Brasil

As vitoriosas andanças do Negão da Arapuca

Redação DM

Publicado em 11 de agosto de 2016 às 04:22 | Atualizado há 10 anos

Quando o astro rei declinava no horizonte azul rumo ao poente naquela inesquecível tarde de 11 de janeiro de 1943, o amorável coração da campesina Maria Francisca da Silva batia forte e descompassadamente.

Daí a alguns instantes em sua humilde casinha edificada às margens do Ribeirão Branquinho então distrito de Jataí e hoje Aparecida do Rio Doce aportava ao mundo das formas, vindo a lume o último de seus rebentos e seu único filho varão Nelson Antônio da Silva.

Registrado em nome da mãe Maria Francisca da Silva (prima primeira do meu pai José Virgílio) e Tolentino Antônio da Silva, aquele garoto de pele escura, magricela e cumprido crescia em estatura e sabedoria, renovando sempre as esperanças daquela mãe extremosa que carinhosamente aprendemos a chamar de tia Maria Lavadeira.

Implacável a ação impiedosa do tempo e as claras evidências da aparência física não tardaram em comprovar de forma incontestável e extreme de dúvidas, que o nosso personagem era filho biológico de Jerônimo Caiana, uma das mais expressivas lideranças da jovem e progressista cidade de Aparecida do Rio Doce, então distrito de Jataí.

Embora extremamente pobre mais corajosa e determinada dona Maria decide mudar-se para Jataí porque desejava ver seu  filho caçula aculturar-se para alcançar as luzes do saber e do conhecimento.

E nesta linha de raciocínio aquele garoto sapeca, corpo esbelto, ágil e pobre de formosura iniciou seus estudos no Colégio Estadual Marcondes de Godoy onde fez o curso primário, transferindo-se ao depois para o Colégio Estadual Nestório Ribeiro onde concluiu os cursos ginasial e técnico em Contabilidade.

Antes de ingressar na vida pública para transformar-se em estrela de primeira grandeza no universo político de Goiás, Nelson Antônio exerceu as funções de vendedor de sabão na rua, lavrador e alfaiate, para ajudar a mãe e para manter a própria sobrevivência.

Ao depois de laborar longos anos como exímio profissional da tesoura foi escriturário contábil e sócio proprietário do Escritório do Comércio de Jata, uma das mais laureadas empresas da cidade apiária.

Antes de transformar-se em bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e sócio proprietário do Cesut – Centro de Ensino Superior de Jataí, Nelson Antônio através do MDB – Movimento Democrático Brasileiro, ingressa na vida pública para exercer com humildade, competência e rara sabedoria uma carreira de sucesso e coroada de pleno êxito.

Ocupou, ao longo de sua brilhante e abençoada trajetória política mourejando pelos ásperos, tempestuosos e bem aventurados caminhos da pública vários cargos e funções de extrema relevância.

Vereador por duas legislaturas, presidente do Diretório Municipal do PMDB, secretário municipal, duas vezes deputado estadual, presidente do Cerne, diretor administrativo financeiro do Crisa e prefeito municipal por dois mandatos em Jataí, onde realizou profícuas e produtivas administrações.

De sua união matrimonial com a ex-primeira-dama Sebastiana Ferreira da Silva, adveio o nascimento dos seguintes filhos: Cláudia Regina Ferreira, médica veterinária; Rogério Ferreira da Silva, advogado, e Iolanda Ferreira da Silva, assistente social.

Any Caroliny Rodrigues sa Silva, estudante de 14 anos, é a linda e inteligente filha de sua união estável com Francyjane Rodrigues Cruzeiro.

É forçoso reconhecer que Nelson Antônio da Silva com quem tivemos a honra de compartilhar várias experiências consolidadas é uma liderança muito bem-sucedida no amplo e difícil cenário da vida pública de Goiás.

Contabilizou poucos insucessos e muitas vitórias, sempre tratou com urbanidade e respeito seus companheiros e adversários, cabeça dura e às vezes dono da verdade absoluta, não titubeava em aceitar a opinião de outrem depois de convencido por acalorado debate.

Sem preconceito de toda ordem e crítico contumaz de si mesmo aceitou de bom grado desde o inicio de sua trajetória pública o carinhoso apelido de “Negão da Arapuca,” que acabou por ser a marca indelével de sua reconhecida e ampla e popularidade.

Ele próprio trouxe a lume a informação de um episódio do qual teria sido protagonista e que ousamos aqui repetir.  Alguém escreveu no muro da sua casa a seguinte expressão: Aqui Mora um Preto. Ele escreveu em baixo: Mas é Prefeito. O gaiato voltou e escreveu: Mas é Preto.

Esta história contada por ele mesmo demonstra a singela e a simplicidade de um homem que passou pela vida pública urdido o bem e servindo sem perguntar a quem e até quando.

Hoje Nelson Antônio reside em Jataí, segundo as últimas estatísticas a mais bela e melhor cidade do mundo o que não ouso contestar.

Depois de tantas idas e vindas entendemos que esta ilustre figura de raríssimas qualidades morais e que ousamos homenagear através deste singelo e descolorido artigo de nossa humilde lavra vive um dos mais preciosos momentos de sua atual encarnação.

A sua é a hora de refletir sobre cada passo de sua gloriosa caminhada. Analisar criteriosamente cada uma das preciosas lições recebidas agregando-as ao patrimônio de seu rico aprendizado moral.

É hora Nelson de assumir o comando de sua própria individualidade, dar conta de sua administração pessoal e entender que “para ser feliz é preciso sentir, este céu azul, esta imensidão, é fazer das tristezas estrelas a mais e do pranto uma canção”.

 

(Irani Inácio de Lima, presidente da Associação Jurídico Espírita de Goiás. [email protected])

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