faltar.

Delegado Waldir (PR) argumentou que tinha agenda a cumprir na Câmara dos Deputados às 9 horas de ontem, em função da decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), de alterar o horário de funcionamento da Casa neste período eleitoral. Com a ausência dos dois, o principal alvo de ataques foi Adriana Accorsi (PT).

 

 

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