Economia da reciclagem
Redação DM
Publicado em 3 de agosto de 2016 às 02:37 | Atualizado há 10 anosSão cerca de cinco mil empregos diretos e 15 mil indiretos. Especialista do setor avalia que ainda há muito o que melhorar
A discussão em torno da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável nunca foi tão necessária em todo o mundo como hoje. Um dos grandes problemas atuais é como dar fim ao lixo de forma segura e não poluente, uma vez que dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a má qualidade do meio ambiente implica 23% das mortes em todo o mundo. Por conta disso, projetos que promovem o equilíbrio ambiental têm ganhado cada vez mais reconhecimento e importância. Hoje, Goiás não possui índices de quanto do lixo produzido é de fato reciclado, no entanto segundo dados da Associação das Empresas de Reciclagem do Estado de Goiás (Asciclo), o setor movimenta por mês mais de R$ 25 milhões. As indústrias de reciclagem em Goiás fazem o tratamento de vários resíduos sólidos, como papel, aço, materiais não ferrosos e ferros, plástico e outros.
Em Goiânia, o programa do governo Coleta Seletiva é desenvolvido pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Criado em 2008, o órgão recolhe 2.048 toneladas de materiais recicláveis por mês. Esse material é destinado a 15 cooperativas cadastradas jundo ao Programa Goiânia Coleta Seletiva.
Para o presidente da Asciclo, José Leopoldo de Sant’Anna Junior, o que falta para que haja mais representatividade do setor em Goiás é a conscientização das crianças, ou seja, uma educação pautada na orientação que tenha desdobramento dentro de cada residência. “A conscientização deve existir em todas as esferas, é claro, no entanto a base deve ser a mais trabalhada. A partir do momento em que tivermos escolas, sejam públicas ou privadas, formando pessoas conscientes poderemos mudar algo. As crianças são o futuro e quando elas aprendem tendem a levar isso não só para a vida adulta, mas também para os pais, dentro de casa, onde de fato precisamos alcançar”, diz.
“Falta incentivo do governo, nós precisamos de mais respaldo o que infelizmente não temos”, avalia o presidente da associação. O setor emprega diretamente cerca de 5 mil pessoas, e indiretamente, entre catadores e trabalhadores informais, mais de 15 mil pessoas. “Lembrando que nesses 15 mil temos também uma situação de inclusão social, onde pessoas que não têm estudo conseguem com isso alguma renda de cerca de um salário mínimo a partir do trabalho com a reciclagem”, diz.
CONSCIÊNCIA
O presidente alerta que o Estado ainda está em processo de desenvolvimento no que tange à coleta seletiva do lixo, muito ainda precisa ser feito. “Ainda temos um sistema muito embrionário e informal”, avalia. Ele diz que é preciso aumentar essa coleta e com isso gerar mais reciclagem de itens que iriam degradar a natureza. Mas principalmente é preciso conscientizar a população quanto à importância do papel dela nesse sistema.
Ciclo sustentável
Quase tudo pode ser transformado de forma a não degradar o ambiente, viver e pensar de modo sustentável deveria ser uma atitude comum, corriqueira, mas não é. Apesar disso, as indústrias de reciclagem vivem de um ciclo sustentável que ajuda no combate à era do consumo, onde as pessoas compram, não usam e jogam fora. Uma das indústrias que fazerm esse trabalho de reciclagem é a Ipiranga Reciclagem de Metais. A equipe de reportagem esteve nos galpões da empresa para conferir o trabalho.
Em meio a toneladas de latinhas, ferro e destroços do que para muitos é lixo descobre-se um universo de máquinas extremamente tecnológicas e modernas. Essas estão prontas para transformar tudo isso em insumo para as siderúrgicas, que no final do processo devolvem essa matéria-prima intacta, pronta para uso novamente. São telhas, canos, vergalhões, vários produtos que voltam para o comércio e para o seu ciclo de reciclagem.
O proprietário da Ipiranga, Carlos Antônio Parreira, explica que o setor tem boa representatividade no Estado, no entanto preciso de uma transformação, onde haja menos informalidade para que ele possa contribuir de forma mais palpável com a economia. “Hoje trabalhamos com ferro, alumínio, inox, baterias, latinhas e outros. São mais de 21 anos no mercado, onde tiramos esse produto que iria ser mais um meio de poluir o meio ambiente, o tratamos e devolvemos às pessoas como produto final. Sem sombra de dúvidas é algo extremamente importante, que tem muito valor para a sociedade como um todo”, avalia.
“Sem ajuda do governo, são milhões. Se houver a ajuda, serão bilhões.”