Desativada 2

Hoje é dia de passear no parque

Redação DM

Publicado em 30 de julho de 2016 às 03:00 | Atualizado há 1 ano

Desde que alguns dos principais eventos culturais independentes de Goiânia anunciaram a parceria com o Movimento Urbanístico Diversidade e Arte (Muda), que visa levar a arte e a cultura aos locais públicos, ora abandonados ou desvalorizados da capital, o que era bom, ficou ainda melhor.

Dessa vez o encontro de artes integradas acontece no tradicional e bem localizado Parque Vaca Brava. Além do palco aberto para qualquer tipo de manifestação artística, integram a programação do evento exposições das artistas Gi Gyordane, Flor de Saturno e do jornalista Heitor Vilela (Rabiscos & Escarros); pocket shows com Chá de Gim, Victor Castro e do último ganhador do prêmio Juriti de Música e Poesia, Rheuter Peixoto.

Também acontecem intervenções e rodadas de poesia por poetas locais, feirinha de livros novos e usados, e feira de adoção de cães e gatos que estavam em situação de rua e receberam amparo e cuidados da Aspaan. O evento acontece hoje (30), às 16h, e a entrada é franca.

O cosmos feminino de Flor de Saturno

“Iniciei com esse trabalho em novembro de 2015, me surpreendi um pouco porque não tive pretensões de voltar a desenhar depois de bastante tempo parada, mas as circunstâncias me fizeram dar continuidade. Procuro trazer pra esse trabalho temas que fazem parte do meu dia a dia, é assim com vários artistas, creio que a arte pode atingir pessoas de forma positiva em relação a diversos temas”, conta a ilustradora Flor de Saturno, que apresenta seu trabalho nesse sábado.

Flor conta a marcante presença da temática feminista em seus desenhos: “Portanto, acabo falando sobre feminismo ou trazendo ele de alguma forma, costumo fazer bastante ilustrações do corpo feminino e nu, mas não para ser objetificado e sim admirado por suas belezas e diversidade.”

Flor também fala de suas parcerias, como os textos de Serena Abreu que ela ilustra. “A Serena Abreu retornou a página recentemente, é uma parceria com uma amiga que prefere se identificar como tal, ela faz os textos e eu as ilustrações que geralmente são publicadas semanalmente sendo na quinta-feira.”

Temáticas importantes, como o alerta para relacionamentos abusivos, são parte do arsenal de Flor, que desenha o universo que acerca e os conflitos inerentes. “Ultimamente, comecei a falar sobre Relacionamentos Abusivos, me abri para escutar histórias sobre essas relações, já vi algumas pessoas “escutando histórias de amor”, mas quis fazer diferente, falar de situações de abusos mesmo (que acabam confundido com amor), de violência, seja ela psicológica ou física. Venho recebendo alguns depoimentos através da página, alguns são bem chocantes, expõem situações de vulnerabilidade que estamos sempre sujeitos. Comecei a trazer isso para as ilustrações porque fui vendo pessoas próximas a mim passando por isso, imaginei que fosse uma boa alternativa usar meu trabalho como ponte para levantar discussões sobre.”

Flor continua falando da dificuldade de abordar o tema do abuso em relacionamentos por conta das convenções sociais. A ilustradora usa como exemplo uma mulher que é inspiração no mundo das artes visuais, a pintora mexicana Frida Khalo: “Sei como é dificil reconhecer o abuso, porque a sociedade romantiza alguns comportamentos. Uma das minhas inspirações para essa temática, foi a pintora mexicana Frida Kahlo, na qual sou apaixonada pelo trabalho e por sua vida pessoal que de certa forma me ensina a lidar melhor com a arte e processo de desenvolvimento. Mesmo Frida sendo ativista política, feminista, militante comunista entre outros, isso não impediu ela de vivenciar muita dor e sofrimento consequentes também de um relacionamento abusivo com seu companheiro Diego Rivera, que era sua grande paixão.”

“Sobre o Sábado no Parque, conheci o evento através de alguns amigos, alguns até faziam apresentações no palco aberto e hoje integram a programação. Me chama atenção a pluralidade cultural que integra o evento que acontece em espaços públicos, temos apresentações de bandas/grupos musicais, poetas, lançamentos de livros, exposições e claro a distribuição de mudas nativas do cerrado. Tais ações tornam o evento um meio propício para a valorização de artistas locais, ainda mais com o palco aberto que proporciona um espaço para a pessoa que talvez tinha intenção de ir apenas assistir, mas ela acaba contribuindo para a realização do evento e propagando arte muitas das vezes autorais. Minha primeira exposição no evento aconteceu em abril desse mesmo ano, na edição que aconteceu no Parque Areião, e desde então tenho recebido o convite para próximas edições. A próxima edição, inclusive que é especial de férias, acontece hoje, dia 30, no Parque Vaca Brava”, relata a ilustradora na defesa da importância do evento que ocorre aos sábados em parques de Goiânia.

 

 

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