Política

PSOL lança Sofiati

Redação DM

Publicado em 30 de julho de 2016 às 02:41 | Atualizado há 10 anos

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) realiza hoje (30) sua Convenção Municipal para definir o candidato que disputará a Prefeitura de Goiânia pelo partido, além de estabelecer quem serão os vereadores da chapa e as legendas que participarão da coligação. O evento acontece hoje, às 14 horas, no Hotel Rio Vermelho, em Goiânia. O sociólogo e professor universitário Flávio Sofiati, já lançado como pré-candidato do partido, deverá ser o nome confirmado na convenção e representará a Frente de Esquerda nas eleições municipais.

Em entrevista ao Diário da Manhã, o professor universitário destaca sua vontade de ser prefeito de Goiânia e os projetos que planeja para a cidade. “Vamos radicalizar a democracia participativa e redistribuir a renda da cidade. Goiânia é menos democrática e mais desigual”, considera. Sofiati também ressalta o descontentamento com a atual gestão e crítica o prefeito Paulo Garcia (PT), que “fez uma opção pelos ricos”, comenta.  Leia a entrevista na íntegra:

 Entrevista com Flávio Sofiati

DM – Por que deseja ser candidato a prefeito de Goiânia?

Sofiati – Desejo ser candidato a prefeito e ganhar as eleições pelo fato de Goiânia ter sido sequestrada por grupos econômicos interessados, sobretudo, em seus ganhos particulares. Isso fez da nossa cidade a mais desigual do país. Quero, junto com o Movimento Se a Cidade Fosse Nossa e com a frente de esquerda, que reúne todos os partidos anticapitalistas da cidade, recuperar Goiânia para os cidadãos e cidadãs. Nossa cidade merece uma prefeitura voltada para os interesses dos mais pobres, merece políticas públicas de qualidade e que efetivamente resolvam os seus principais problemas.

DM – O que pretende fazer pela cidade? Quais suas propostas?

Sofiati – Vamos radicalizar a democracia participativa e redistribuir a renda da cidade. Goiânia é menos democrática e mais desigual. Queremos uma cidade mais democrática e menos desigual. Por isso vamos: 1) Democratizar o executivo municipal realizando plebliscito de temas centrais, projetos de iniciativa popular e tornando todos os conselhos municipais (educação, saúde, juventude, por exemplo) realmente paritários e deliberativos. O conselho decidiu, o prefeito executa. 2) Reorganizar a cobrança de impostos na cidade. Quem ganha mais paga mais, quem ganha pouco paga menos, quem é pobre e está desempregado é isento. E a classe média não pagará mais do que já paga, mas terá melhores serviços públicos à sua disposição. Os ricos devem pagar um pouco mais, os pobres devem pagar menos, visto que moram em bairros quase que totalmente sem assistência do poder público.

DM – O PSOL é um partido de esquerda e, atualmente, a cidade é governada por um partido também de esquerda, o PT. Quais as semelhanças e diferenças entre a atual administração e uma possível gestão do PSOL?

Sofiati – O PT já foi de esquerda, tem ainda muitos militantes de esquerda, mas as lideranças que controlam o partido abandonaram os projetos de esquerda. Pergunte ao prefeito se ele se considera de esquerda? Pergunte à pré-candidata do PT se ela se define como socialista? Eu sou o único pré-candidato que se declara publicamente de esquerda na cidade. Tenho comigo os principais partidos da esquerda anti-capitalistas, grupos da sociedade civil e cidadãos e cidadãs preocupados com o bem comum, com o bem-viver. Numa possível administração do PSOL, iremos romper com as oligarquias locais que impedem o real desenvolvimento da cidade. Vamos fazer uma ampla auditoria dos contratos com as empresas de ônibus, vamos impedir que a cidade continue crescendo apenas nas regiões de interesse da especulação imobiliária, vamos romper com a forma de gestão da saúde pública que favorece apenas ao complexo industrial de remédio que lucram com a doença dos pobres. Vamos investir 25% da verba municipal em educação infantil (plano de carreiras decente para os professores é qualidade de vida para nossas crianças), vamos tornar os espaços públicos (praças e parques, por exemplo) espaços de sociabilidade para a população (praças limpas e iluminadas, parques seguros), vamos enfrentar o problema das drogas com políticas de saúde e não com repressão. Enfim, vamos mudar a lógica de administração da cidade radicalizando o investimento em aparelhos públicos nos bairros mais pobres.

DM – Na sua opinião, quais os erros e acertos da gestão do prefeito Paulo Garcia (PT)?

Sofiati – Não se trata de erros e acertos, trata-se de opção política. O prefeito atual fez uma opção pelos ricos, nós vamos governar com os empobrecidos. Ele, por exemplo, chamou os empresários para discutir o aumento do IPTU, mas não fez nenhuma reunião com moradores das periferias. Fez audiências que só tinham o público no nome. Nós iremos fazer um projeto de lei de iniciativa popular, envolvendo toda a sociedade goianiense, para repensar a cobrança do IPTU. Os condomínios de alto padrão pagarão mais impostos para possibilitar a melhoria de vida nas periferias. Essa será nossa proposta no debate com a sociedade.

DM – O PSOL já tem pré-definido quem será o seu vice ou será decidido apenas na Convenção? Com que nomes já conversou?

Nossa vice será definida na convenção. Será uma mulher ou alguém indicado pelo Setorial de Mulheres dos partidos de esquerda em concordância com o “Se a Cidade Fosse das Mulheres”. Isso está praticamente definido, mas queremos deixar o anúncio para dia 30/07 às 14 horas na Convenção Municipal.

DM – Quais os partidos que irão compor a chapa e fazer aliança com o PSOL? Haverá, de fato, uma Frente de Esquerda?

Sofiati – Haverá sim uma frente composta por PSOL, PCB, PCR, POLO Comunista, MAIS, além de grupos da sociedade civil organizada e cidadãos e cidadãs que pensam a política como ferramenta de mudanças coletivas da sociedade e não como instrumento de enriquecimento pessoal.

DM – Há possibilidade de aliança com o PT? Por quê?

Sofiati – Nenhuma. Não faremos alianças com partidos envolvidos em esquemas de corrupção. Não faremos alianças com grupos comprometidos com setores empresariais inescrupulosos. Nossas alianças priorizam o pequeno e médio empreendedor, pois são estes que garantem um desenvolvimento equânime para a cidade e para o país.

 

 

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