O custo da microgeração de eletricidade e o financiamento
Redação DM
Publicado em 9 de agosto de 2016 às 02:58 | Atualizado há 10 anosJá comentei, neste espaço, o crescimento que vem tendo, no Brasil, uma modalidade de fonte de energia elétrica muito comum em países desenvolvidos como a Alemanha: a microgeração através da luz solar. De acordo com a Revista Brasil Energia, esse crescimento foi considerável do ano passado para cá. De 2 mil consumidores, o país praticamente dobrou o número de usuários ao ritmo de 400 ligações por mês.
Do ponto de vista dos consumidores residenciais (o foco dessa nova modalidade), a microgeração possibilitará a eles gerarem a energia para, assim, suprirem suas necessidades domésticas por esse insumo energético. O processo é simples.
A oferta de painéis fotovoltaicos capta a energia solar e alimenta os verdadeiros glutões de eletricidade responsáveis por elevar a conta dos consumidores residenciais lá para as alturas. Falo de cargas como do chuveiro elétrico, ar-condicionado e ferro de passar roupa. O uso da energia solar como fonte complementar possibilitará uma economia de até 90% na conta de eletricidade das residências que usarem os painéis solares.
O grande desafio que se defronta a microgeração é, sem dúvida, o elevado custo aliado às escassas fontes de financiamento, tão necessárias para viabilizar investimentos dessa natureza. A Brasil Energia dá uma ideia desse custo e do correspondente benefício que terá uma residência média com o uso de painéis solares. Ou seja, o consumidor investirá cerca de 20 mil reais, podendo reduzir em até 90% sua conta de energia elétrica.
Para acelerar o processo de popularização dos painéis, o governo sinaliza a possibilidade do uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço como fonte de financiamento. Além disso, as agências de fomento estaduais e o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) já estão no negócio. Diante dessa nova realidade, deixo aos leitores a seguinte indagação, o que será melhor negócio: deixar o FGTS na conta com pífios rendimentos ou usar o recurso na compra de painéis fotovoltaicos que possibilitarão consideráveis reduções na conta de eletricidade? A resposta me parece clara: certamente, a segunda opção é bem mais interessante. O investimento se paga a médio prazo (5 anos). Além disso, o sistema de microgeração tem pouca depreciação, pois “há vida útil entre 20 e 25 anos, os equipamentos geram entre 80 e 85 por cento do que geravam quando eram novos”, assim atesta a Brasil Energia. Creiam: a microgeração veio para ficar. Sua popularização é questão de tempo. Fiquem atentos e não percam a oportunidade.
(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, de Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica.)