A crise nacional de 1961 e os estudantes jataienses
Redação DM
Publicado em 4 de agosto de 2016 às 03:16 | Atualizado há 10 anosRio de Janeiro, sede da República dos Estados Unidos do Brasil,21 de abril de 1960. Há 168 anos essa urbe fora palco do assassinato( execução) de Tiradentes, e a partir de agora se converte no Estado da Guanabara porque, no Planalto Central, Juscelino inaugura a Capital da Esperança, Brasília, obra extraordinária que ele prometera ao Toniquinho, em Jataí, por ocasião da abertura da sua triunfante campanha eleitoral, dia 4 de abril de 1955.
Juscelino se elegera presidente e Jango, seu companheiro de chapa e com mais votos do que ele, para vice-presidente, dia 3.10.1955, e cumpriram seus mandatos de 31.1.1956 a 31.1. 1961. Foram “50 anos em 5”, gabava-se JK.
Brasília, 31.1.1961. Juscelino é sucedido por Jânio, eleito, pela oposição, dia 3.10.1960. Na chapa contrária ao Jânio, para vice-presidente o Jango se reelegera e se empossa também dia 31.1.1961. São os primeiros presidente e vice-presidente a assumirem na nova capital.
Brasília, 25.8.1961. Há sete anos e um dia comovera-se a Nação com o suicídio do presidente Getúlio. Nessa data, ou seja, 25 de agosto de 1961, Jânio renuncia. Jango é a reencarnação do Getúlio. Fora seu ministro do Trabalho, seu amigo, seu correligionário, seu conterrâneo. Encontra-se na China e precisa apressar seu retorno para galgar a Presidência. O braço fardado da UDN avisa que o prenderá quando chegar ao território nacional. Brizola, governador sul-rio-grandense, cunhado e correligionário do Jango, os desafia montando, no Palácio, a Cadeia da Legalidade pela qual ecoam, pela imensidão brasileira, os discursos desse grande homem de Carazinho. Desse encadeamento de emissoras faz parte a Brasil Central, pertencente ao Estado de Goiás governado por outro homem de fibra que se chama Mauro Borges Teixeira. Teme-se por uma guerra civil. Instituições se posicionam sob a flâmula da Carta de 1946. Em Jataí, as autoridades não se pronunciam nem contra e nem a favor. Não se calam, contudo, os estudantes secundaristas. Os três grêmios estudantis – do “Nestório Ribeiro”, do “Samuel Graham”, do “Bom Conselho”, nessa ordem de prestígio( faço parte do primeiro) – nos alimentavam de idealismo. A cidade conservadora se divide em pessedistas e udenistas e em nós reflete essa dualidade, mas nesse momento somos, uníssonos, pelo respeito à Constituição. Fazemos comícios na esquina da Goiás com a Brasil(o principal cruzamento da cidade) e nas reuniões da célula local da Unão Goiana dos Estudantes Secundaristas( ou Secundários, bem não me lembro). No nosso meio há excelentes oradores e os grêmios parecem laboratórios de novos líderes. Osvaldo Vilela veio ser vereador em Morrinhos, seu berço; Geraldo Venério e Nivaldo Moraes, vereadores. Por pouco Nivaldo não foi prefeito, postulou para vice-prefeito e deputado estadual. Ernane França( seu pai, Cyllenêo França, prefeito em 1961) parece-me que não seguiu carreira política porque não quis. Aristal Honório candidatou-se, lançado pelos estudantes, vereador, mas não se elegeu. Manoel Costa Lima, duas vezes seguidas eleito deputado estadual depois de ser candidato a vice-prefeito, em 1969, formando dupla com Nivaldo. Ny Peres e Ariston Quirino tentaram o Executivo municipal. Não me recordo se nesse movimento de 1961 o Ariston se envolveu, mas foi nosso contemporâneo no “Nestório Ribeiro” de larga tradição. Citei apenas alguns nomes. Houve muitos outros. Nesses grêmios praticávamos oratória, declamação, música, canto.
Jango, finalmente, assume depois de engolir o parlamentarismo criado rapidamente para lhe diminuir poderes reconquistados no referendum de 1963 com a volta do presidencialismo. Em 1964, os inimigos do Getúlio/Jango/Brizola deram o golpe que implantou a ditadura que durou duas décadas. Em 1992, golpe em formato de impeachment do Collor, sendo o PT um dos carrascos; em 2016, golpe fantasiado de impeachment de Dilma, do PT,aliado do Collor.
(Filadelfo Borges de Lima, 72 anos, natural de Jataí, autor de diversos livros, sócio-fundador da Academia Rio-Verdense de Letras Artes e Ofícios, curso superior incompleto, maçom grau 33, aposentado no Fisco do Estado de Goiás)